O termo “demência”
é utilizado para denominar a degeneração crônica e global das funções
cognitivas. Nesse sentido, em recente publicação da revista online Brain,
foi descrito um novo tipo desse distúrbio, denominado LATE (sigla inglesa para Limbic-predominant
Age-related TDP-43 Encefalopathy), que pode ser confundida com a Doença
Alzheimer – o mais conhecido e prevalente tipo de demência já identificado,
representando cerca de 50% dos casos.
A
sintomatologia inicial das duas doenças supracitadas é muito semelhante. Ambas
as doenças afetam, primariamente, as regiões relacionadas com a memória – mais
especificamente o hipocampo e o sistema límbico. No Alzheimer, o prejuízo a
essas áreas se dá por acúmulo de duas proteínas: a beta-amiloide nos espaços entre
os neurônios (placas amiloides ou neuríticas) e a proteína tau no interior dos
neurônios (enovelados neurofibrilares). A concentração desses acúmulos
proteicos prediz a gravidade do Alzheimer.
Recentemente, em um estudo realizado por Peter Nelson, publicado na revista online Brain em 30 de abril de 2019, observou-se que a gravidade da demência não condizia com a concentração das proteínas citadas, especialmente em pessoas acima de 80 anos. Ao mesmo tempo, notou-se o acúmulo da proteína TDP-43 (Transactive response DNA binding protein of 43 kDa), relacionada desde 2006, em publicação na Science, com a Demência Frontotemporal e com a Esclerose Lateral Amiotrófica.
Esse acúmulo
foi observado em necrópsias de mais de 20% de idosos acima de 80 anos que
apresentavam declínio cognitivo – frequentemente diagnosticados com Alzheimer,
que tem seu pico de diagnóstico entre os 65 e 80 anos. Sendo assim, a LATE
(encefalopatia límbica-predominante relativa à idade, em sua versão traduzida) apresenta-se
em maior proporção nos idosos mais longevos, o que traz novos desafios e
perspectivas para a pesquisa e saúde pública.
Mais do que um diagnóstico diferencial da
demência do tipo Alzheimer, a LATE ajuda a explicar possíveis estagnações.
Segundo James Pickett, da Alzheimer’s Society do Reino Unido, relatou ao
jornal The Telegraph, “essa descoberta nos ajuda a entender por que
alguns testes clínicos recentes para o tratamento do Alzheimer falharam, uma
vez que os participantes podiam ter distúrbios cerebrais ligeiramente
diferentes”.
Desse modo,
enquanto as pesquisas continuam, tanto para confirmação quanto para possíveis
tratamentos, cabe ao médico se balizar pelo que mais recente há de compilados
sobre a “nova” doença. Para a compreensão mais profunda da LATE, cabe a leitura
do guideline
proposto pelo National Institute of Aging.