Reinfecção é definida como o processo pelo qual uma pessoa foi infectada uma vez por SARS-CoV-2, deixou de estar infectada e voltou a ser infectada por SARS-CoV-2.
Caso suspeito de reinfecção: indivíduo com dois resultados positivos de RT-PCR para o vírus SARS-COV-2, com intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção respiratória, independente da condição clínica observada nos dois episódios, ou seja para que ocorra a confirmação é necessário existência de um período de tempo em que o caso não apresentou sintomas de infecção primária por COVID-19 ou um período de tempo sem excretar SARS-CoV-2 o RNA viral ou a existência de teste laboratorial negativo para SARS-CoV-2 o RNA viral.
No que diz respeito a confirmação através dos exames laboratoriais: Deve apresentar o sequenciamento genômico do SARS-CoV-2 da amostra primária e da amostra secundária indicando que elas pertencem a dados genéticos ou linhagens diferentes, independentemente do número de variações de nucleotídeo único (SNV, na sigla em inglês). É esperado que o vírus mute aproximadamente dois SNV por mês ou os dados do sequenciamento genômico demostram que o número de SNVs entre as infecções por SARS-CoV-2, incluindo as diferenças em variantes minoritárias de alta confiança, correlacionam-se com a probabilidade de que os diferentes episódios sejam causados por diferentes linhagens virais.
Para comprovar a confirmação de reinfecção, é essencial a coleta e armazenamento das amostras de RT-PCR, o que possibilita a análise do sequenciamento genômico e identificação de linhagens virais diferentes entre as duas amostras. Esta confirmação exige suporte laboratorial mais complexo. Até o momento, os resultados dos sequenciamentos e suas análises não têm sido disponibilizados oportunamente.
Nos adultos recuperados da infecção por SARS-CoV-2, apresentando um resultado positivo de SARS-CoV-2 RT-PCR sem novos sintomas durante os 90 dias após o início da doença representa mais provavelmente a eliminação persistente de RNA viral do que a reinfecção. Se esse adulto permanecer assintomático durante esse período de 90 dias, é improvável que qualquer novo teste viral forneça informações úteis, mesmo que o adulto tenha tido contato próximo com uma pessoa infectada. Se tal adulto se tornar sintomático durante este período de 90 dias e uma avaliação falhar em identificar um diagnóstico diferente de infecção por SARS-CoV-2 (por exemplo, influenza), então o adulto provavelmente garante avaliação para reinfecção por SARS-CoV-2 em consulta com um especialista em doenças infecciosas ou controle de infecções.
Apesar de milhões de infecções por SARS-CoV-2 em todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, até o momento, a vigilância e as investigações demonstraram poucos casos confirmados de reinfecção. Atualmente, não se sabe se os adultos recuperados são definitivamente imunes à reinfecção do SARS-CoV-2 porque os marcadores biológicos de imunidade não foram correlacionados com a proteção contra a infecção. No entanto, as evidências disponíveis sugerem que a maioria dos adultos recuperados teria um grau de imunidade por pelo menos 90 dias após o diagnóstico inicial de COVID-19 confirmado por laboratório.
Além disso, a reinfecção com uma variante do vírus SARS-CoV-2 foi relatada no Brasil, Reino Unido e África do Sul. O risco de reinfecção pode aumentar no futuro com a exposição às cepas do vírus variante do SARS-CoV-2 que não são neutralizadas por anti-soros imunes.
Os infectologistas ainda não sabem se as reinfecções são mais ou menos graves do que o primeiro contágio e se elas são mais prováveis de ocorrer depois de um período curto ou de um tempo mais longo.
A possibilidade de contrair Covid-19 mais de uma vez, contudo, não é uma completa surpresa. Já que a reinfecção não é algo inesperado para vírus respiratórios, como a influenza e os outros coronavírus que circulam entre humanos.
Especialistas alertam para a probabilidade de que a maior parte dos casos de reinfecção jamais seja identificada, já que a maioria dos que contraem Covid-19 é assintomática. Ou seja, muitos indivíduos podem se contaminar com o vírus sem saber até fazer o teste. Para os que desenvolvem os sintomas e testam positivo pela primeira vez, não é possível assegurar que não tiveram contato com o novo coronavírus antes. Se alguém diagnosticado tiver se curado e for reinfectado, mas não tiver sintomas, pode ser que nunca saiba a não ser que passe por outro teste, apenas por rotina.
Em termos práticos, isso significa que as medidas de isolamento social e o uso de máscaras para evitar o espalhamento do vírus continuam importantes mesmo para quem já testou positivo e já foi vacinado. Uma vez que reinfectados, assintomáticos ou não, podem seguir transmitindo o Sars-CoV-2. É importante não confundir flexibilização do contato social com um afrouxamento nos cuidados de prevenção contra o vírus.
Referências Bibliográficas
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