Intoxicação por inalação: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
A intoxicação por inalação é o conjunto de sinais e sintomas que surgem pela exposição a substâncias químicas tóxicas para o organismo, como remédios em doses excessivas, picadas de animais venenosos, metais pesados, como chumbo e mercúrio, ou exposição a inseticidas e agrotóxicos.
Muitos tipos de gases, como cloro, fosgênio, dióxido de enxofre, sulfato de hidrogênio, dióxido de nitrogênio e amônia, podem ser liberados repentinamente devido a um acidente industrial e causar intoxicação. Gases como cloro e amoníaco se dissolvem com facilidade e irritam imediatamente a boca, o nariz e a garganta.
Assim, os pulmões são afetadas somente quando o gás é inalado profundamente. Uma exposição doméstica comum ocorre quando a pessoa mistura amoníaco com agentes de limpeza contendo alvejante. Também é muito comum ocorrer exposição ocupacional, levando a intoxicação.
Substâncias comuns na intoxicação por inalação
A intoxicação por inalação pode ocorrer com uma variedade de substâncias, dependendo do ambiente e das circunstâncias. Aqui estão algumas substâncias comuns que podem causar intoxicação por inalação:
- Monóxido de carbono: um gás incolor e inodoro que pode ser produzido por queimadores de gás, veículos e sistemas de aquecimento defeituosos. A exposição a níveis elevados pode causar dores de cabeça, confusão, tontura e, em casos graves, pode ser fatal
- Dióxido de enxofre: um gás irritante gerado por queima de combustíveis fósseis e processos industriais. A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, e problemas respiratórios.
- Óxidos de nitrogênio: gases formados a partir da combustão de combustíveis fósseis e em processos industriais. Podem irritar as vias respiratórias e piorar condições como asma
- Amônia: usada em produtos de limpeza e como fertilizante, a amônia pode irritar os olhos, nariz e garganta, bem como causar tosse e dificuldade respiratória
- Cloro: Um gás utilizado em processos industriais e tratamento de água. A exposição pode causar irritação respiratória, tosse e dificuldade para respirar
- Solventes orgânicos: substâncias como benzeno, tolueno e xileno, presentes em tintas, solventes e produtos de limpeza. Assim, a exposição prolongada pode causar efeitos neurológicos e problemas respiratórios
- Asbestos: fibras minerais usadas em materiais de construção no passado. A inalação pode levar a doenças pulmonares graves, como asbestose e câncer de pulmão
- Fumaça de incêndio: contém uma mistura complexa de produtos químicos, incluindo monóxido de carbono, formaldeído e partículas finas. Pode causar problemas respiratórios e irritação
- Fungos e Bolores: esporos de bolores em ambientes úmidos podem causar reações alérgicas e problemas respiratórios.
Sintomas da intoxicação por inalação
Os sintomas variam muito conforme a substância química na qual a pessoa foi exposta. Todavia, em linhas gerais, podemos observar:
- Respiração rápida
- Tosse
- Frequentemente os olhos da vítima aparecerão irritados
- Obs.: estes são os sintomas gerais, podem variar de acordo com o veneno inalado.
Gases solúveis, como cloro, amoníaco e ácido fluorídrico, produzem queimaduras graves nos olhos, nariz, garganta, traqueia e nas grandes vias aéreas, poucos minutos após a exposição. Além disso, eles costumam causar tosse e sangue na expectoração (hemoptise). Ânsia de vômito e falta de ar são frequentes.
Gases menos solúveis, como dióxido de nitrogênio e ozônio, causam falta de ar, que pode ser grave ao fim de três ou quatro horas e às vezes até 12 horas após a exposição (consulte também Doenças relacionadas à poluição do ar). Com gases menos solúveis, pode haver uma lesão pulmonar de longo prazo com sibilos e falta de ar crônicos.
Diagnóstico da intoxicação por inalação
O diagnóstico é geralmente óbvio a partir da história. Os pacientes devem ser submetidos à radiografia de tórax e à oximetria de pulso. Os achados da radiografia de tórax de consolidação macular ou confluente habitualmente indicam edema pulmonar. Fazem-se espirometrias e testes de volume pulmonar.
As anormalidades obstrutivas são as mais comuns, mas podem predominar anormalidades restritivas depois da exposição a doses elevadas de cloro.
A TC é utilizada para avaliar pacientes com sintomas de desenvolvimento tardio. Assim, aqueles com bronquiolite obliterante que evoluem para insuficiência respiratória manifestam um padrão de espessamento bronquiolar e um mosaico irregular de hiperinflação.

Classificação
A lesão por inalação pode ocorrer em qualquer ponto ao longo das vias respiratórias e pode ser classificada com base na área primária da lesão, como as vias respiratórias superiores, o sistema traqueobrônquico bem como o parênquima pulmonar.
A visualização direta das vias respiratórias ajudará a confirmar o diagnóstico. O Abbreviated Injury Score é uma escala de classificação usada para determinar a gravidade clínica da lesão (1):
- 0. Nenhuma lesão — ausência de depósitos carbonáceos, eritema, edema, broncorreia ou obstrução
- 1. Lesão leve — áreas menores ou irregulares de eritema, depósitos carbonáceos nos brônquios proximais ou distais
- 2. Lesão moderada — grau moderado de eritema, depósitos carbonáceos, broncorreia ou obstrução brônquica
- 3. Lesão grave — inflamação grave com friabilidade, depósitos carbonosos abundantes, broncorreia ou obstrução
- 4. Lesão maciça — evidências de descamação da mucosa, necrose, obliteração endoluminal
Tratamento da intoxicação por inalação
O paciente deve ser removido para ambiente com ar fresco e submetido à suplementação de oxigênio. Dessa forma, o tratamento objetiva garantir a oxigenação adequada e a ventilação alveolar. Broncodilatadores e oxigenioterapia podem ser suficientes nos casos menos graves.
Quando obstrução grave das vias respiratórias com adrenalina racêmica por inalação, intubação endotraqueal ou traqueostomia e ventilação mecânica pode ser necessária.
Prognóstico
Devido ao risco de SDRA, todo paciente com sintomas do trato respiratório após inalação tóxica deve permanecer em observação por 24 h. Não se deve usar rotineiramente doses altas de corticoides para SDRA induzida por lesão por inalação; no entanto, alguns relatos de casos sugerem eficácia na SDRA grave após inalação de fumaça de cloreto de zinco.
Assim, após o tratamento da fase aguda, os médicos devem permanecer atentos ao desenvolvimento de síndrome de disfunção das vias respiratórias reativas, bronquiolite obliterante com ou sem pneumonia organizada, fibrose pulmonar e SDRA de início tardio.
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