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Resumo dos nevos melanócitos | Colunistas

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Os nevos melanócitos (NM) são lesões pigmentadas, compostas de células névicas, que podem ser congênitas ou adquiridas.

Entre os nevos pigmentares adquiridos, existe uma variante especial, o nevo displásico, que pode ser não somente um precursor, mas também um marcador de melanoma maligno.

Os nevos pigmentares ou melanócitos são classificados em: comuns ou adquiridos, e congênitos.

Classificação: Nevos Melanócitos comuns ou adquiridos

São encontrados na maioria dos adultos brancos, admitindo-se uma média de 10 a 40 lesões por pessoa. São chamados, na linguagem leiga, de “pintas” e, impropriamente, “verrugas”.

Legenda:
Rede pigmentar regular ou típica-indica que a lesão é melanócitica e com um padrão uniforme.
Fonte: https://www.ipemed.com.br/blog/dermatoscopia-nos-nevos-melanociticos

Etiologia

Os NM adquiridos ou comuns podem ser causados pela hereditariedade, exposição ao sol durante a infância (usar filtro solar depois dos 6 meses de idade) e raça (pessoas de pele clara e cabelos escuros tem maiores predisposições, comparados a pele escura e cabelos ruivos, respectivamente).

Manifestações clínicas e histopatológicas

Apresentam diversos tipos de lesões, desde planas, ligeiramente salientes, verrucosas, pedunculadas ou em domos. Os NM são uniformemente pigmentados, mas podem sofrer modificações ao longo de sua história natural. Inicialmente, são máculas planas, de cor uniforme marrom a negra, que aumentam até 4 a 8 mm de diâmetro no máximo.

Na fase inicial, são constituídos de melanócitos oriundos da crista neural, de localização epidérmica que, aumentando em número, terminam por constituir agrupamentos na junção dermoepidérmica. São, portanto, nessa fase, do ponto de vista histopatológico, nevos juncionais. Uma vez cessado o crescimento do nevo em lateralidade, suas células se aprofundam, resultando, clinicamente, em lesão elevada papulosa, pigmentada, mas, em geral, não negra.

Histopatologicamente, são encontradas células névicas na junção dermoepidérmica e na derme; portanto, nessa fase, correspondem histologicamente aos nevos compostos. Finalmente, no estágio final de sua evolução, as células névicas se aprofundam ainda mais na derme, adquirindo aspecto neural com diminuição da produção de melanina. Clinicamente, resultam em lesões papulosas ou pedunculadas, com coloração da pele normal e que, histologicamente, são nevos nevocelulares intradérmicos. Portanto há correspondência entre o aspecto clínico e o histopatológico.

Os nevos pigmentares planos são geralmente de junção; os salientes e verrucosos, compostos ou intradérmicos; e os pedunculados ou em forma de domo, quase sempre intradérmicos. Nevos pigmentares localizados na região palmoplantar, nos dedos, na genitália e nas mucosas, planos ou ligeiramente elevados, são quase sempre de junção ou compostos. Foram referidos como de maior potencial de transformação em melanoma maligno, entretanto dados recentes refutam essa ideia.

Diagnóstico dos nevos melanócitos

Os nevos melanócitos adquiridos surgem após os 6 meses de vida. Costuma-se localizar na parte superior das costas, correspondendo ao local mais exposto ao sol. Localizações menos comuns são palmas, plantas e unhas. Já a localização no couro cabeludo prediz o surgimento de grande número de nevos melanócitos adquiridos no corpo.

Também sofrem transformação de sua forma, ou seja, inicialmente são planos ou pouco elevados, gradualmente vão adquirindo maior elevação. A cor varia entre o marrom e o preto. Com o tempo, vão perdendo a capacidade de produzir a melanina, pigmento responsável pela cor da pele, aproximando da tonalidade normal. Manifestam na unha como uma mancha de cor acastanhada, marrom ou preta, ocupando uma faixa com largura de até 4 mm.

Tratamento dos nevos melanócitos

A maioria dos nevos melanócitos adquiridos não exige tratamento. Deve-se considerar a exérese:

1. por razões de ordem estética;

2. de nevos submetidos à irritação traumática crônica pela sua localização;

3. de nevos localizados em áreas de difícil acompanhamento de possíveis alterações morfológico-evolutivas, como o couro cabeludo.

O tratamento eletivo para os nevos de até 6 mm, sem quaisquer alterações clínicas e/ou dermatoscópicas que possam sugerir processo de malignização, é a exérese, com a técnica de barbirese (shaving), fazendo-se a hemostasia com eletrocoagulação. Para os nevos maiores, pode ser indicada a excisão e sutura.

É sempre indicado o exame histopatológico de todos os nevos retirados. Quando um nevo exibe algum sinal de transformação maligna, como alteração de tamanho, bordas, cor, sangramento, ulceração, eritema, dor e prurido, a exérese com margem de segurança e o exame histopatológico são obrigatórios.

Classificação: NM congênitos

Corresponde ao nevo melanócito presente desde o nascimento ou que se desenvolve durante a infância a partir de células névicas preexistentes.

Os nevos melanócitos congênitos pequenos, de aparecimento tardio, são de difícil diferenciação em relação aos nevos adquiridos, mas existem algumas características microscópicas mais frequentes nos nevos congênitos: células névicas localizadas na derme inferior e na hipoderme; presença de células névicas em glândulas sebáceas, nervos e vasos sanguíneos e também no músculo eretor do pelo, folículos pilosos, dutos écrinos e vasos linfáticos. Anatomopatologicamente, são nevos compostos ou intradérmicos.

Etiologia

Ocorre devido ao acúmulo de melanócitos de origem neuroectodérmica em
localização ectópicas. Algumas características histológicas peculiares são capazes de definir a etiologia congênita do nevo, tais como a presença de células névicas agrupadas em cachos e a presença destes elementos celulares em estruturas glandulares, vasos sanguíneos e tecido subcutâneo.

Manifestações clínicas e histopatológica

Ocorrem em 1% dos neonatos e se expressam como lesões pigmentares planas de tamanho variável, redondas ou ovais, de limites nítidos. Os nevos melanócitos congênitos são considerados pequenos, quando menores de 1,5 cm em diâmetro; médios, quando variam de 1,5 a 19,9 cm; e grandes, quando iguais ou superiores a 20 cm.

Os nevos melanócitos congênitos médios e grandes têm superfície rugosa, são pilosos e sua coloração é variável do marrom ao negro. Existem nevos pilosos com grandes dimensões que recobrem grandes extensões do corpo. Com o passar do tempo, tornam-se mais elevados e papilomatosos.

São também chamados nevos congênitos gigantes e sua importância reside na possibilidade de serem acompanhados de melanocitose das leptomeninges e na maior probabilidade de malignização com evolução para melanoma maligno. A melanocitose das leptomeninges ocorre especialmente nas formas localizadas no pescoço e no couro cabeludo, constituindo a melanose neurocutânea.

Há pigmentação intensa das leptomeninges por infiltração por melanócitos, os vasos que penetram no cérebro e na medula podem estar circundados por melanócitos e pode haver áreas de infiltração do tecido nervoso cerebral e medular por melanócitos. Nessas formas, podem ocorrer hidrocefalia por obstrução do espaço subaracnóideo e disseminação metastástica, formando-se nódulos múltiplos no cérebro. As formas localizadas sobre a coluna vertebral podem estar associadas à spina bífida ou meningocele.

Legenda:
Nevo melanócito congênito gigante. Extensa lesão hiperpigmentar com múltiplos nódulos e placas nodulares mais escuros sob a forma de “calção de banho”. Lesões menores dispersas pelo restante do tegumento.
Fonte: https://www.academia.edu/42645414/Manual_de_dermatologia_cl%C3%ADnica_de_Sampaio_e_Rivitti         

Diagnóstico

A metade dos tumores malignos aparece antes dos 3 anos e são geralmente mortais. Mesmo assim, a ocorrência do melanoma de uma forma geral, (não apenas relacionado com o nevo congênito), antes da puberdade é rara, correspondendo a 0,4% do total dos casos.

O diagnóstico precoce de um melanoma sobre um nevo gigante é de regra difícil, muitas vezes impossível, devido à cor enegrecida das duas lesões. Outros sinais de transformação maligna, como o desenvolvimento de um tumor ou ulceração, são tardios e geralmente acompanhados de metástases. Devemos considerar também a dificuldade de se estabelecer com exatidão o diagnóstico histopatológico do melanoma na infância.

Alguns critérios histológicos foram propostos relacionados com a possibilidade de malignidade:

  1. epidermotropismo de células isoladas na periferia da lesão;
  2. número elevado de mitoses e de atípias citonucleares;
  3. ausência de maturação das células névicas;
  4. presença de invasão ascular;
  5. Porém, na maioria dos casos, esse diagnóstico acaba sendo de probabilidade, só podendo ser afirmado com certeza quando associado a metástases. O estudo de marcadores de células tumorais por anticorpos anti-Ki67 pode ser um argumento suplementar na orientação no sentido do diagnóstico de melanoma.

Tratamento

Atualmente, aceita-se como alta a frequência de malignização dos nevos congênitos gigantes (5 a 20%), motivo pelo qual se indica sua retirada cirúrgica com utilização de enxertos, retalhos e expansores, apesar dos resultados estéticos pouco satisfatórios e das grandes dificuldades cirúrgicas por sua extensão.

Quanto aos nevos melanócitos congênitos pequenos e médios, admite-se a possibilidade eventual de evolução a melanoma, pelo menos em algumas ocasiões, mas o real percentual em que isso ocorre não está determinado. Mas, como sua retirada cirúrgica é, em geral, simples, devem ser retirados antes dos 12 anos, preferencialmente, pois, a partir dessa idade, as possibilidades de malignização, estatisticamente, aumentam.

Autor(a): Laryssa Ribeiro Cardoso – @laryssaribeirocardoso

Leituras Relacionadas

Referências

RIVITTI, Evandro A. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. Artes Médicas Editora, 2014. Disponível em: https://www.academia.edu/42645414/Manual_de_dermatologia_cl%C3%ADnica_de_Sampaio_e_Rivitti. Acesso em: 17 jun. 2022.

https://www.ipemed.com.br/blog/dermatoscopia-nos-nevos-melanociticos

PASCHOAL, Francisco Macedo. Nevo melanocítico congênito. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 77, p. 649-656, 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/6xWxm3t8RBBrLP3xMkK3ykJ/abstract/?lang=pt. Acesso em: 16 jun. 2022.

FARIA, Gladstone Eustaquio de Lima et al. Nevo melanocítico congênito: estudo retrospectivo dos aspectos epidemiológicos e terapêuticos em uma série de 45 pacientes. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, v. 26, p. 22-26, 2011. Disponível em: http://www.rbcp.org.br/export-pdf/784/v26n1a06.pdf. Acesso em: 18 jun. 2022.

PAULO, Sergio. Você sabe o que são os nevos melanócitos adquiridos?. Pronto Pele, [s.d.]. Disponível em: https://prontopele.com.br/2022/03/15/voce-sabe-o-que-sao-os-nevos-melanociticos-adquiridos/. Acesso em: 19 jun. 2022.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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