O Grupo de Trabalho para a Modernização do Farmácia Popular realizou sua segunda reunião em 27 de outubro de 2026 e analisou a viabilidade de incluir monitoramento da pressão arterial, glicemia capilar e avaliação antropométrica no programa.
O Ministério da Saúde realizou na terça-feira, 27 de outubro de 2026, a segunda reunião do Grupo de Trabalho (GT) para a Modernização do Programa Farmácia Popular do Brasil. O encontro, por videoconferência, debateu propostas de expansão dos serviços de saúde voltados ao cuidado e acompanhamento de pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, segundo informou o próprio ministério.
O que mudou
A comissão analisou a viabilidade da adoção de procedimentos que abrangem, inicialmente, três frentes descritas pela pasta:
- monitoramento da pressão arterial;
- aferição da glicemia capilar, que mede a concentração de glicose no sangue por meio de uma pequena gota retirada da ponta do dedo;
- avaliação antropométrica, método que verifica o estado nutricional a partir de medidas de peso e altura.
A discussão também considerou exames como o perfil lipídico e a hemoglobina glicada, que o ministério associa à avaliação do risco de doenças cardiovasculares, como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, afirmou que a modernização busca aproximar o programa das necessidades reais dos cidadãos, para além da dispensação de medicamentos. "Queremos que o programa seja, além de mais moderno, mais próximo do cidadão, para que as pessoas possam não apenas retirar seus medicamentos de uso contínuo, mas também contar com serviços que contribuam para o monitoramento das condições de saúde", declarou.
Segundo a fonte, as discussões levaram em conta as necessidades de saúde da população e os critérios para que os atendimentos sejam feitos com segurança, qualidade e integração com a rede de assistência à saúde.
A reunião teve representantes da sociedade civil, da indústria, do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de integrantes do ministério.
O que isso significa na prática
Por ora, nada muda no fluxo de atendimento. O GT apenas analisou propostas, e o próprio ministério classifica os novos serviços como preliminares. Não há definição sobre quem poderá ser atendido, com que frequência os procedimentos serão ofertados, como será o registro dessas informações nem de onde virá o financiamento.
Para o médico, o acompanhamento relevante neste momento é documental: a fonte não indica qualquer mudança de elegibilidade, de cobertura ou de repasse às farmácias credenciadas. Não há, no material divulgado, cronograma de implantação nem indicação de que os exames citados passem a ser ofertados pelo programa.
O que ainda não está definido
O diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS), Nélio de Aquino, que coordena o grupo, afirmou que as propostas dependem da definição das regras de participação, dos critérios de atendimento, dos mecanismos de acompanhamento e da viabilidade orçamentária.
A fonte também não responde:
- quais públicos serão elegíveis;
- qual será a periodicidade dos atendimentos;
- outros aspectos operacionais em discussão no GT;
- se todos os itens mencionados (incluindo perfil lipídico e hemoglobina glicada) entrarão na versão final;
- datas para a próxima reunião ou para apresentação de proposta consolidada.
Contexto do programa
De acordo com o ministério, o Farmácia Popular está presente em 5 mil municípios em 2026 e alcança 97,1% da população brasileira. De janeiro a setembro deste ano, o programa atendeu 338.908 pessoas. Com mais de 20 anos de atuação, disponibiliza gratuitamente 41 itens de saúde, entre medicamentos para hipertensão, diabetes, asma, doença de Parkinson e glaucoma, além de fraldas geriátricas e absorventes higiênicos. A pasta estima que uma família de quatro pessoas que use medicamentos e insumos do programa possa economizar aproximadamente R$ 8,8 mil por ano.