Anúncio

Resumo de Ilhota de Langerhans: anatomia do pâncreas, fisiologia e mais

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

As Ilhotas de Langerhans (ou Ilhotas pancreáticas) foram descritas pela primeira vez em 1869, por Paul Langerhans e corresponde a porção endócrina do órgão, tão importante para controle glicêmico dos humanos. 

Para entender a importância e repercussões das ilhotas, torna-se primariamente importante conhecer resumidamente a anatomia pancreática. 

Anatomia

O pâncreas é uma glândula retroperitoneal, lobulada, com peso entre 60 e 170g, que mede de 12 a 25 cm. Divide-se anatomicamente: cabeça (proximal), colo, corpo e cauda (distal). A  cabeça encontra-se em contato com o duodeno, alojando-se na sua curvatura, enquanto a cauda relaciona-se com o hilo esplênico e flexura esquerda do colo.

O pâncreas é uma glândula mista, ou seja, atua como tanto como glândula exócrina quanto como glândula endócrina. O pâncreas exócrino sintetiza as enzimas digestivas, que são armazenadas e secretadas por células, arranjadas em ácinos e cujo conteúdo secretado é encaminhado por um sistema ductal para o tubo digestório.

Já o pâncreas endócrino fica responsável pela produção, armazenamento e liberação coordenada de hormônios através da corrente sanguínea. São sintetizados em grupamentos de células epiteliais endócrinas conhecidas como ilhotas pancreáticas ( ou ilhotas de Langerhans).

Mais de 95% da massa pancreática corresponde a células exócrinas, agrupadas em lóbulos (ácinos). Como mencionado, esses ácinos conectam-se aos ductos pancreáticos, formando uma espécie de rede. As células acinares são responsáveis pela liberação de enzimas digestivas e outros componentes não enzimáticos (como, o bicarbonato) no duodeno, para facilitar a digestão. 

Já as Ilhotas de Langerhans, responsáveis pela função endócrina do pâncreas, agrupam-se em ilhas celulares, envolvidas por tecido exócrino, altamente vascularizadas e inervadas, sendo compostas por vários tipos diferentes de células, sendo as principais: α, β,  δ e células PP.

LEGENDA: ilhota pancreática (rosa claro) circundada por ácinos do pâncreas exócrino (rosa escuro. Coloração hematoxilina-eosina.
FONTE: Microscopia on line, 3v, USP.

Ilhotas pancreáticas

Como discutido anteriormente, a função endócrina do pâncreas é responsabilidade de aglomerados de células, dispersas no tecido acinar pancreático (exócrino), denominados Ilhotas de Langerhans. 

O pâncreas de um adulto saudável contém cerca de 1 milhão de ilhotas, o que constitui somente 2% da massa pancreática. Essas ilhas celulares ficam distribuídas irregularmente pelo parênquima exócrino, mais densamente na região da cauda.

Em cada ilhota, existe pelo menos 6 tipos de células pancreáticas descritas: 

  • Células α: Correspondem a cerca de 15-20% das células das ilhotas. Localizam-se na periferia, juntamente com as células δ e PP. Sintetizam e secretam glucagon, glicentina, GRPP (peptídeo pancreático relacionado com glicentina), GLP 1 e GLP 2 (peptídeo tipo glucagon 1 e 2).
  • Células β: São as mais numerosas, correspondendo a aproximadamente 70 a 80% das células das ilhotas pancreáticas.  Localizam-se no centro da ilhota e são responsáveis pela síntese e pela secreção, principalmente, da insulina e do peptídeo C. Em menor escala, produzem amilina, também conhecida como IAPP (polipeptídeo amilóide das ilhotas), que é um antagonista insulínico, dentre outros peptídeos. Em resumo: a principal função da célula β é produzir, estocar e secretar insulina.
  • Células δ: Representam 5-10% das células. Produzem principalmente somatostatina, um eficiente supressor da secreção de insulina, glucagon e hormônio de crescimento (GH).
  • Células PP ou Y: Constituem 1% das células. Sintetizam o polipeptídeo pancreático, encontrado exclusivamente no pâncreas. Parece ser liberado durante a alimentação, mas seus efeitos metabólicos ainda não são tão bem esclarecidos.
  • Células G: Representam 1% das células das ilhotas. Responsáveis pela síntese de  gastrina.
  • Células  ε: São as menos numerosas, respondendo por 0,5-1%. Responsáveis pela produção de grelina.

As ilhotas pancreáticas podem receber até 15% do fluxo sanguíneo que irriga o pâncreas, apesar de representarem ínfimo volume pancreático.

A vascularização das ilhotas pancreáticas ocorre de forma centrífuga, sendo as células β, localizadas no centro, as primeiras a receberem fluxo sanguíneo arterial. Posteriormente ocorre a irrigação dascélulas mais periféricas, α e δ. 

São irrigadas por capilares fenestrados, que além de nutrirem o parênquima, possibilitam que os hormônios secretados rapidamente atinjam a corrente sanguínea. 

Modulação da secreção de hormônios pancreáticos

As ilhotas são ricamente inervadas por fibras provenientes do sistema nervoso autônomo, simpáticas e parassimpáticas, as quais desempenham um papel fundamental na modulação

da secreção hormonal através de neurotransmissores e/ou neuropeptídios.

Neurotransmissores provenientes de fibras parassimpáticas

São eles: 

  • Acetilcolina: Tem como objetivo estimular liberação de insulina, glucagon e polipeptídeo pancreático. 
  • Polipeptídeo Intestinal Vasoativo (VIP): Amplamente distribuído nas fibras parassimpáticas que inervam as ilhotas pancreáticas e o trato gastro-intestinal.
  • Polipeptídeo liberador de gastrina (GRP): é abundante nas fibras parassimpáticas do pâncreas, sendo liberado sob estimulação vagal. Estimula a secreção de insulina, glucagon, somatostatina e polipeptídeo pancreático. 

Neurotransmissores provenientes de fibras simpáticas

  • Noradrenalina: Atua na inibição da secreção de insulina, diminuindo a concentração de AMPc e de cálcio intracelular. Além disso, estimula a secreção do glucagon.
  • Galanina: Presente tanto nas fibras simpáticas que inervam as ilhotas, como no pâncreas exócrino. Inibe tanto a secreção basal de insulina quanto a estimulada.
  • Neuropeptídeo Y: Também inibe a secreção de insulina basal e estimulada.

Hormônios pancreáticos

Os principais hormônios sintetizados pelas ilhotas pancreáticas, são: 

Insulina

Trata-se de um hormônio anabólico, sendo o principal regulador do metabolismo da glicose.  É produzida pelas células β-pancreáticas e sua síntese é estimulada por nutrientes, tais como glicose, aminoácidos e lipídios. Seus receptores estão presentes em diversos tecidos, incluindo fígado, tecido adiposo e músculos, o que reflete a variedade de funções da insulina. 

Seus principais efeitos metabólicos são: aumento da captação periférica de glicose, destacando-se nos tecidos muscular e adiposo, estímulo à síntese protéica e bloqueio da proteólise, aumento da síntese de ácidos graxos livres e glicogênio e bloqueio da lipólise e produção hepática de glicose. 

Glucagon

É um hormônio polipeptídico, composto por 29 aminoácidos. É produzido pelas células α das ilhotas. O papel fisiológico do glucagon é estimular a produção de metabólitos energéticos pelo fígado, além de aumentar a concentração de glicose e corpos cetônicos no sangue. 

Os principais tecidos-alvo do glucagon são o fígado e o tecido adiposo. Nos períodos de jejum, o glucagon estimula a glicogenólise, cetogênese e a gliconeogênese pelo fígado, lipólise no tecido adiposo, glicogenólise no músculo e diminui a glicólise, fundamentais para suprir as necessidades cerebrais.

A ação do glucagon no fígado é responsável por cerca de 75% da produção de glicose no jejum.

Somatostatina

É um hormônio sintetizado pelas células δ das ilhotas pancreáticas, formado por uma sequência de 14 aminoácidos, em cadeia única.

A somatostatina inibe praticamente todas as funções gastrintestinais e pancreáticas. O efeito inibitório na secreção de insulina é associado à diminuição do AMPc, hiperpolarização da membrana e diminuição da concentração intracelular de cálcio. 

A liberação da somatostatina é estimulada pelas refeições ricas em gorduras, carboidratos e proteínas.

Incretinas

São hormônios derivados das células intestinais, membros da família do glucagon, secretados em resposta intestinal a nutrientes, principalmente glicose e gordura. 

São responsáveis por estimular a secreção pancreática de insulina, de maneira dependente da alimentação. Essa resposta insulinotrópica, chamada de efeito incretínico, é responsável por cerca de 50% da secreção total de insulina liberada após ingestão de glicose.

Atualmente, sabe-se que os principais hormônios incretínicos são o GIP e o GLP-1.

Polipeptídeo pancreático (PP) ou Y

É um polipeptídeo formado por 36 resíduos de aminoácidos, produzido pelas células Ƴ das ilhotas pancreáticas.

Tem como efeitos importantes, regular funções gastrointestinais como contração e esvaziamento da vesícula biliar, inibir secreção pancreática exócrina, modular o esvaziamento e secreção de ácidos gástricos e diminuir a motilidade gastrointestinal. 

Grelina

Consiste em um peptídeo constituído por 28 aminoácidos, produzido por células endócrinas na mucosa gástrica e pelas células ε das ilhotas pancreáticas. A grelina estimula a secreção do hormônio do crescimento tanto pela produção do GHRH hipotalâmico, quanto pelos seus receptores nos somatotrofos hipofisários. 

Além disso, induz o apetite, a secreção ácida gástrica, aumenta o esvaziamento gástrico e ajuda a regular o balanço energético. Também está relacionada com o aumento da glicemia plasmática, tanto pelo aumento da secreção de GH quanto pela redução dos níveis de insulina.

Referências:

  • Renan Montenegro Jr., Mariana Chaves, Virginia Fernandes. FISIOLOGIA PANCREÁTICA: PÂNCREAS ENDÓCRINO. Disponível em: https://openaccess.blucher.com.br/download-pdf/317/20129
  • BERNE e LEVY – Fisiologia – Tradução da 7ª Edição. Editores Bruce M. Koeppen e Bruce A. Stanton. Editora Elsevier, Rio de Janeiro, 2018.
  • GUYTON, A.C. e Hall J.E.– Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 2017.
  • SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017.

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Minicurso Gratuito

+ Certificado

Fisiologia Celular

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀