Sistema Motor
Em sua organização, encontra-se dois neurônios, o primeiro neurônio motor e o segundo neurônio motor. O primeiro se origina na região do giro pré central e decursa logo abaixo da região denominada pirâmides bulbares. Em seu trajeto descendente pela medula espinal caminha até a região do corno anterior da medula, local onde faz sinapse com o segundo neurônio motor. Este último vai em direção ao músculo onde se organiza em plexos, por exemplo.
Ao se avaliar o sistema motor é importante atentar para quatro tópicos importantes: força muscular, tônus, trofismo e os reflexos.
Em quadros de lesão de primeiro neurônio motor e de segundo neurônio motor os tópicos citados anteriormente irão sofrer algum tipo de alteração, o que caracterizará o tipo de lesão apresentado.
Lesão de primeiro neurônio motor (Síndrome Piramidal)
Ao se lesionar o primeiro neurônio motor (trato corticoespinhal), tem-se uma diminuição na força muscular, um aumento no tônus (hipertonia), um aumento nos reflexos tendinosos profundos (hiperreflexia) e abolição dos reflexos superficiais, associado a uma preservação do trofismo muscular, podendo ocorrer atrofia muscular tardia por desuso. Ademais, pode-se observar a presença do sinal de babinski e a marcha ceifante. Em alguns quadros de lesão de primeiro neurônio motor o paciente pode apresentar uma fase inicial chamada de choque cerebral, a qual caracteriza-se por um quadro de hipotonia e arreflexia.
Lesão do segundo neurônio motor
Ao se lesionar o segundo neurônio motor, tem-se uma diminuição da força muscular, uma diminuição do tônus (hipotonia), abolição dos reflexos tendinosos profundos e reflexos superficiais e uma diminuição do trofismo muscular, a qual vem acompanhada da presença de fasciculações.
Funções sensitivas
Ao se avaliar as funções sensitivas, deve-se atentar para queixas como alteração do equilíbrio, marcha, dormência e parestesia.
A sensibilidade organiza-se em superficial e profunda.
As fibras nervosas finas que cursam pela região anterolateral estão relacionadas a sensibilidade superficial, a qual, quando lesionada, apresenta alteração de tato e temperatura. Já as fibras nervosas grossas que cursa pela região do corno posterior da medula, quando lesionada, apresenta alteração de equilíbrio, noção de posição, marcha e vibração.
As fibras grossas se direcionam para o lado oposto da medula na região do tronco encefálico, o que faz com que lesões ocorridas a nível medular levem a alteração da sensibilidade profunda do lado homolateral do corpo. As fibras finas decussam assim que entram na medula espinal, o que leva a alterações do ladro contralateral do corpo quando ocorre lesões a nível medular.
Nervos cranianos
Ao todo, existem 12 pares de nervos cranianos. Com exceção dos dois primeiros, os outros dez pares se originam no tronco encefálico.
Nervo olfatório
Lesão nesse nervo pode levar a queixas como anosmia, cacosmia, dentre outras. Para avaliar a sua integridade, pede-se que o paciente sinta cheiros conhecidos fornecidos pelo médico, testando uma narina de cada vez.
Nervo oftálmico
Esse nervo é avaliado por meio:
- Campimetria visual;
- Acuidade visual;
- Exame do fundo de olho: observa-se, principalmente, o disco óptico e possíveis alterações em sua apresentação.
- Reflexo fotomotor (II par: aferência; III par: eferência);
Nervo Oculomotor
O nervo oculomotor é responsável por inervar os músculos extrínsecos oculares: reto superior, reto inferior, oblíquo inferior e reto medial. Além disso, ele inerva o músculo constritor da pupila e o músculo levantador da pálpebra.
O III, o IV e o VI par que inervam os músculos extrínsecos oculares podem ser testados durante a testagem das nove posições do olho.
Nervo Troclear
Esse nervo é responsável por inervar o músculo ocular extrínseco oblíquo superior.
Nervo Trigêmeo
Esse nervo origina três ramos, o ramo mandibular, o ramo maxilar e o ramo oftálmico, os quais são responsáveis pela sensibilidade da região anterior do pavilhão auricular e até a metade anterior do couro cabeludo. Além disso, o ramo oftálmico é responsável pela aferência do reflexo córneo-palpebral (a eferência é feita pelo VII par). Ademais, o V par é responsável por inervar os músculos responsáveis pela mastigação.
Nervo Abducente
Esse nervo é responsável por inervar o músculo reto lateral.
Nervo Facial
Responsável pelos músculos responsáveis pela mímica facial, por inervar a glândulas, lacrimal, sublingual e submandibular. Ademais, é responsável pela sensibilidade gustativa dos 2/3 anteriores da língua.
Nervo vestíbulo-coclear
O ramo coclear é responsável pela audição e o ramo vestibular é responsável pelo equilíbrio. Para testar a audição e possíveis problemas relacionados, pode-se lançar mão do teste de Weber e do teste de Rinne.
Nervo Glossofaríngeo
Responsável pela sensibilidade do 1/3 posterior da língua, tonsila, faringe e orelha média. Além disso, o nervo glossofaríngeo é responsável por inervar a glândula parótida.
Nervo Vago
Inervação parassimpática das vísceras torácicas e abdominais. Além disso, é responsável pela motricidade da faringe e da laringe.
Nervo Acessório
Responsável pela inervação dos músculos trapézio e esternocleidomastóideo.
Nervo Hipoglosso
Responsável pela motricidade da língua.
Referências:
NITRINI, Ricardo; BACHESCHI, Luiz Alberto. A neurologia que todo médico deve saber. [S.l: s.n.], 2003.
Autoria: Cristovão Pereira dos Santos Júnior
Instagram: @cristovao.junior1
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