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Rapport: como construir uma relação empática com seu paciente | Colunistas

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“Olá!”, “Bom
dia! Boa tarde!”, “Como você se chama?”, “Meus sentimentos”… Haveria outra
palavra para descrever essas cordialidades? Talvez, Simpatia. Mas, o que é
simpatia? É o ato de se compadecer por alguém, extrapolando questões ditas
racionais, e converter tal sentimento em um bom tratamento. Importa que esse
conceito esteja bem construído e conciso para você, leitor. Abordaremos aqui o Rapport,
cuja palavra mais próxima para traduzir na língua portuguesa é a empatia,
muitas vezes confundida com a simpatia.

O que é Rapport?

De origem
francesa, essa palavra abarca um enorme significado dentro das relações
humanas. Traduzida para o português como empatia, consiste no estabelecimento do
êxito nas alianças terapêuticas, através de comunicação manante. Embasa-se no
olhar para o outro com as lentes dele, realizando uma incursão respeitosa e
branda, de maneira que o outro se sinta demasiado compreendido É, portanto, uma
poderosa técnica capaz de despertar no ambiente uma atmosfera de confiança, um
elo no encontro entre duas pessoas de realidades distintas, podendo ser
projetada na relação médico x paciente (RMP).

Considerações sobre a relação
médico x paciente

“A arte da
medicina está em observar. Curar algumas vezes, aliviar muitas vezes, consolar
sempre.” (Hipócrates
)

Ao analisar a
medicina em seu contexto histórico, é possível vislumbrar o advento de tal
relação, concomitante à medicina hipocrática, a qual possuía como objetivo o
benefício do ser humano, da pessoa, e não somente tratar uma doença. É válido
salientar que a construção da relação médico-paciente é complexa e
multifatorial, envolve vertentes psicossociais e necessita do protagonismo dos
dois envolvidos; não imbrica-se apenas com o encontro pontual na consulta, mas
também com a adesão ao tratamento e orientações.

Dentre os mais
diversos aspectos que auxiliam na construção da RMP, destaca-se a empatia, que
viabiliza que o paciente se sinta mais seguro e confortável a relatar suas
queixas e/ou sintomas, indispensável na arte médica e no processo de
diagnóstico. No cenário atual, as tecnologias, os exames de imagem e outros têm
sido mais valorizados, em detrimento do fortalecimento desse vínculo obtido com
empatia e escuta ativa. No entanto, é importante lembrar que as máquinas são
capazes de revelar órgãos e outras estruturas internas, mas não os sentimentos;
não é incomum o atendimento de pacientes apresentando uma miríade de queixas,
mas sem alterações nos exames, o que pode indicar algo de cunho psicossomático ou
de conversão.

A mudança
descrita afetou, sobretudo, a empatia. Notória desumanização do paciente se
configura na perda da identidade do mesmo, que infelizmente perpassa pela
graduação. Nas enfermarias ou durante discussões de casos clínicos, a
referência é sempre à doença ou o leito; a Dona Maria se torna a “paciente da
colecistite aguda”, o senhor João é o “paciente do leito 7”.

Felizmente,
muitas escolas médicas realizaram e ainda estão realizando constantes reformas
em seus currículos, a fim de resgatar a humanização da medicina.

Construção da RMP de maneira
empática

O primeiro
fator que não deve ser negligenciado é o de que o paciente deve ser considerado
como um todo, e a melhor forma de enaltecer essa verdade é através da
abordagem, a qual deve transmitir atributos humanos com fluidez, tendo a
anamnese como porta para adentrar na realidade dele e, assim, conhecer seu
estilo de vida, condições socioeconômicas , estrutura familiar e cultural,
visando conceber uma terapêutica e assistência personalizada.

É sabido que
uma das piores consequências no déficit da RMP é o processo judicial, o que
gera fadiga, custos e demanda muito tempo de ambas partes. Tempo este que
poderia ter sido melhor aproveitado, dispensado na consolidação da relação.

Cabe, novamente,
ressaltar o motivo da necessidade de construção empática na RMP. Em outros
tempos, devido à escassez de recursos para diagnóstico, tudo era erigido a
partir de uma boa conversa. Com o avanço tecnológico, houve uma transição que
tornou o diagnóstico mais eficaz, mas a escuta foi colocada no escanteio.
Porém, outra transição ocorreu: os pacientes que antes chegavam aos
consultórios com doenças infectocontagiosas, hoje chegam com as doenças
crônicas, as quais demandam estratégias terapêuticas de longa duração, que visam
a melhoria na qualidade de vida e o bem-estar. Como já foi mencionado, a adesão
está intimamente relacionada com o relacionamento previamente estabelecido. O
êxito no tratamento dispensa que um mesmo paciente retorne ao serviço várias
vezes com a mesma queixa, e a resultante é uma diminuição nas filas, sobretudo,
no serviço público.

Destarte, a
RMP é uma construção complexa e constante, mas que anda em paralelo com a
humanização da medicina. A empatia é uma habilidade primaz em tal processo e
que, como toda a habilidade humana, pode ser desenvolvida. No âmbito da
consulta, a empatia constitui-se como uma quebra de paradigmas, de medos, da
angústia e da ansiedade através da cordialidade e simpatia, seguida de um
sorriso, um aperto de mão, um olhar, a escuta dos problemas sem minimizá-los …
Construir relação empática é perguntar ao paciente “como você se sente?”, e,
verdadeiramente, querer entendê-lo, prestando a assistência que você gostaria
de ter.

Sobre a autora: Ana Carolina Costa, Nutricionista (CRN-4: 18101837), Acadêmica de Medicina (4º período, UFRJ-Macaé). Instagram: @arrobacarolinaa


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