A análise dos dados vitais é muito útil, uma vez que esses achados nos fornecem informações valiosas para entender melhor o estado em que o paciente se encontra.
Desde o início do curso, os alunos da área da saúde têm contato com essas práticas de aferição de sinais vitais, sendo fundamentais para que ele adquira habilidades ao longo de sua formação.
Dessa forma, é fundamental avaliar: frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC), frequência de pulso (FP), temperatura corporal (°C), pressão arterial (PA), dentre outros.
A frequência respiratória corresponde ao número de ciclos respiratórios que uma pessoa realiza em um intervalo de um minuto, sendo que esse ciclo é composto pela inspiração, momento em que o ar entra nos pulmões, e pela expiração, quando o gás carbônico é eliminado dos pulmões para o ambiente.
Para aferir a frequência respiratória, indica-se orientar o paciente em relação ao procedimento a ser realizado (não é recomendado falar para o paciente que sua frequência respiratória está sendo aferida, já que inconscientemente pode-se alterar o padrão respiratório quando o indivíduo sabe que está realizando o exame).
Após isso, deve-se colocar o paciente deitado em decúbito dorsal deixando a região do tórax e abdome descobertos. Feito isso, com o auxílio de um relógio ou cronômetro conta-se as incursões respiratórias do paciente no intervalo de 1 minuto e anota-se o resultado encontrado. Uma observação importante é que se recomenda lavar as mãos antes e após o processo.
A frequência cardíaca, por sua vez, é definida como a quantidade de vezes que o coração bate por minuto e é expressa em batimentos por minuto (bpm). Existem 2 principais técnicas para aferição da FC: ausculta cardíaca ou palpação do íctus cordis.
A técnica de aferição por ausculta cardíaca começa pela identificação e palpação do pulso carotídeo pela artéria carótida comum. Após isso, coloque a parte que tem as olivas nas orelhas, posicione a campânula do estetoscópio na região do íctus cordis de maneira suave (evite compressões excessivas).
Deve-se palpar o pulso carotídeo e ir se atentando para a ausculta de B1, B2 e os silêncios. Conte os ciclos durante um minuto para obter o valor da FC.
Um outro método é pela palpação do íctus cordis. Essa técnica inicia-se colocando o paciente em uma posição confortável, avisando-o sobre o exame. Após isso, você deve localizar o íctus cordis (ele é percebido no 4º e 5º espaço intercostal, na linha hemiclavicular) e informar ao paciente que irá palpar o coração.
Após isso, coloque a palma da mão na região deixando os seus dedos em hiperextensão. Cada impulsão do íctus equivale a uma sístole. Sendo assim, deve-se contar o número de sístoles em um minuto e com isso você terá o valor da FC.
A pressão arterial de forma simplificada é definida como a força aplicada pelo sangue nas paredes internas das artérias enquanto está em circulação. Ela é escrita com valores sistólicos (contração) e diastólicos (relaxamento). Dessa forma, a pressão de um indivíduo saudável gira em torno de 120×80 mmHg, sendo que 120 mmHg é a pressão de sístole, e 80 mmHg é a pressão de diástole.
Uma medida bastante utilizada também é a frequência de pulso. Ela é definida como a quantidade de pulsos que a artéria realiza durante um minuto. Mas, para calcular a frequência de pulso, é necessário entender primeiro o que é um pulso. De maneira simplificada ele pode ser definido como a expansão seguida da contração alternada de uma artéria decorrente da ejeção de sangue na artéria aorta devido à contração do ventrículo esquerdo.
Para sua verificação, após os procedimentos iniciais de higiene e orientação do paciente, deve-se identificar e palpar o pulso radial, analisar o estado da parede da artéria, se está lisa, endurecida ou com outra alteração, notar se o ritmo desse pulso é constante ou se possui alguma irregularidade, amplitude do pulso, além de outros fatores. Logo, deve-se realizar esse procedimento no outro braço e comparar os achados (igualdade, desigualdade). A partir disso, conta-se o número de pulsos durante 1 minuto anotando esse valor.
Um exame normal de pulso deve mostrar pulsos palpáveis, simétricos e sem anormalidades. A frequência de pulso normal varia entre 60 e 100 ppm (pulsações por minuto). Caso o paciente apresente um valor maior que 100 ppm, ele apresenta taquisfigmia e, se o valor for menor que 60 ppm, tem um quadro de bradisfigmia.
Por fim, a temperatura corporal corresponde à temperatura média do organismo humano. Geralmente, os valores normais estão entre 35,5 até 37,4°C sendo que temperaturas abaixo de 35,5º C indicam um estado de hipotermia e temperaturas acima de 37,4°C são indicativas de febre (hipertermia).
Antropometria
Entende-se por antropometria a ciência que estuda as medidas do corpo humano, ou seja, é a parte das ciências biológicas que se dispõe a estudar os caracteres mensuráveis da morfologia corporal humana.
Uma aplicação prática da antropometria pode ser vista no cálculo das dosagens de medicações, já que, muitas vezes, essa quantidade está diretamente ligada ao peso do paciente ou então ao seu índice de massa corpórea (IMC). Esses dados são importantes para se ter conclusões essenciais na avaliação nutricional das pessoas, prever o risco de certas doenças, como a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes entre outras.
As medidas antropométricas mais utilizadas são o peso, altura, circunferência abdominal e cefálica.
O IMC é um importante dado antropométrico e pode ser calculado pela razão entre a massa corporal em quilogramas e o quadrado da altura em metros. Dessa forma é possível ter uma ideia sobre o corpo do indivíduo, se ele está com um peso ideal, sobrepeso ou até mesmo com algum grau de obesidade. Aqui vale ressaltar que o IMC sozinho não pode ser um diagnóstico efetivo, uma vez que ele só leva em conta a massa do paciente e não a composição dessa massa (massa magra ou gordura), e, sendo assim, em alguns casos o IMC não corresponde à realidade.
É evidente, portanto, que a avaliação antropométrica é fundamental durante o exame dos indivíduos, permitindo prever diversas alterações corporais que podem ser corrigidas a partir dessa avaliação.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS
PORTO, Celmo Celeno. Exame clínico: bases para a prática médica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004