A sonolência excessiva diurna (SED) refere-se a uma compulsão subjetiva para dormir, tirar cochilos involuntários ou ataques de sono em horários inapropriados durante o dia. É um transtorno do sono comum, ficando atrás apenas da insônia.
A SED traz repercussões sociais negativas, pois o sono atrapalha as atividades diárias. Além disso, a SED afeta as funções cognitivas, como memória e concentração.
Sua etiologia varia desde transtornos mentais, como a depressão e ansiedade, endócrinos, como a obesidade, e respiratórios, como a apnéia do sono, entre outros.
Epidemiologia
A SED é o segundo transtorno do sono mais comum na população geral, depois apenas da insônia, sendo que sua prevalência varia de 10 a 25%.
Porém, esses dados são prejudicados pela falta de instrumentos objetivos para levantamento dessas informações.
Etiologia da sonolência excessiva
O sono insuficiente é uma das causas de SED. Pode ser auto-imposto ou uma consequência das exigências maiores de horas de trabalho, estudos e compromissos sociais ou como consequência de os estímulos audiovisuais excessivos, como televisão e aparelhos de celular.
Os distúrbios primários do sono que contribuem para a SDE incluem distúrbios respiratórios relacionados ao sono, como apneia obstrutiva do sono (AOS), distúrbios sono-vigília do ritmo circadiano bem como distúrbios centrais de hipersonolência, como narcolepsia .
Condições neurológicas, psiquiátricas e médicas, como dor crônica, podem estar associadas à hipersonia que não é explicada de outra forma por um distúrbio do sono ou efeitos colaterais de medicamentos.
Assim, a SED pode ocorrer devido a efeitos colaterais no uso de inúmeras medicações, os mais comuns associados à SDE incluem benzodiazepínicos, sedativos não benzodiazepínicos, anti-histamínicos, analgésicos opióides, anticonvulsivantes e antipsicóticos.
Um outro diagnóstico possível inclui a hipersonia idiopática, que incide principalmente por volta dos 25 anos. Dessa forma, consiste em uma doença do sistema nervoso central, na qual ocorrem períodos prolongados de sono (uma a duas horas mais) com SED subseqüente. Os exames adicionais tendem a ser normais.
Avaliação do paciente com sonolência excessiva
O mais importante na avaliação de um paciente que queixa-se de sonolência excessiva é a anamnese, incluindo uma história detalhada do sono, procurando pistas para um distúrbio do sono subjacente bem como uma explicação para sono insuficiente.
Deve-se:
- Investigar a presença de distúrbios psiquiátricos ou psicopatológicos, doenças clínicas ou neurológicas
- Uso de drogas/álcool e sua relação com o padrão de sono também devem ser pesquisados.
Na maioria dos casos, um paciente com SDE não apresentará achados específicos no exame físico. Assim, adormecer enquanto espera pelo médico, bocejo excessivo, dificuldade em manter os olhos abertos e pouca concentração podem ajudar a apoiar a história, se presente, mas se ausente, não exclui a SDE.
Escala de Sonolência de Epworth
A Escala de Sonolência de Epworth (ESS) é um questionário de uma página que pede aos entrevistados para estimarem sua probabilidade de cochilar ou adormecer recentemente em oito situações sedentárias, como sentar e ler, viajar como passageiro em um carro por uma hora sem intervalo, ou sentado quieto depois do almoço sem álcool.
Polissonografia
Uma polissonografia deve ser solicitada quando o médico suspeitar de:
- Apneia do sono
- Outros distúrbios respiratórios relacionados ao sono
- Distúrbio dos movimentos periódicos dos membros
- Narcolepsia
- Outras hipersonias centrais
- Convulsões durante o sono
- Insônia inexplicada.
Teste de latência múltipla do sono
O teste de latência múltipla do sono (TMLS) e o Teste de Manutenção da Vigília (TMV) podem ser utilizados para avaliação objetiva da SED.
O TMLS avalia a rapidez para dormir em uma situação soporífera e ao aparecimento de sono REM precoce (essencial para o diagnóstico de narcolepsia), enquanto que o TMV mensura a habilidade para permanecer acordado.
A escolha desses dois exames é indicada após a polissonografia quando houver suspeita clínica de narcolepsia ou outros distúrbios de hipersonolência central, ou quando avaliação objetiva de sonolência diurna é desejado.
Tratamento de sonolência excessiva
Deve-se tratar a causa primária da sonolência excessiva. Portanto, a abordagem para o sono noturno insuficiente envolve medidas de higiene de sono, a fim de recuperar a quantidade e qualidade do sono.
Assim, o principal tratamento da apneia do sono é o CPAP, um aparelho de ventilação por pressão positiva, que tem provado melhorar a sonolência diurna excessiva (SDE), a hipertensão arterial sistêmica, a qualidade de vida e a cognição de pacientes com esse distúrbio.
O tratamento da narcolepsia inclui medidas de higiene de sono, cochilos programados e uso contínuo de medicações estimulantes. Trata-se a hipersonolência idiopática com estimulantes, como anfetamina e metilfenidato. Além disso, para os distúrbios do ritmo circadiano o tratamento consiste em orientações quanto à higiene do sono, à fototerapia e melatonina.
Sugestão de leitura complementar
Você pode se interessar:
- Resumo de apneia do sono: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento
- O corpo humano durante o sono | Colunistas
- Resumo sobre narcolepsia (completo) – Sanarflix
Referências bibliográficas
- BITTENCOURT, Lia Rita Azeredo et al . Sonolência excessiva. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 27, supl. 1, p. 16-21, May 2005 .
- BOARI, Letícia et al . Avaliação da escala de Epworth em pacientes com a Síndrome da apnéia e hipopnéia obstrutiva do sono. Rev. Bras. Otorrinolaringol., São Paulo , v. 70, n. 6, p. 752-756, Dec. 2004 .
- CHERVIN, Ronald D. Approach to the patient with excessive daytime sleepiness. Post TW, ed. UpToDate. Waltham, MA: UpToDate Inc.
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