Confira um artigo completo que falamos sobre a Epidemiologia do Trauma para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.
Boa leitura!
Introdução e Epidemiologia do Trauma
Ao pensar em trauma, a principal referência é o ATLS (Advanced Trauma Life Support), um manual que sistematiza a sequência de atendimento ao paciente politraumatizado para propor medidas durante a chamada hora de ouro.
Breve histórico
Em 1976, Dr. James K. Styner, cirurgião ortopédico e piloto amador, envolveu-se em um acidente de avião durante um voo na região de Nebraska – EUA.
O acidente resultou na morte da sua esposa, deixando-o com seus quatro filhos, dos quais três estavam gravemente feridos. Quando a equipe de trauma chegou ao local para realizar o atendimento, Dr. Styner percebeu que a equipe estava despreparada e as condutas não obedeciam um padrão adequado.
De volta ao trabalho, Dr. Styner fundou o ATLS. Em 1980, o curso foi aprovado pelo Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões e adotado como modelo de atendimento para todo paciente politraumatizado.
Distribuição trimodal das mortes no trauma
1º período: Mortes imediatas
Este período compreende as mortes que acontecem na cena, ou seja, a forma de preveni-la é evitar o próprio acidente, compreendendo medidas de políticas públicas e educação. A principal causa de morte é a apneia, seja decorrente de lesões cerebrais, medulares ou de grandes vasos.
2º período: Mortes precoces (Hora de ouro)
São as mortes que ocorrem de minutos a horas após o trauma e onde o médico preparado é capaz de intervir priorizando as lesões que matam mais rápido. A principal causa de morte deste período são as perdas sanguíneas (visceral, hemopneumotórax, hematomas epi/subdural).
3º período: Mortes tardias
Por fim, são as que ocorrem dias ou meses após o trauma, geralmente por um quadro de sepse ou falência de múltiplos órgãos– ou seja, o que pode interferir no prognóstico aqui é a qualidade dos grandes centros de referência.
O trauma mata, em média, 9 pessoas por minuto e até 5,8 milhões por ano, geralmente dos 1 a 44 anos, o que faz com que cerca de 12% dos gastos em saúde no mundo sejam voltados para o trauma, excedendo 500 bilhões por ano.
Atendimento inicial ao Politraumatizado
O objetivo do atendimento é prestar suporte médico às vítimas, no intuito de preservar sua vida. Portanto, o atendimento precisa ser ágil, e por isso, é sistematizado na seguinte sequência:
Lembrando que as avaliações primária e secundária devem ser refeitas frequentemente para garantir a identificação e manejo adequado de todas as lesões da vítima.
Preparação
Fase pré-hospitalar
Envolve condutas que seguem um protocolo específico (o PHTLS). Essa fase requer que os socorristas abreviem o máximo a permanência da vítima na cena do trauma e notifique o hospital de destino antes de iniciar o transporte, para que os médicos se preparem.
SE LIGA! Nesse momento, é importante que o socorrista esteja a par de algumas informações da vítima, como documentação, história do trauma, horário e mecanismo, bem como eventos relacionados.
Fase intra-hospitalar
Ela se inicia a partir do momento da notificação dos socorristas, pois consiste em um planejamento antecipado à chegada do paciente por parte da equipe e seu líder. Compreende:
1. Desligar o ar-condicionado da sala de trauma;
2. Promover a proteção da equipe, com máscaras, óculos, luvas e avental impermeável;
3. Área de reanimação;
4. Equipamentos de via aérea (testar todos);
5. Soluções de cristaloides aquecidas;
6. Equipamento para monitorização;
7. Protocolo onda vermelha – Sistema de alarmes localizados na sala de trauma que ao serem acionados emitem sinais nos corredores, centro cirúrgico, laboratório e radiologia para que o politrauma se torne prioridade em todos os setores envolvidos.
Triagem
Importante quando há mais de uma vítima para classificar de acordo com o tratamento necessário e recursos disponíveis e, assim, obter uma ordem de prioridade estabelecida.
Há 2 tipos de situações de triagem:
Múltiplas vítimas
Quando os recursos presentes são suficientes para atender a quantidade total de vítimas e manejar a gravidade das lesões. Nesses casos, a prioridade de atendimento são pacientes com risco de vida iminente ou traumatismos multissistêmicos.