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Boa leitura.
Introdução: Paracoccidioidomicose
As micoses sistêmicas assumiram grande importância com o advento da aids e de situações de imunodepressão que tornam o hospedeiro bastante suscetível a infecções invasivas, que se disseminam para vários órgãos e tecidos, assumindo características clínicas graves e características epidemiológicas e terapêuticas diferentes das observadas em indivíduo previamente hígido.
Paralelamente, deve-se considerar a relevância de doenças endêmicas em nosso meio, não só pela sua prevalência como pelas suas características de micoses emergentes/reemergentes em várias regiões do país, como a paracoccidioidomicose, bem como por ser importante causa de morbidade e mortalidade em doenças crônicas.
Portanto, é imprescindível o seu conhecimento, além de também considerar as peculiaridades dessas doenças endêmicas quando associadas a infecção por HIV ou qualquer outra condição de imunodepressão.
Definição de Paracoccidioidomicose
Paracoccidioidomicose é uma doença granulomatosa sistêmica causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis (P. brasiliensis), que compromete principalmente pulmões, sistema fagocítico-mononuclear, mucosa, pele e suprarrenais, mas a forma disseminada também pode ocorrer.
A análise de diferentes P. brasiliensis revelou a existência de grande variabilidade genética. Quatro grupos filogenéticos distintos já foram identificados: S1 (com distribuição no Brasil, Argentina, Peru, Paraguai e Venezuela), PS2 (com distribuição no Brasil e Venezuela), PS3 (somente na Colômbia) e Pb01-like (principalmente nos estados de Mato Grosso e Rondônia e no Equador). Os três primeiros grupos filogenéticos são considerados P. brasiliensis e o último é considerado uma nova espécie dentro do gênero, denominada P. lutzii.
VOCÊ SABIA? A doença foi descrita por Lutz, cientista brasileiro, em 1908, e também é conhecida como doença de Lutz-Splendore-Almeida ou blastomicose sul-americana passando a ser denominada, em 1977, paracoccidioidomicose.
Epidemiologia da Paracoccidioidomicose
É a micose endêmica mais comum na América Latina, sendo registrada do México à Argentina, com maior prevalência no Brasil (cerca de 80%), na Colômbia, na Venezuela, na Argentina e no Uruguai. Casos importados foram registrados nos EUA, na Europa e na Ásia. Todos os casos observados em áreas fora da América Central e da América do Sul foram relacionados com a residência prévia na área endêmica.
Vários pesquisadores indicaram que a paracoccidioidomicose é mais prevalente entre trabalhadores rurais envolvidos em agricultura intensiva. A doença humana tem sido atribuída a exposição ao habitat (solo) do fungo através do trabalho agrícola, principalmente através do cultivo de café, algodão e tabaco.
No entanto, esse cenário epidemiológico pode mudar como resultado da evolução das práticas agrícolas, uma vez que o uso de pesticidas e queima de plantas se tornou uma prática comum. O uso do fogo pode elevar significativamente a temperatura do solo, tornando-o inóspito para as espécies de Paracoccidioides. Muitos fungicidas agrícolas são derivados de azóis, o que poderia levar a uma redução nas espécies de Paracoccidioides no meio ambiente.
Um dos aspectos mais peculiares da paracoccidioidomicose é sua distribuição por gênero. Em adultos com a forma crônica, a paracoccidioidomicose é mais prevalente entre os homens entre as idades de 30 e 60 anos.
A proporção média de homens para mulheres é de 13: 1 no Brasil, mas pode chegar a 70: 1 em outros países da América do Sul. Tal distribuição é atribuída a capacidade do estrógeno de inibir a transformação de micélio ou conídios para levedura, protegendo as mulheres adultas do desenvolvimento da doença, mas não da infecção.
É importante notar que a alta proporção de homens e mulheres não é observada em indivíduos pré-pubescentes que podem apresentar a forma aguda / subaguda (juvenil) da doença.
O Brasil é um dos países de maior endemicidade da paracoccidioidomicose, que representa um importante problema de Saúde Pública devido ao seu alto potencial de morbidade e ao número de mortes prematuras que provoca, especialmente entre trabalhadores rurais do sexo masculino.
Uma vez que a doença não é de notificação compulsória em todos os estados, não dispomos de dados precisos sobre sua incidência no Brasil.
Com base em dados estimados de inquéritos epidemiológicos e séries de casos, acredita-se que a incidência da micose em regiões endêmicas varie entre 3 a 4 casos novos por milhão, até 3 a 4 casos novos por 100 mil habitantes ao ano.
Entre 1980 e 1995, 3.181 casos de óbito por paracoccidioidomicose foram registrados no Brasil, caracterizando a maior mortalidade entre as micoses sistêmicas.
Um estudo com 1.000 casos da doença revelou que a região de Ribeirão Preto, em São Paulo, é a de maior prevalência no Brasil, com alta proporção de jovens com formas agudas e subagudas da doença e alta taxa de coinfectados por HIV.
SE LIGA! Embora a doença classicamente se apresente em idades mais avançadas, é provável que a exposição inicial ocorra na infância.
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