Acesse agora um resumo completo sobre cardiopatia isquêmica e fique por dentro de tudo que você precisa saber sobre o assunto!
A cardiopatia isquêmica é definida como uma redução ou total oclusão da passagem de sangue para a irrigação do músculo cardíaco, acometendo, principalmente, as artérias coronárias.
Essa patologia pode estar associada a diversas causas, no entanto, seu principal fator desencadeante é a formação de placas de gordura no interior das artérias.
No presente resumo serão discutidos sua fisiopatologia, seu quadro clínico característico, suas formas de diagnóstico e tratamento e os fatores de risco associados ao desenvolvimento ou agravamento desse distúrbio de fluxo vascular.
Fisiopatologia da cadiopatia isquêmica
No que se refere a fisiopatologia da cardiopatia isquêmica, é importante discutir sobre dois pontos chaves, a oferta e a demanda de oxigênio(O2) destinada ao músculo cardíaco, miocárdio.
Demanda e oferta de oxigênio
Essa análise deve ser feita em virtude da patologia em questão ser derivada de um desequilíbrio da disponibilidade de oxigênio para esse músculo. Assim, tanto a isquemia quanto a hipoxemia, caracterizada pela redução da oferta de oxigênio, alteram a quantidade de O2.
Além disso, existem outras possibilidades de fatores motivadores da isquemia, como a redução do fluxo de sangue em determinada região do músculo cardíaco, presente em grande parte dos casos de infarto agudo do miocárdio.
Ademais, fatores como o estresse emocional associado ao esforço físico e a taquicardia em união a uma obstrução da artéria coronária podem desencadear uma isquemia do miocárdio em razão da mudança nos dois pontos supracitados, a oferta e a demanda de oxigênio.
Dessa forma, é notável que situações que provocam um desequilíbrio na disponibilidade do O2 estão associadas aos principais determinantes da redução dessa oferta, são eles:
- o grau de obstrução arterial
- as lesões vasculares
- o grau de circulação colateral
Os quais, associados a alterações na pressão arterial e frequência cardíaca, por exemplo, podem provocar variações na demanda de oxigênio.
Aterosclerose
Além de tudo já citado previamente, é crucial destacar a aterosclerose coronária como a causa mais relevante no estudo da disfunção patológica em análise, a cardiopatia isquêmica.
Como já discutido, o grau de obstrução da artéria provoca mudanças quantitativas de O2, assim, na aterosclerose não seria diferente, de modo que esse é um grande fator associado a progressão da doença aterosclerótica, ou seja, quanto maior o grau de oclusão, maior o desenvolvimento da patologia.
Fatores de risco da cadiopatia isquêmica
Como discutido anteriormente, as placas relacionadas à aterosclerose coronariana, estão intimamente interligadas ao desenvolvimento de doença isquêmica do coração, de modo que diversas condições podem desencadear o aparecimento dessas placas, sendo essas condições denominadas fatores de risco, dentre os quais pode-se citar:
Hipertensão
A hipertensão arterial é um importante agente na origem de doenças coronarianas associadas à isquemia, estando também relacionada ao acidente vascular cerebral, sendo a pressão de pulso, a qual se caracteriza pela diferença entre a pressão sistólica e a pressão diastólica, um forte predeterminante dos acometimentos cardíacos em questão.
Tabagismo
O tabagismo é um fator de risco estritamente relacionado a patologias isquêmicas coronarianas, de maneira que quantos mais cigarros consumidos maiores serão os riscos de desenvolvimento de cardiopatias, no entanto, a cessação do fumo aumenta a sobrevida do indivíduo e reduz a probabilidade de acometimento cardíaco.
Diabetes mellitus
A doença cardíaca coronariana é a principal causa de óbito de pacientes com diabetes mellitus, daí percebe-se a íntima relação entres as patologias, observando-se que a diabetes duplica os riscos de doenças cardíacas em homens e triplica essas taxas nas mulheres. Além disso, ela também tem relação com os fatores de riscos associados à cardiopatia isquêmica, como a hipertensão e a dislipidemia.
Dislipidemia
Nesse fator, é importante frisar que, taxas elevadas de colesterol total aumentam de maneira diretamente proporcional os riscos de cardiopatias isquêmicas. Isso ocorre em virtude da capacidade do LDL, o “colesterol ruim”, de se acumular nas paredes arteriais, reduzindo seu lúmen, fato que pode ocasionar uma obstrução do fluxo de sangue e, consequentemente, gerar um processo isquêmico.
Quadro clínico da cadiopatia isquêmica
Os sintomas relacionados à cardiopatia isquêmica são:
- Dor anginosa em aperto, compressão ou queimação. Essa pode irradiar para ombros, braços, maxilar e região epigástrica.
- Falta de ar
- Fadiga
- Tontura
- Palpitações
- Suor frio
- Palidez
Diagnóstico da cadiopatia isquêmica
O diagnóstico da cardiopatia isquêmica depende de uma boa coleta da história clínica do paciente e da realização de exames complementares. Assim, como padrão-ouro para o reconhecimento da patologia pode-se citar o coronariografia, definido como um cateterismo seletivo das artérias coronárias, no entanto, apesar de ser o mais indicado não é o mais utilizado visto que se caracteriza por ser um exame invasivo e caro.
Dessa forma, o método mais usado para o diagnóstico é a união do exame clínico e físico em associação ao eletrocardiograma e a radiografia de tórax.
Tratamento da cadiopatia isquêmica
O tratamento da cardiopatia isquêmica envolve mudanças de hábitos de vida e terapia medicamentosa, ou seja, deve haver, por parte do profissional da saúde, um incentivo a realização de exercícios físicos e ao uso de fármacos antianginosos e antiplaquetários.
Assim, diante de uma orientação do médico cardiologista o paciente vai fazer uso de medicamentos para a redução dos batimentos cardíacos, como o propranolol, para o controle da pressão arterial, como o Captopril, para a redução de placas de gordura, como a Sinvastatina, para a redução dos coágulos no sangue, como o AAS e por último, fármacos para a dilatação dos vasos presentes no coração, como o Isordil.
Em casos mais graves, onde o tratamento medicamentoso não é o bastante, deve-se realizar uma intervenção cirúrgica, por meio da efetivação de uma angioplastia associada ou não a um stent, ou pode-se optar pela revascularização do miocárdio.
- Autora: Priscila Maria Rodrigues Araújo
- Instagram: @priscila_mariap
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Referências
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- LIMA, Ana Luiza. Isquemia cardíaca: o que é, principais sintomas e tratamento. [S. l.], 2021. Disponível em: https://www.tuasaude.com/isquemia-cardiaca/. Acesso em: 13 nov. 2021.


