INTRODUÇÃO
A meningite é um processo inflamatório que ocorre nas meninges cerebrais. Esse processo envolve as duas membranas do cérebro, são elas: pia-máter e aracnoide, e o líquido cefalorraquidiano (LCR). Essa doença pode ter causas infecciosas e não infecciosas. Quando sua etiologia parte de causas oriundas de infecção, deve-se dar maior importância devido a sua gravidade no contexto de saúde pública, pois são causadas por vírus e bactérias, e mais prevalente na população (Sztajnbok et al, 2012). Já as causas não infecciosas podem ser vistas oriundas de substancias químicas ou tumores.
RESUMO
Dentro da subdivisão das meningites, a viral é a de maior incidência nos casos acometidos (e a mais leve), e a bacteriana é temida e conhecida por sua alta mortalidade. Sua incidência na população ocorre principalmente em crianças de regiões de baixa situação econômico-social, mas não se aplica como via de regra. No Brasil, é considerada uma doença endêmica, com surtos esporádicos, onde está sendo observada uma diminuição na taxa de incidência dos últimos anos. Essa doença acomete qualquer idade, mas observa-se prevalência em crianças menores de 5 anos de idade (Sztajnbok et al, 2012). Tem, portanto, como fator desencadeante a colonização bacteriana iniciada na nasofaringe, ocorrendo a replicação dessas bactérias no espaço subaracnóideo, fazendo com que atinja o endotélio cerebral, resultando num processo inflamatório.
Segundo a Revista de Pediatria SOPERJ, esses eventos inflamatórios irão gerar um aumento da pressão intracraniana, redução do fluxo cerebral e perda da autorregulação cerebrovascular. Aliado a isso, sua manifestação clínica pode se apresentar de acordo com a idade e duração da doença, podendo apresentar sintomas inespecíficos, e os mais comuns, são eles: petéquias, púrpura, febre, hipotermia, letargia, vômitos, diarreia, fotofobia, bradicardia, sinais de irritação meníngea, entre outros.
PREVENÇÃO
A forma mais concreta que se tem de prevenção hodiernamente é através da vacinação. De acordo com o Calendário Vacinal do Ministério da Saúde, a proteção contra a Meningite meningocócica tipo C (conjugada) é recomendada em 2 doses, onde a 1ª dose é aos 3 meses e a 2ª dose aos 5 meses, tendo o reforço aos 12 meses de idade. Essa é a única vacina disponibilizada através da Rede Pública de saúde.

Fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-de-vacinacao.
Mas, existe também a vacina ACWY, porém, ainda não é disponibilizada em todas as cidades do Brasil de forma gratuita. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, essa vacina é recomendada para adolescentes entre 11 e 12 anos, pois previne as meningites e as doenças meningocócicas causadas pela bactéria meningococo dos sorogrupos A C, W e Y.
Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – junho de 2021, essa vacina ainda irá entrar no calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS), porém ainda sem data definida, e a mesma já começou a ser aplicada em algumas cidades do Brasil de forma gratuita. Infelizmente, devido ao seu alto custo, não é uma realidade para todas as crianças do nosso País, mesmo sendo comprovada sua eficácia na prevenção dessas doenças.

Fonte:https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23107b-DocCient-Calendario_Vacinacao_2021.pdf
CONCLUSÃO
Portanto, tendo como principal maneira de se prevenir essas doenças, a vacinação mostra-se efetiva e de extrema importância para todas as crianças que tendo a oportunidade, devem se vacinar. A prática da vacinação no Brasil sempre foi vista como algo positivo, pois é de conhecimento geral, sua excelência em prevenção das formas mais graves das doenças, e o SUS se mostra paulatinamente de forma excepcional na oferta dessa vacinação a toda a população. É válido ressaltar essa prática no nosso país, pois não é visto em muitos outros locais isso tudo acontecer, e ainda ofertada de maneira livre a todos.
Com isso, a necessidade de incentivar acerca da vacinação é um dever diário de quem entende sua transcendência, pois, é através dessa, que temos comprovadamente diminuição nos níveis de complicações sérias de muitos casos, onde o desfecho natural da doença poderia chegar e cursar com um óbito, e graças a vacinação das diversas patologias, somos agraciados com a cura, remissão e desfecho positivo em inúmeros casos.
Manter uma caderneta de vacinação atualizada traz muitos benefícios, alguns deles:
- Proteção contra várias doenças imunopreviníveis;
- Incentivo para a população;
- Contribuição para redução e eliminação de doenças;
- Reduzir complicações e gravidade em determinadas comorbidades;
- Reduzir a resistência a antibióticos;
- Custo-benefício da vacinação.
Autora: Beatriz Lobo
Instagram: @beatrizlobo1
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS
- Sztajnbok DCN. Meningite bacteriana aguda. Revista de Pediatria SOPERJ – v. 13, no 2, p72-76 dez 2012
- Neves, Ursula. Calendário do SUS terá nova vacina que previne 4 tipos de meningite. PEBMED. 22 junho de 2021.
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: volume único, 2. ed. 2017. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_volume_2.pdf
- Calendário de vacinação da SBP 2021, documento científico. Departamento de Imunizações e departamento de Infectologia (2019-2021). Atualizado em julho de 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23107b-DocCient-Calendario_Vacinacao_2021.pdf