Anúncio

O envelhecimento do sistema imune: Imunossenescência | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Diante da melhoria e os avanços na área da saúde a expectativa de vida aumentou, assim como novos desafios frente a destruir estereótipos relacionados aos idosos como aqueles “velhinhos” sábios e menos ativos, os idoso atualmente tem se mostrado muito ativos e em busca cada vez mais de participação social.

Tomando como norte a máxima exposta, para que se obtenha um envelhecer saudável e com qualidade de vida, é preciso repensar e redesenhar o cuidado ao idoso, com foco nesse indivíduo e em suas particularidades. Saiba mais: https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/envelhecer-no-brasil-a-construcao-de-um-modelo-de-cuidado

Envelhecer faz parte de um processo dinâmico e progressivo, com modificações bioquímicas, psicológicas, morfológicas e funcionais que determinam perda de capacidade de adequação do indivíduo ao meio ambiente ocasionando maior vulnerabilidade. Além de ser caracterizado pela redução da capacidade de adaptação homeostática perante situações de sobrecarga funcional do organismo.

O papel sistema imunológico (SI)

A principal função do sistema imunológico é combater os agentes infecciosos e eliminar células malignas, função desempenhada pela imunidade inata e adaptativa.

De um lado, a imunidade inata em contato com os patógenos atua de maneira rápida e não específica, do outro lado o adaptativo que age de forma mais tardia, apresenta especificidade e memória de longa duração. Além disso, o SI depende do poder de regeneração das células percussoras hematopoiéticas cuja homeostase sofre ameaças constantes.

A senescência do SI

Alterações progressivas ocorrem com a idade, atingindo principalmente a imunidade adaptativa, a qual procura equilíbrio entre a manutenção da homeostase e a adaptação às agressões externas. Assim, o envelhecer do SI está associado ao progressivo declínio da função imunológica que torna o indivíduo mais suscetível a infecções, doenças autoimunes e câncer, além de redução da resposta vacinal.

A Imunossenescência afeta diferentes tipos celulares na medula óssea (MO), no timo, os linfócitos maduros presentes no sangue periférico e nos órgãos linfoides secundários, além dos elementos do sistema imunológico inato (monócitos, células NK-Natural Killer-, e células dendríticas-DCs-) e o adaptativo que é representado pelos linfócitos B e T.

Imagem (1):

Alterações do compartimento de células-tronco hematopoiéticas e células progenitoras linfoides

As células do SI são derivadas das células-tronco hematopoiéticas (HSCs) que proliferam e originam as linhagens linfoide e mieloide. A capacidade geral para renovação dessas células tronco, assim como a quantidade total de tecido hematopoiético na MO, diminui com a idade.

Alterações na imunidade inata- neutrófilos, NK e NKT, fagócitos e DCs.

Os neutrófilos constituem a defesa imune primária contra infecções por bactérias e fungos, desenvolvendo mecanismos microbicidas que incluem a geração de espécies reativas de oxigênio e de nitrogênio, além da liberação de enzimas proteolíticas e peptídeos microbicidas dos grânulos citoplasmáticos presentes nestas células. Várias etapas de resposta deles são afetadas pelo envelhecimento, como as funções de fagocitose e burst oxidativo, o que reduz a capacidade de eliminar bactérias e fungos, e inibe a interação destes com a resposta imune adaptativa. Ademais a quimiotaxia está reduzida nos idosos, sendo que esta alteração pode afetar o tempo dispensado pelo neutrófilo para alcançar o sítio de infecção, facilitando assim a divisão e proliferação bacteriana.

Paralelamente, as células NK (que apresentam citotoxicidade natural e produção de citocinas) aumentam com a idade. Entretanto, as quimiocinas como RANTES, MIP-1ª e IL-8 (interleucina-8) produzidas pela célula NK ativada estão diminuídas, assim como o IFN-y (interferon gama) em resposta ao IL-2. A alta citotoxicidade das NK está associada ao envelhecimento saudável e à longevidade, enquanto a baixa está associada ao aumento de morbidade e mortalidade.

Os monócitos se diferenciam em DCs e macrófagos conforme o tecido em que estejam localizados, como os que estão no baço e sangue periférico, e que respondem ao estímulo inflamatório diferenciando-se nas células apresentadoras de antígenos. O número absoluto de monócitos aumenta com o passar do tempo, contrastando com a diminuição da função dos macrófagos.

O reconhecimento dos componentes microbianos pelos toll-like (TLRs) ativa as vias de transdução de sinais nas células e culmina na elaboração de respostas de citocinas pró-inflamatórias e ativação do IFN tipo I, os quais moldam a resposta imune adaptativa. Pode existir uma desregulação associada à idade na função dos TLRs, que resulta em ativação inapropriada e diminuição da sinalização celular.

As DCs são as principais células apresentadoras de antígenos e são responsáveis pelo início da resposta imune adaptativa. Elas possuem habilidade de interagir com os linfócitos B e T, além das foliculares que são essenciais para a formação de células produtoras de anticorpos. A senescência está associada a uma redução no número de DCs e uma diminuição na habilidade de produzir IL-12. No mais, a diminuição do fator de crescimento GM-CSF nos idosos pode resultar em menor proliferação de DCs.

O processo de envelhecimento é controlado por uma variedade de funções de defesa contra situações de estresse, que agem como um mecanismo de antienvelhecimento. A eficiência deste mecanismo de defesa que inclui enzimas de reparo de DNA, antioxidantes, proteínas de choque térmico e outras proteínas do estresse é geneticamente controlada. A redução na capacidade de defesa contra estes fatores de estresse e o aumento progressivo concomitante no status inflamatório contribuem para um estímulo contínuo do SI, sendo denominado de inflamm-aging.

Alterações na imunidade adaptativa

A posteriori, a resposta imune é mediada por anticorpos produzidos pelos linfócitos B (gerados na MO na ausência de antígeno específico) e T.

A involução do timo marca o declínio funcional das células T, assim como a redução da resposta dos LBs (linfócitos B) pela falta de auxílio pelas células T durante o mecanismo T-dependente, e devido a uma limitação da produção de IL-7 e das moléculas coestimulatórias. Os LTs (linfócitos T) são capazes de sofrer um número limitado de replicações, após o qual eles cessam a divisão, alcançando um estado terminal que é a senescência replicativa.

Na sequência, a secreção de citocinas pelos LTs é essencial para a comunicação célula-célula e a função imune eficiente. Essas células em cultura in vitro apresentam maior produção de duas citocinas pró-inflamatórias, TNF-A and IL-6, que aumenta progressivamente à medida que as células atingem a imunossenescência, sendo que estas duas citocinas estão associadas à fragilidade no idoso. Em seguida, uma segunda alteração importante é a diminuição da secreção da citocina anti-viral IFN-γ pelas células CD8+, que está envolvida com a função citotóxica dessa população celular.

Uma das alterações mais significantes associadas à senescência replicativa de LTs, em cultura de células, é a perda completa e irreversível da expressão da principal molécula de sinalização, o CD28. Este correceptor estimulatório é um componente integrante da sinapse imunobiológica e está envolvido numa variedade de funções do LT, incluindo ativação, proliferação e estabilização dos níveis de RNA mensageiro.

Além disso ocorre desvio do perfil de citocinas de Th1 para Th2 em resposta ao estímulo imunológico. A superprodução de citocinas Th2 poderia aumentar a incidência das doenças autoimunes mediadas por LBs devido ao aumento da produção de anticorpos autorreativos.

Ademais, os efeitos combinados de fatores extrínsecos e intrínsecos levam às principais alterações na função imune com o avançar dos anos, que estão implicados nos efeitos deletérios dos patógenos e no desenvolvimento do câncer nos idosos.

A involução do timo também contribui para a diminuição da liberação de linfócitos T regulatórios (Treg), essa diminuição de Treg aparece após os 50 anos de idade e pode contribuir para fenômenos relacionados ao envelhecimento, como o aumento da inflamação e da autoimunidade.

Inflamação

Uma resposta inflamatória é iniciada em resposta a um trauma ou à infecção, através de um infiltrado celular localizado. As células ativadas como macrófagos e monócitos liberam TNF-A e IL-6 que atuam como mediadores moleculares e são responsáveis pela progressão para uma resposta sistêmica abrangendo múltiplos órgãos. Os leucócitos de indivíduos idosos produzem TNF-A em maior concentração, após indução com lipopolissacarídeos (LPS). Provavelmente, os idosos mantêm um estado inflamatório de baixo grau e uma das causas mais importantes para o seu desenvolvimento é a estimulação antigênica crônica. Algumas moléculas exógenas ou endógenas podem estimular a resposta imune inata, particularmente macrófagos via TLRs, contribuindo assim para manter este estado pró-inflamatório.

Assim, um processo inflamatório crônico ou de baixo grau acompanha o envelhecimento e este pode ser o custo para a manutenção da vigilância imunológica contra patógenos persistentes ou estressores endógenos como células cancerosas.

Conclusão

O envelhecimento abrange a perda progressiva da reserva funcional de cada órgão responsável pela nossa homeostasia (esse estreitamento da reserva funcional é a homeostenose), reduzindo a capacidade de adaptação de todos os sistemas do indivíduo. Assim é de extrema importância, o cuidado com a saúde do idoso tendo em vista essa diminuição da defesa corporal.

Autora: Beatriz Oliveira Correia


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Freitas, Elizabete Viana de. Py, Ligia. Tratado de geriatria e gerontologia. 4ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2018

C. Agondi, Rosana, et al. Imunossenescência. Revista brasileira de alergia e imunopatologia, 2012. (1)

Compartilhe este artigo:

Cursos gratuitos para estudantes de medicina

Anúncio

Minicurso Gratuito

+ Certificado

Fisiologia Celular