A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) abre um leque de possibilidades de tratamento, a depender da gravidade dos sintomas referidos pelo paciente.
A princípio, mudanças de hábitos como alteração da dieta e mudança de postura ao dormir já podem ser suficientes para cessar os sintomas, enquanto outros necessitam de terapia medicamentosa com inibidores da bomba de prótons.
A maioria dos pacientes já obtêm êxito com essas medidas, entretanto, uma pequena parcela tem indicação de cirurgia.
Quando indicar
Cenários nos quais a indicação desses procedimentos é justificada incluem:
– Inconformidade do paciente com o tratamento;
– Efeitos adversos não suportados relacionados ao tratamento
medicamentoso;
– Presença de grande hérnia hiatal;
– Esofagite refratária;
– DRGE refratária.
Pacientes com sintomas dispépticos são menos beneficiados com a
cirurgia e aqueles com grande de volume de conteúdo não ácido verificado na
pHmetria parecem ter melhores resultados.
Em 2009, Lundell et. al realizaram um estudo prospectivo com 310 pacientes com DRGE, dividindo-os em dois grupos: 1. Pacientes que faziam uso de omeprazol e 2. Pacientes submetidos à fundoplicatura.
Após 12 anos de acompanhamento, 53% do primeiro grupo e 45% do segundo estavam em remissão. Entretanto, 40% daqueles que passaram por procedimento cirúrgico necessitaram, ao longo do tempo, associação medicamentosa ou abordagem cirúrgica reincidente.
Azia e regurgitação eram sintomas mais comuns no primeiro grupo, e disfagia no segundo.
Técnicas cirúrgicas
As cirurgias disponíveis hoje para a DRGE são a fundoplicatura laparoscópica e a cirurgia bariátrica em obesos.
Cada técnica possui suas peculiaridades e indicações, e é importante que, ao indicar a cirurgia, o médico avalie se as técnicas disponíveis têm a capacidade (e probabilidade) de sanar o quadro do paciente.
Dentre os procedimentos mais comumente aplicados, temos:
– Fundoplicatura de Nissen: consiste no envolvimento da parte distal do esófago pela parte proximal do estômago, o fundo, criando uma barreira mecânica de antirrefluxo.
Envolve toda a circunferência do esôfago e, por isso, é conhecida como total ou 360°. É a técnica que mais controla o refluxo, porém, por comprimir bastante o esôfago, é mais propensa a efeitos colaterais, como incapacidade de eructação, distensão abdominal, diarreia e constipação.
Cerca de 15 a 20% dos que são submetidos a esta técnica apresentam a síndrome da bolha gasosa (gas-bloat syndrome). Pacientes com sintomas extra-esofágicos parecem não se beneficiar tanto desta técnica.
– Fundoplicaturas parciais: envolvem somente parte da circunferência do esôfago. São exemplos as técnicas de Toupet, posterior de 270°, e a de Dor, anterior de 180°.
Parecem apresentar menos efeitos colaterais, apesar de também parecerem inferiores na capacidade de conter refluxos.
– Cirurgias bariátricas: são métodos de escolha em pacientes obesos que apresentam DRGE e
que tem indicação de bariátrica. A técnica em Y de Roux tem demonstrado bons
resultados.
– Sistema
Stretta: é uma técnica endoscópica
recente, ainda carente de estudos, mas já disponível, que utiliza energia de
radiofrequência no tratamento da DRGE.
A abordagem cirúrgica para tratamento da DRGE deve ser bem indicada, observando as peculiaridades de cada paciente, a fim de montar o melhor plano terapêutico para cada caso, observando as diferentes indicações e limitações de cada técnica.
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