Um
dos dilemas enfrentados pelos autores de textos científicos é: onde publicar?
São milhares de periódicos disponíveis, cada qual com suas próprias normas de
publicação, dezenas de ferramentas de indexação, exigências diferentes de cada
residência. Tudo isso torna o processo confuso e cansativo. Durante a escolha,
algumas perguntas podem auxiliar na decisão de onde publicar: essa é uma revista de confiável? Quero ser
lido e citado? Quanto quero pontuar no processo de seleção de residência? Quero
pagar para publicar? Quero que meu artigo seja publicado em uma revista de
acesso aberto ou em uma revista restrita a pagantes? Em quanto tempo quero ser
publicado? |Meu artigo se enquadra na política editorial da revista?
Revistas
confiáveis e de qualidade, normalmente, apresentam no seu site informações
claras sobre sua missão e objetivos. É fácil descobrir quem é o editor e o
corpo editorial. A avaliação é feita por pares e é cega. Está presente em
diversas bases de indexação e apresenta regras claras de como submeter,
ressalta responsabilidades éticas e legais.
Nessa
hora é preciso ter cuidado com periódicos predatórios, isto é, revistas que
possuem baixo cuidado ético, que não fazem análise rigorosa e dispensa
avaliação por pares. Muitos deles cobram pela publicação e não possuem
preocupação nenhuma com a qualidade. As características desses periódicos
incluem ausência de informação sobre editores e corpo editorial, artigos com
péssimos serviços de formatação e edição, ausência de informações quanto a sede
e, também, costumam solicitar artigos através de e-mails, claro, a um pequeno
custo. Ficou em dúvida? O Preda Qualis é um estudo que traz “periódicos
potencialmente predatórios no QUALIS-CAPES” e pode auxiliar nessa avaliação.
Ser
lido e citado é outra prioridade! Afinal, quem não deseja fazer um trabalho
relevante que seja discutido por outros autores? Nessa hora, é útil avaliar o
fator de impacto das revistas, métodos que avaliam o número de citações e a
visibilidade das revistas. É também importante se atentar quanto às bases de
indexação e motores de busca nos quais as revistas estão presentes e quais as
línguas são publicadas pela revista. Recorrendo ao velho clichê: “o inglês é a
língua da ciência”.
Outro
aspecto a se observar é a pontuação nos processos de residência. A indexação no
Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MedLine/PUBMED) é
aceita por todos os processos, já a indexação no LATINDEX costuma não ser
aceita por processos unificados, exceto o de Minas Gerais. As bases de
indexação que costumam ser exigidas envolvem a Biblioteca Eletrônica Científica
Online (SCIELO), a Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde
(LILACS), EMBASE, periódicos CAPES, SciVerse Scopus. Artigos em periódicos
indexados, normalmente valem mais, por isso vale a pena conferir.
Uma
publicação pode pesar no bolso. As revistas podem cobrar pela submissão, pelo
processamento e pela publicação de artigos, com valores que variam de R$ 150 a
R$ 1500, quando se trata de revistas brasileiras, e de $150 a $3500 dólares
para revistas que apresentam impacto no cenário internacional. Mesmo revistas
ligadas a sociedades médicas e universidades públicas podem gerar tais
cobranças.
Deve-se
decidir também entre revistas tradicionais, que costumam cobrar pela
visualização dos artigos e revistas de acesso aberto, isto é, que não cobram
pela leitura das publicações. As revistas de acesso aberto encontram-se
listadas no Diretório de Revistas de Acesso Aberto (DOAJ).
O
tempo de análise também deve ser levado em conta na hora de escolha. Todo mundo
que já publicou na vida sabe como é angustiante aguardar por 6, 10, 12, 15
meses até ter a resposta sobre a publicação. O pior ainda é receber um não
depois de todo esse tempo e ter que voltar para as fichas de catalogação e
resumos para se fazer correções. Além disso, as revistas, muitas vezes, demoram
mais 6 meses até publicar de fato o artigo. Revistas que possuem sistema de
publicação contínua, isto é, aceitou/publicou surgiram para revolucionar esse
abismo. Muitos periódicos também documentam o tempo médio de análise, porém,
isso é exceção, não regra. Vale o bom e velho truque de olhar as datas de
submissão, aceitação e publicação presentes nos artigos anteriores.
Uma
última dica, que deveria ter sido a primeira, é: leia as diretrizes para
autores e confira as políticas editorais das revistas. Não seja rejeitado sem
análise de mérito. Avalie os tipos de artigos, idiomas, número de autores,
regras de referência e formatação. Separe todos os documentos (carta de cessão
de direitos autorais, declaração de conflitos de interesse) e deixe tudo
preparado para quando for submeter. Boa sorte na sua próxima publicação!
Extraído do capítulo: BRITO, J. S.; LUZ, C. A.; ROSA, L. M. Dilemas da
produção científica. In: LUZ, C. A. et al. Escrita
científica em saúde. Goiâna: Editora Kelps, 2020. In press.
Autor: Josué da Silva Brito.