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Introdução alimentar após os 6 meses de idade | Colunistas

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Até os 6 meses a amamentação é super bem explicadinha e incentivada! Mas a introdução alimentar pode ser um terror para a maioria das mães! Começo pelas frutas? Pela papa principal? Coloco sal? Ofereço água? Vem comigo que vou tentar dar um help para você orientar suas pacientes!

Fisiologia:

A partir dos 4 meses de idade os movimentos de protusão da língua começam a diminuir. Esses movimentos fazem o bebê colocar toda a comida para fora da boca. Aos 6 meses de idade esses movimentos estão muitíssimos reduzidos o que facilita o processo de alimentação.

Até o 4º mês de vida, a deglutição é apenas um reflexo. Com o desenvolvimento do seu sistema nervoso central, entre o 5º e 6º mês, o bebê começa a controlar o movimento da deglutição, o que também vai favorecer o processo de alimentação.  

Porém, não ache que as mamães vão fugir da sujeira! Existe a imaturidade do trato gastrointestinal, que traz com ele muito refluxo (haha), além disso existe a necessidade de manipulação dos alimentos pelo bebê.

Sobre o desenvolvimento do sistema gastrointestinal do bebê, é fundamental saber que a imaturidade do esôfago e dos esfíncteres facilita o refluxo do alimento ingerido. Além disso, os bebês também tendem a ter mais facilidade para regurgitar o alimento por conta da altura do estômago, que se encontra mais elevado se comparado ao estômago do adulto. Dessa forma, quando o estômago se encontra cheio, e a pressão torácica aumenta, o conteúdo estomacal tende a se deslocar para o esôfago que é um local de menor pressão.

Quanto a manipulação dos alimentos, é importante encorajar que o bebê tenha contato direto com os alimentos, tocando-os, sentindo suas texturas, cheiros e sabores. Isso ajuda o bebê no seu desenvolvimento sensório motor, bem como aumenta seu interesse pela alimentação.

É importante respeitar o desenvolvimento individual de cada criança, estimulando-a, comendo junto e comemorando suas conquistas.

Existem dois métodos circulando na internet, o método BTW e o BLISS, mas até o presente momento, ambos não demostraram evidências robustas de benefícios na introdução alimentação complementar. Além de possuírem potencial risco de engasgos e asfixias, por isso, sigam as orientações e os posicionamentos da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Açúcar:

Fisiologicamente, os bebês tendem a ter preferência por sabores doces, então CUIDADO para não oferecer apenas alimentos adocicados e acabar viciando o paladar do bebê. Ou seja, evite o açúcar até os 12 meses de idade.

Não preciso nem dizer o quão ABSURDO é colocar refrigerante na mamadeira, né? …Ah, preciso sim! NÃO FAÇA ISSO! Refrigerantes açucarados podem fazer com que a criança tenha cáries precocemente e bem como favorecem a obesidade infantil. Além disso, mesmo os refrigerantes sem açúcar, possuem corantes, que favorecem o escurecimento dos dentes. O corante caramelo, por exemplo, é uma substância pró cancerígena!… (Ufa! Desabafei!)

Passo a passo da introdução:

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria a evolução da alimentação complementar deve gradual. Aumentando a textura dos alimentos de acordo com a maturidade da criança e aparecimento dos dentinhos oferecidos. A textura da alimentação vai seguir a seguinte ordem, papas, alimentação branda (pedaços macios), até chegar a uma alimentação normal, como a alimentação da família.

A pirâmide dos alimentos é composta por uma base de cereais (arroz, tubérculos, batatas, aveia), o segundo andar é dividido frutas e hortaliças.  O terceiro andar é composto por três grupos alimentares, a saber: as proteínas (carnes vermelhas, carnes brancas, peixes, ovos), os laticínios e as leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, soja ou grão de bico). Já o último andar da pirâmide é o grupo das gorduras (azeites, castanhas, óleos) e onde ficam todos os tipos de açúcar e o mel.

Na introdução alimentar é importante saber que até os 12 meses o açúcar e o leite de vaca, devem ser evitados, bem como o mel de abelhas.  Além disso, evite também os alimentos potencialmente alergênicos como frutos do mar e clara de ovo. Dê preferência para frutas e hortaliças orgânicas, sempre que possível, por conta da carga de agrotóxicos!

                Evite horários muito rigorosos, mas também não deixe tão solto. O ideal é ir aproximando as refeições da criança aos horários das refeições da família.

                Exemplo de esquema de introdução de alimentação complementar: No 6º mês deve-se introduzir a papa de frutas e a primeira papa principal. No 7º e 8º mês além das papas de frutas, será introduzida a segunda papa principal. Entre os 9º e 10º meses alterar a consistência dos alimentos. No 12º mês a  criança deve estar consumindo a alimentação da família.

  • Papa de frutas

As frutas devem ser oferecidas em forma de purês, cozidas, raspadas e depois em pedaços, sempre obedecendo ao desenvolvimento neuropsicomotor das crianças.

  • Papa principal

Anteriormente chamada de papa salgada, a papa principal deve conter leguminosas, proteínas, cereais, tubérculos, hortaliças e um fio de azeite crú. Mas calma! Não coloque tudo de uma vez no prato da criança. Na introdução alimentar devemos estar atentos a possíveis alergias alimentares. Por isso, ofereça um alimento de cada vez. Um alimento diferente a cada 5 ou 7 dias. Pouco temperada, sem a necessidade de sal.  

A papa deve ser amassada, mas nada de peneirar nem bater no liquidificador! Conforme a criança for ficando mais velha, a textura da comida vai se aproximando da textura da comida da família.

  • Água

Ofereça água durante as refeições, logo que comece a introdução alimentar complementar.

Amamentação:

A mãe deve continuar amamentando? ÓBVIO! A alimentação complementar, como o próprio nome já diz, complementa, e não substitui o aleitamento materno, que deve continuar até os 24 meses, sempre que possível. Entre as refeições.

Cólicas e outras questões:

Má absorção, intolerâncias alimentares, cólicas e constipações são comuns pela própria Imaturidade das glândulas secretoras e de todo o sistema gastrointestinal. Por isso, acalmem as mamães!!! Às vezes elas tiram tantos alimentos da dieta delas e da dieta dos bebês que acabam provocando problemas nutricionais ainda maiores. Em casos de suspeita de intolerâncias alimentares, procurem um pediatra.

O pâncreas, o fígado também estão se adaptando a produzir cada vez mais enzimas para auxiliar nessa digestão. O intestino ainda está crescendo em extensão, mas ainda está mais permeável que o normal, e a colonização de sua microbiota ainda está ocorrendo. Sua colonização ocorre de forma individual e depende do tipo de parto. Ou seja, tem muita coisa acontecendo no trato gastrointestinal do bebê. Mas é tudo fisiológico, compreensível e esperado.

Conclusão:

É muita coisa, mas dá certo! As crianças são incríveis!

Acompanhe nossas postagens e vamos crescer juntos!

Sabrina Cavalcanti

Aluna de Medicina -UNICEUB, Brasília-DF


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para o profi ssional da saúde na atenção básica. 2ª. ed, Ministério da Saúde, Brasília, 2013.

CIENTÍFICO, Conselho; NOGUEIRA-DE-ALMEIDA, Carlos Alberto. A Alimentação Complementar e o Método BLW (Baby-Led Weaning).

GUYTON, Arthur Clifton. Tratado de fisiologia médica. Elsevier Brasil, 2006.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola/Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 3ª. ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP, 2012

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