Dica do autor: O sistema complemento participa da defesa contra bactérias por meio de opsonização, recrutamento inflamatório e lise direta. A etapa final da cascata forma o complexo de ataque à membrana, constituído pelos componentes C5b a C9, responsável por produzir poros na membrana de determinados microrganismos. As bactérias do gênero Neisseria, especialmente Neisseria meningitidis, são particularmente vulneráveis a esse mecanismo. Por isso, deficiências dos componentes terminais do complemento, de C5 a C9, estão classicamente associadas a infecções meningocócicas recorrentes. Entre as opções apresentadas, tanto C5 quanto C9 integram essa via; contudo, a deficiência de C5 costuma produzir comprometimento mais amplo da função terminal, pois impede o início da montagem do complexo de ataque à membrana. Além disso, reduz a geração de C5a, importante mediador de quimiotaxia e inflamação. Já a deficiência isolada de C9 pode permitir alguma atividade lítica residual, razão pela qual, quando a questão exige uma única alternativa “mais associada”, C5 é a melhor resposta. Esse conceito é descrito em referências como Robbins & Cotran – Patologia: Bases Patológicas das Doenças, Abbas – Imunologia Celular e Molecular e Harrison – Medicina Interna.
Alternativa A: INCORRETA. A deficiência de C1q compromete a ativação da via clássica do complemento e está mais relacionada ao desenvolvimento de doenças autoimunes, sobretudo manifestações semelhantes ao lúpus eritematoso sistêmico. Embora também possa aumentar o risco de infecções, não apresenta a associação clássica com infecções recorrentes por Neisseria.
Alternativa B: INCORRETA. A deficiência de C2 é uma das deficiências hereditárias do complemento mais frequentes e pode estar relacionada a infecções por bactérias encapsuladas e a doenças autoimunes. Entretanto, a predisposição mais característica para infecções por Neisseria ocorre nas deficiências da via terminal do complemento.
Alternativa C: INCORRETA. O C3 ocupa uma posição central nas três vias de ativação do complemento. Sua deficiência causa prejuízo importante da opsonização, levando a infecções bacterianas recorrentes e graves, principalmente por bactérias encapsuladas, como pneumococos e hemófilos. Apesar de poder aumentar a susceptibilidade global a infecções, não é a deficiência mais especificamente associada a Neisseria.
Alternativa D: CORRETA. O C5 é clivado em C5a e C5b. O C5a atua como potente mediador inflamatório e quimiotático, enquanto o C5b inicia a formação do complexo de ataque à membrana C5b-9. Sua deficiência impede a montagem adequada desse complexo e está fortemente associada a infecções recorrentes ou invasivas por Neisseria, particularmente meningococo.
Alternativa E: INCORRETA. O C9 também faz parte do complexo de ataque à membrana, e sua deficiência realmente aumenta a susceptibilidade a infecções por Neisseria. Contudo, a deficiência isolada de C9 pode preservar alguma capacidade de dano à membrana bacteriana pela formação incompleta do complexo. Assim, diante da necessidade de escolher apenas uma alternativa, a deficiência de C5 representa a associação mais abrangente e funcionalmente mais relevante.
Resposta: Alternativa D
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Um paciente com deficiência em um componente específico do sistema complemento apresenta maior susceptibilidade a infecções bacterianas. Qual dos seguintes componentes, quando deficientes, está MAIS associado a uma susceptibilidade aumentada a infecções por Neisseria?
A
C1q
B
C2
C
C9
D
C3
E
C5
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