A pitiríase rósea é uma condição inflamatória auto-limitada que se manifesta através de pápulas ou placas descamativas espalhadas pela pele.
A pitiríase rósea é mais comumente observada em pessoas com idades entre 10 e 35 anos, com uma incidência ligeiramente maior em mulheres. Embora sua causa exata permaneça incerta, evidências sugerem uma possível associação viral, incluindo o herpesvírus humano 6, 7 e 8. Além disso, certos medicamentos podem ocasionalmente desencadear erupções cutâneas semelhantes à pitiríase rósea.
Etiologia da pitiríase rósea
A etiologia exata da pitiríase rósea ainda não é completamente compreendida, mas várias teorias foram propostas. Embora não exista um consenso definitivo, as possíveis causas incluem:
- Infecção viral
- Resposta imunológica
- Fatores ambientais
- Genética
- Reações medicamentosas
Alguns estudos sugerem uma associação entre a pitiríase rósea e infecções virais, especialmente com o herpesvírus humano tipos 6 e 7.
No entanto, não está claro se esses vírus desempenham um papel causal direto ou se a infecção viral é apenas um gatilho para o desenvolvimento da condição.
Resposta imunológica
Acredita-se que a pitiríase rósea possa ser desencadeada por uma resposta anormal do sistema imunológico a certos estímulos, como:
- Infecções virais
- Estresses ambientais.
Fatores ambientais que contribuem para pitiríase rósea
Alguns fatores ambientais, como:
- Clima
- Exposição ao sol
- Exposição a alérgenos
Podem desempenhar um papel no desenvolvimento dessa doença.
Reações medicamentosas
Certos medicamentos podem desencadear erupções cutâneas semelhantes à pitiríase rósea em algumas pessoas, embora isso seja relativamente raro.
Qual a fisiopatologia da pitiríase rósea?
Na fisiopatologia, a escassez de células da resposta imune inata imediata sugere uma predominância de imunidade mediada por células T.
Há um aumento de células T CD4 e células de Langerhans na derme, sugerindo possivelmente o processamento e apresentação do antígeno viral.
Além disso, foram identificados queratinócitos anti-imunoglobulina M (IgM) em pacientes com pitiríase rósea, o que pode estar associado à fase exantemática da infecção viral.
Manifestações clínicas da pitiríase rósea
A condição muitas vezes começa com uma única lesão maior, conhecida como placa-mãe ou placa heráldica. Esta lesão inicial geralmente aparece no tronco e pode ser precedida por sintomas semelhantes aos da gripe em alguns casos.
Após alguns dias a algumas semanas, pequenas manchas ou pápulas rosadas, avermelhadas ou acastanhadas começam a se desenvolver na pele.
Essas manchas secundárias podem se espalhar pelo tronco, braços, pernas e, às vezes, no pescoço e rosto. As manchas secundárias geralmente assumem um padrão característico em forma de árvore de Natal quando vistas de cima, com uma linha central mais proeminente e ramificações menores.
O prurido pode variar de leve a moderada e nem todas as pessoas afetadas experimentam esse sintoma. Em alguns casos, a coceira pode ser intensa e causar desconforto significativo. À medida que as lesões progridem, pode ocorrer descamação fina sobre as manchas, especialmente quando há prurido.
Como fazer o diagnóstico da pitiríase rósea?
O diagnóstico é fundamentado nos resultados da avaliação física e clínica. Em situações em que o diagnóstico clínico não está tão claro, pode-se optar por realizar uma raspagem de pele ou proceder à biópsia cutânea.
A aparência histopatológica da pitiríase rósea é geralmente inespecífica, revelando um quadro de dermatite inflamatória aguda ou subaguda, com focos de paraqueratose, hiperplasia e espongiose focal na epiderme.
Diagnóstico diferencial da pitiríase rósea
O diagnóstico diferencial mais comum envolve as dermatofitoses e outras infecções fúngicas, confirmadas por meio de microscopia direta, quando disponível.
Assim, em casos de incerteza diagnóstica, pode-se considerar a solicitação de exames sorológicos não treponêmicos, como VDRL, como parte da investigação para diferenciação com a sífilis secundária.
Tratamento da pítiriase rósea
Geralmente, nenhum tratamento específico é necessário, já que a erupção tende a desaparecer em cerca de 5 semanas e recorrências são raras. A exposição à luz solar natural ou artificial pode ajudar a acelerar a cicatrização.
No entanto, em casos de coceira intensa, podem ser utilizados tratamentos antipruriginosos. Sendo comum o uso de corticosteroides tópicos, anti-histamínicos por via oral ou medidas locais, conforme necessário.
Assim, alguns estudos sugerem que o uso de aciclovir, na dose de 800 mg por via oral, cinco vezes ao dia durante sete dias, pode ser benéfico para pacientes que apresentam a doença no início, com manifestações generalizadas ou sintomas semelhantes aos da gripe.
Vale ressaltar que essa doença durante a gravidez, especialmente nas primeiras 15 semanas, está associada a risco aumentado de parto prematuro ou morte fetal.
Deve-se monitorizar mulheres grávidas diagnosticadas com pitiríase rósea de perto e podem receber aciclovir; entretanto, a terapia antiviral não demonstrou reduzir as complicações obstétricas.
Prognóstico da doença
O prognóstico é geralmente excelente, pois a condição é autolimitada e tende a resolver-se espontaneamente dentro de algumas semanas a meses, sem deixar sequelas permanentes.
A maioria dos pacientes experimenta uma melhora gradual dos sintomas ao longo do tempo, com desaparecimento completo das lesões cutâneas.
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Referência bibliográfica
- Miranda SMB, Delmaestro D, Miranda PB, Filgueira AL, Pontes LFS. Pitiríase rósea. An Bras Dermatol. 2008;83(5):461-9.
- Villalon-Gomez JM. Pityriasis Rosea: Diagnosis and Treatment. Am Fam Physician. 2018 Jan 1;97(1):38-44. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29365241/