Síndrome de Edwards: da definição ao tratamento, passando pela epidemiologia, patogênese, sinais e sintomas e diagnóstico. Confira!
A trissomia do cromossomo 18, ou síndrome de Edwards (SE), foi descrita inicialmente em 1960 por Edwards et al em um recém-nascido que apresentava malformações congênitas múltiplas e déficit cognitivo, por isso é conhecida por.
A SE é uma doença caracterizada por um quadro clínico amplo, envolvendo frequentemente múltiplas malformações severas, e prognóstico bastante reservado.
Epidemiologia da síndrome de Edwards
A SE é a segunda trissomia autossômica mais frequentemente observada ao nascimento, ficando atrás apenas da síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21).
A SE é observada em um de cada 3.600-8.500 nascidos vivos. Há uma proporção de 3:1 de mulheres para homens entre os bebês afetados.
Patogênese
As manifestações da SE são decorrentes do material genético adicional do cromossomo 18, ocorrendo três alterações mais importantes:
- Trissomia 18 (47, + 18) – 90 % dos casos de trissomia 18 são o resultado de não disjunção meiótica.
- Translocação envolvendo o cromossomo 18.
- Mosaicismo por trissomia do 18 (47, + 18/46).
Manifestações clínicas da síndrome de Edwards
A maioria dos casos de trissomia 18 com diagnóstico pré-natal morrem no útero e 50 % das crianças afetadas morrem nas primeiras duas semanas de vida e apenas 5 a 10 % sobrevivem ao primeiro ano.
No entanto, a sobrevivência até a idade escolar é possível, sendo a deficiência intelectual grave é aparente em sobreviventes com mais de um ano de idade.
A SE nos nascidos vivos caracteriza-se por um quadro clínico amplo, com acometimento de múltiplos órgãos e sistemas. Há descrição na literatura de mais de 130 anomalias diferentes, as quais podem envolver praticamente todos os órgãos e sistemas, sendo que nenhuma delas é patognomônica da trissomia do cromossomo 18.
As principais características fenotípicas incluem:
- Restrição de crescimento intrauterino
- Hipotonia verificada durante o período neonatal e seguida de hipertonia,
- Proeminência occipital
- Boca pequena
- Micrognatia
- Orelhas pontudas
- Esterno curto
- Rim em ferradura
- Dedos flexionados, com o dedo indicador sobrepondo o terceiro dedo e o quinto dedo sobreposto ao quarto (manifestação mais característica dessa síndrome).
Doença cardíaca congênita
A doença cardíaca congênita ocorre em mais de 50 % dos indivíduos afetados com envolvimento valvar comum. Defeitos do septo ventricular e persistência do ducto arterioso são os defeitos mais comuns.
O sistema gastrointestinal está envolvido em aproximadamente 75% dos casos. Divertículo de Meckel e má rotação são as anormalidades predominantes. A onfalocele é relativamente comum no período pré-natal.
Como fazer o diagnóstico da síndrome de Edwards?
O diagnóstico da SE é usualmente confirmado por meio do estudo cromossômico pelo exame de cariótipo, com detecção de trissomia completa ou parcial do cromossomo 18.
Mais recentemente, outras técnicas, como a de hibridização in situ fluorescente (FISH) e a de hibridização genômica comparativa (CGH), vêm sendo utilizadas na detecção de pacientes com trissomia do cromossomo 18, especialmente em situações específicas, como no diagnóstico rápido em recém-nascidos e na detecção da síndrome no pré-natal.
O sequenciamento das moléculas de DNA fetais no sangue materno vem também surgindo como uma forma acurada e não invasiva de diagnóstico pré-natal.
Os achados ultrassonográficos pré-natais da trissomia 18 correspondem às anormalidades físicas. RCIU associado a polidrâmnio, especialmente em um feto com posicionamento anormal das mãos (“mãos fechadas”), é sugestivo desse distúrbio. Os cistos do plexo coróide são comuns.
Tratamento
O tratamento e a intervenção médica dependem da presença e do tipo de anormalidades graves ou com risco de vida no paciente.
As intervenções terapêuticas podem incluir:
- Trato gastrointestinal
- Procedimentos cardíacos
- Ortopédicos
- Faringe / facial / seios da face
- Traqueostomia.
Uma equipe multidisciplinar, incluindo obstetrícia, aconselhamento genético, pediatras, cirurgiões e assistentes sociais, são importantes para fornecer informações sobre a disponibilidade de cuidados pós-hospitalização, programas educacionais e organizações de apoio.
A recorrência da mesma trissomia em outro filho é raramente relatada na literatura, sendo seu risco considerado virtualmente desconhecido, por isso não existe indicação da avaliação citogenética dos pais.
Conheça o SanarFlix
O SanarFlix é uma plataforma que ajuda aos estudantes de medicina do início ao fim do curso. Nela você encontra todos esses e outros conteúdos disponíveis em vídeo-aulas, resumos, flash cards, questões, mapa mentais e muito mais.

Referência bibliográfica
- Souza JCM, Solarewicz MM, Mordaski RYM, et al. Síndromes cromossômicas: uma revisão. Cad Esc de Sal. 2010.
- Smith DW. Autosomal abnormalities. Am J Obstet Gynecol. 1964.
- Rasmussen SA, Wong LY, Yang Q, May KM, Friedman JM. Population based analyses of mortality in trisomy 13 and trisomy 18. Pediatrics. 2003.
Sugestão de leitura complementar
Você pode se interessar pelos artigos abaixo: