Definição
A angioplastia é um dos principais tratamentos para qualquer vaso estreitado ou obstruído, principalmente no infarto agudo do miocárdio (IAM), e envolve a dilatação mecânica de por meio de um cateter de balão ou um stent metálico, causando a revascularização do território comprometido pela obstrução.
As artérias coronárias estão propícias a sofrerem com o processo de arteriosclerose e aterosclerose, o que reduz o fluxo sanguíneo para o coração resultado do estreitamento das artérias ou oclusão. Esse processo ocorre principalmente com o avançar da idade e em indivíduos com alto risco cardiovascular.
Este método se consagrou por proporcionar reperfusão rápida, sustentada e eficaz, reduzidas taxas de reoclusão e reestenose, e preservação da microcirculação coronária, além de ser aplicada mediante pouca contraindicação
Eficácia da angioplastia de coronária
Em um estudo que analisou o desempenho da angioplastia transluminal percutânea coronariana primária no Brasil de 1996 a 2000, revelou que no período analisado, houve crescimento significativo da realização deste procedimento, em torno de 20%, em média de 5% ao ano, em relação ao total de intervenções coronarianas percutâneas computadas no respectivo período.
Além de tratar IAM, essa modalidade terapêutica apresenta êxito indiscutível no tratamento de estenoses de artérias renais e da circulação arterial periférica.
Tem sido demonstrado que o restabelecimento do fluxo coronário normal é obtido em cerca de 90% dos procedimentos de angioplastia primária, com redução de reoclusões aguda e subaguda do vaso-alvo, e durabilidade do resultado.
Quando comparada ao uso de trombolíticos, a angioplastia primária possibilita maior preservação da função contrátil do ventrículo esquerdo e aumento significativo na sobrevida, principalmente entre os pacientes de maior risco.
Indicações da Angioplastia
Pacientes com sintomas sugestivos de infarto agudo do miocárdio e aqueles que têm evidência eletrocardiográfica (ECG) de um infarto agudo manifestado por elevações de ST > 1 mm em duas derivações contíguas ou infarto posterior verdadeiro deve ser submetido a terapia de reperfusão com angioplastia percutânea primária, a menos que contraindicado.
A avaliação de risco deve ser realizada em todos os pacientes com síndromes coronárias agudas sem supradesnivelamento do segmento ST (SCASSST) logo após o diagnóstico ser feito para identificar a abordagem de revascularização ideal. Frequentemente utiliza-se ferramentas como os escores de risco TIMI ou GRACE.
Procedimento
O acesso arterial femoral comumente é a via de escolha, propiciando maior rapidez e repetibilidade, fácil localização pelo maior calibre do vaso, variabilidade de materiais, sendo o local de escolha dos intervencionistas com pouco experiência. Durante todo o processo, o intervencionista vai usar imagens de orientação.
Depois de puncionar a via de acesso, o cateter é guiado até o lugar obstruído. Quando chega ao local, o balão é inflado para romper as placas de gordura e expandir o diâmetro arterial. Em alguns casos, a angioplastia com balão é suficiente para manter o vaso aberto. No entanto, na maioria das angioplastias coronárias precisa de suporte contínuo, sendo colocado um stent. Esse é responsável por manter a artéria desbloqueada na região e prevenir nova obstrução.
Atrasos na realização da angioplastia influenciam na extensão do IAM e consequentemente sobre a mortalidade. O tempo porta balão (TPB) se conceitua como o tempo entre a chegada ao centro com capacidade de realizar a angioplastia primária e a desobstrução da artéria relacionada ao infarto.
Complicações da angioplastia
Embora a angioplastia seja considerado um procedimento seguro, sabe-se que complicações podem ocorrer, e podem muitas vezes estar associada a fatores relacionados tanto às condições clínicas do cliente quanto aos relacionados com o procedimento e materiais utilizados.
Estas complicações normalmente estão relacionadas à calcificação na artéria puncionada, obesidade, idade, sexo, hipertensão e o uso de anticoagulantes. O local de maior incidência dessas complicações é no sítio da punção na forma de hemorragias, sangramentos, hematomas, fístulas, pseudoaneurismas e isquemias. Outras complicações decorrentes do uso do contraste, como alergia e insuficiência renal, podem ocorrer.
Os casos considerados como de “baixo risco” para o procedimento são os do sexo masculino, com idade <70 anos, assintomáticos ou com angina estável, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FE) >40%, exibindo lesão única do tipo A e em um só vaso.
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