O cenário da medicina vem mudando consideravelmente ao longo dos anos. De acordo com o estudo da Demografia Médica no Brasil, divulgado em 2020, a medicina tem se tornado cada vez mais jovem e feminina.
Em 1990, as mulheres representavam somente 30% dos médicos. Atualmente, essa realidade é muito diferente. Apesar dos homens ainda estarem em maioria, o número de mulheres na profissão médica está em ascensão contínua.
Atualmente, as mulheres representam 46,6% do total de médicos do país. Se considerarmos o perfil mais jovem, as mulheres já são maioria. São 58,5% de representatividade no perfil de médicos com até 29 anos, e 55,3% naqueles entre 30 e 34 anos.
Em 20220, os estados brasileiros que a presença de mulheres na medicina são maiores são:
- Rio de Janeiro (50,9%)
- Pernambuco (50,2%)
- Alagoas (51,6%)
- São Paulo (46,5%)
Mercado de trabalho para mulheres: quando começou a aumentar a presença feminina?
Segundo o estudo, em 2009, as médicas passaram a ser maioria. Do total de inscritos naquele ano, 50,4% eram mulheres e 49,6%, homens. Em 2019, 21.941 novos médicos fizeram suas inscrições, dos quais 57,5% eram mulheres e 42,5%, homens.
Presença das mulheres nas especialidades médicas
Ao considerar as 55 especialidades, os homens são maioria em 36 delas e as mulheres, em 19. Ou seja, 65,4% das especialidades têm maioria de homens.
A especialidade com maior número de mulheres é a Dermatologia. A com maior número de homens é a Urologia.
Na Dermatologia, elas correspondem a 77,9% dos especialistas. Ou seja, há mais que três mulheres para cada homem nessa especialidade.
Outras especialidades com grande proporção de mulheres são Pediatria (74,4%), Endocrinologia e Metabologia (70,6%) e Alergia e Imunologia (67,4%).
Aumento da presença feminina e as especialidades
O aumento da presença feminina é notável em quatro especialidades:
- Pediatria, elas são três quartos dos profissionais;
- Medicina de Família e Comunidade são 58,7%;
- Ginecologia e Obstetrícia já somam 57,7%;
- Clínica Médica, 53%.
A especialidade com menor presença feminina é a cirurgia geral. As mulheres ocupam apenas um quinto do total.
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Atuação profissional e remuneração
Plantões fazem parte da realidade de trabalho da maioria dos profissionais de medicina. Os plantões médicos são um serviço eventual em horas, geralmente sem expediente, com carga horária máxima de 24 horas contínuas e ininterruptas. Exercido principalmente em hospital, pronto-socorro, unidade de pronto-atendimento ou em outro serviço de saúde.
Segundo a pesquisa, mais de 47% dos profissionais de medicina realizam plantões. Desse total, 62,2% realizam entre um e dois plantões semanais. A distribuição entre homens e mulheres nessa frente de atual é bem homogênea entre as grandes regiões do Brasil.
Ainda conforme o estudo, 44% dos médicos afirmaram, em 2019, ter quatro ou mais trabalhos. Entre as mulheres, 40% têm um ou dois vínculos, e entre os homens são 37,1%.
Remuneração
Em 2020, dos participantes do estudo, 45,9 % ganham mais de R$ 16 mil mensais, e menos de um quinto dos médicos (18,5%) recebe menos de R$ 11 mil por mês.
Um estudo anterior da Demografia Médica do Brasil, divulgado em 2018, alertou para diferença salarial entre homens e mulheres na medicina.
O cálculo dos pesquisadores indicou que 80% das mulheres da área ocupam as três classes de renda inferiores; enquanto 51% dos homens estão nas três faixas mais elevadas de rendimento.
A pesquisa também mostrou que os homens ocupam posições de liderança com mais regularidade do que as mulheres na área médica.
Apesar do aumento significativo de mulheres na medicina, as desigualdades ainda permanecem e elas precisam ser enfrentadas. É preciso investir em ações que viabilizem a inserção feminina na profissão e a evolução profissional independente da especialidade.