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Resumo sobre a eletrofisiologia do coração | Colunistas

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Introdução

O coração fica localizado no mediastino, um compartimento da cavidade torácica, e é formado por 4 câmaras, sendo dois átrios e dois ventrículos. Possui valvas atrioventriculares que fazem o controle do fluxo de sangue entre as cavidades, do lado direito temos a valva tricúspide e do lado esquerdo a bicúspide ou mitral. Esse lado anatômico é possível visualizar na imagem a seguir.

Figura 1- Anatomia do coração (https://museuanatomia.ufms.br/coracao/)

A parte direita do coração é responsável pela captação do sangue pobre em oxigênio e pelo bombeamento ao pulmão, a parte esquerda do coração é responsável pela captação do sangue rico em oxigênio e pelo bombeamento do sangue para o coração pelo ventrículo esquerdo- razão pela qual o músculo é mais espesso-.

Miocárdio

O miocárdio é o músculo do coração, responsável pela ação contrátil do órgão, possuímos o miocárdio especializado e o contrátil. A imagem a seguir mostra a visão anatômica dessa divisão.

Figura 2. Miocárdio especializado e contrátil (https://cardiopapers.com.br/marcapasso-com-estimulacao-do-his-o-que-e-isso/)

O miocárdio especializado é responsável pela condução do impulso elétrico, ele gera esse impulso sem a necessidade de uma excitação neuronal. É composto pelo nodo sinoatrial (NSA), nodo atrioventricular (NAV), feixe de His e fibras de Purkinje. Possui quatro características:

  •  Batmotropismo – Excitabilidade, capacidade de se excitar.
  •  Automatismo – Capacidade de se auto excitar.

o   Influxo lento de sódio até atingir o limiar, não tem a fase de repouso.

  •  Cronotropismo – Possui frequência entre cada despolarização.
  • Dromotropismo – Capacidade de conduzir o estímulo.

Já o miocárdio contrátil é responsável pela ação mecânica, a ação contrátil do órgão, função de bomba, realiza a sístole e a diástole. Sua ação depende da parte elétrica, do miocárdio especializado. Possui três características:

  • Inotropismo – Propriedade de contração.
  • Lusitropismo – Propriedade de relaxamento.
  •  Dromotropismo – Capacidade de conduzir o estímulo.

O miocárdio funciona como um sincício, ou seja, atua de forma integrada, esse fato é devido a grande comunicação que ocorre entre as células através dos discos intercalares, estes discos permitem que o impulso elétrico seja propagado de forma mais rápida.

O esqueleto fibroso atua como um isolante térmico, não permitindo que o impulso seja propagado, gerando uma divisão em dois sincícios, o sincício atrial e o sincício ventricular.

Papel das estruturas

  • Nodo sinusal/sinoatrial – Gerar o impulso elétrico e agir como marcapasso do coração.
  • Nodo atrioventricular – Passar o impulso elétrico dos átrios para os ventrículos, fazendo o retardo nodal.
  • Fibras de His-Purkinje – Propagar o impulso aos ventrículos, para o miocárdio contrátil.

Ritmo cardíaco

O ritmo cardíaco é controlado pelas células do miocárdio especializado que se excitam com maior frequência. De forma fisiológica, o nodo sinoatrial atua como o marca-passo do coração, pois tem o ritmo de 80 bpm, enquanto o nodo atrioventricular 50 bpm e His-Purkinje 35 bpm.

O ritmo sinusal é aquele ditado pelo nodo sinoatrial, mas o coração pode ter outros dois ritmos devido aos marca-passos latentes, que atuam quando o de maior frequência não atua. O nodo atrioventricular comanda o ritmo na ausência do ritmo sinusal, esse ritmo possui o nome de ritmo juncional, o terceiro ritmo comandará na ausência dos dois primeiros, as fibras de Purkinje ditaram o ritmo ventricular.

Potencial de ação

Os potenciais de ação geram a contração cardíaca e são de dois tipos na fisiologia cardíaca, o potencial lento e rápido, cada um ocorre em células diferentes do miocárdio, enquanto o potencial lento ocorre no nodo sinoatrial e nodo atrioventricular, o potencial rápido ocorre nos miócitos e nas fibras de purkinje. No gráfico a seguir podemos ver algumas diferenças entre os dois potenciais.

Figura 3. Potenciais de ação em fibras cardíacas (BERNE, Robert M.; LEVY, Matthew N. (Ed.). Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.)

            Existem quatro fases, fase 0,1,2,3 e 4. A fase 0 é a de ascendência e ocorre a despolarização, a fase 1 ocorre só na resposta rápida e é um período de breve repolarização, a fase 2 é a fase de platô, a fase 3 é de repolarização e a fase 4 de repouso.

Potencial de ação rápido

  • Fase 0 – Abertura dos canais de Na+ dependente de voltagem (influxo rápido) rápida despolarização, alta velocidade de condução.
  • Fase 1 – Inativação dos canais de Na+, abertura dos canais de K+ e de Cl -, rápida e transitória repolarização.
  • Fase 2 – Fase de platô, queda lenta, tende a despolarizar devido a entrada lenta de Ca+2 e tende a repolarização pelo efluxo de potássio, devido às tendências opostas a carga se mantém.
  • Fase 3 – Fase de repolarização, os canais de Ca+2 se fecham, mantêm a saída de potássio.
  • Fase 4 – Depende de onde ela está ocorrendo. 
    • Contrátil – Manutenção do potencial de repouso. 
    • Purkinje – Não tem manutenção do potencial de repouso, despolarização lenta até o limiar de excitabilidade. Ativação espontânea de canais de sódio e cálcio lento, automatismo.

Potencial lento

  • Fase 0 – Despolarização lenta, influxo de cálcio pelos canais do tipo L.
  • Fase ausente – 1.
  • Fase 2- Fase de Platô, menos estável e longa do que no potencial rápido.
  • Fase 3 – Repolarização com a inativação dos canais de cálcio e ativação dos canais de potássio, efluxo de potássio.

Fase 4 – Automatismo, ativação dos canais de Na+ e de cálcio tipo T. Desativação das correntes repolarizantes de potássio.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

BERNE, Robert M.; LEVY, Matthew N. (Ed.). Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.


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