A inserção do implante hormonal tem como objetivo uma contracepção reversível de longa ação.
O dispositivo consiste em um pequeno bastonete de plástico flexível, contendo um hormônio progestagênio, que libera continuamente no corpo.
Assim, este método contraceptivo possui eficácia superior aos contraceptivos de curta ação, pois independe da usuária, com taxas de gravidez de menos de 1% ao ano com o uso perfeito e o uso típico.
Além disso, ele oferece uma solução prática para mulheres que desejam evitar a gravidez por um período prolongado sem precisar lembrar de tomar uma pílula contraceptiva diariamente.
Os implantes hormonais atuam inibindo a ovulação e provocando alterações no muco cervical, tornando-o mais espesso. Além disso, atua no endométrio, alterando o revestimento do útero, e tornando-o menos receptivo à implantação de um óvulo fertilizado.
Devido à sua eficácia, conveniência e reversibilidade, os implantes hormonais são uma opção cada vez mais popular entre as mulheres em idade reprodutiva.
Tipos de implante hormonal
Atualmente, no Brasil, apenas um único implante hormonal subdérmico para contracepção está aprovado. Conheça mais sobre ele:
Implante de etonogestrel (Implanon NXT)
O Implanon NXT é um implante de bastonete único que libera etonogestrel, um tipo de progestagênio, ao longo de três anos. Assim, é um dos implantes mais utilizados devido à sua eficácia e facilidade de inserção e remoção.
Assim, ele consiste em um bastão único de aproximadamente 4 cm de comprimento e 2 mm de espessura, contendo 68 mg de etonogestrel, um metabólito biologicamente ativo do desogestrel, encapsulado em uma membrana radiopaca de acetato de etileno vinil. Por ser radiopaco, o implante aparece em radiografias, o que facilita a confirmação de sua posição.
A liberação hormonal prolongada ocorre durante três anos e age na inibição da evolução, alteração do muco cervical e do endométrio.
Contudo, após sua remoção, os níveis séricos tornam-se indetectáveis em menos de sete dias, e a maioria das mulheres apresenta ovulação e pode engravidar dentro de poucos dias após a remoção do implante.
Indicações para inserção de implante hormonal
A inserção do implante hormonal atende mulheres que buscam um método contraceptivo de longa duração e alta eficácia.
Além disso, mulheres que desejam evitar a gravidez por vários anos, têm dificuldade em aderir a métodos contraceptivos diários, ou possuem contraindicações ao uso de estrogênios, presentes em muitos contraceptivos orais combinados, se beneficiam da Inserção de implante hormonal.
Bem como, mulheres em situação de vulnerabilidade, como adolescentes, em situação de rua, usuária de drogas em idade reprodutiva, mulheres com HIV, homens transgêneros adolescentes.
Como Realizar o Procedimento de Inserção de Implante Hormonal?
Preparação do Paciente
A preparação da paciente é importante e se inicia antes da tomada de decisão para inserção de implante hormonal, que deve ocorrer preferencialmente na consulta inicial detalhada para discutir o histórico médico, avaliar contraindicações e explicar o procedimento. Além disso, deve-se elencar os benefícios e os possíveis efeitos colaterais após a inserção.
Desta forma, o médico deve obter o consentimento informado da paciente após uma discussão abrangente sobre o método.
Passo a Passo para inserção do implante hormonal
- Momento ideal: A inserção de implante hormonal deve ocorrer até 5 dias após o início da menstruação, para garantir que não há gravidez. Portanto, para mulheres no período puerperal, o insere-se o implante imediatamente após o parto.
- Seleção do local de inserção: Geralmente coloca-se o implante na face interna da região posteromedial do braço não dominante, abaixo do sulco entre o bíceps e o tríceps, cerca de 8 a 10 cm acima do cotovelo. Esse local oferece discrição e fácil acesso.
- Preparação do local: Com a paciente deitada em decúbito dorsal e com o braço de escolha voltado externamente ao ponto que sua mão fique próxima a cabeça. Após o posicionamento, marca-se o local de escolha para inserção de implante hormonal.
- Antissepsia: Assim, o local é limpo com solução antisséptica, como clorexidina, para evitar complicações por infecção.
- Anestesia: Após o posicionamento e limpeza do local, realiza-se a anestesia por técnica infiltrativa com lidocaína a 1 ou 2%, sendo aplicada em região subdérmica. Assim, é importante garantir que a área esteja completamente anestesiada antes de iniciar o procedimento.
- Inserção do implante: Utilizando-se de um aplicador especial, o implante é inserido sob a pele através de uma pequena incisão. Assim, inicialmente insere-se somente a ponta da agulha, com o lado biselado voltado para cima, realiza a colocação do aplicador em uma posição horizontal e insere delicadamente a agulha em toda sua extensão. Assim, desprende do deslizante empurrando-o para baixo e prossegue com a retirada do aplicador.
- Verificação: Após a inserção, verifica-se a correta inserção de implante hormonal através da palpação. A incisão é então coberta com um curativo estéril e a paciente deve ser instruída a manter o curativo no lugar por 24 horas para reduzir o risco de infecção.
Portanto, o procedimento é rápido e geralmente indolor após a aplicação da anestesia, uma vez que o aplicador é projetado para garantir que o implante seja colocado na profundidade correta.
Orientações e Cuidados Pós-Procedimento
Após a inserção do implante hormonal, a paciente deve ser orientada sobre os cuidados necessários para evitar complicações. Entre as principais recomendações estão:
- Manter o local da inserção limpo e seco: É importante evitar molhar a área nas primeiras 24 horas e, posteriormente, manter a higiene adequada. Contudo, a paciente pode limpar suavemente a área com água e sabão após esse período.
- Observar sinais de infecção: Deve-se instruir a paciente a observar sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, dor persistente ou secreção purulenta, e procurar atendimento médico caso esses sintomas ocorram. Assim, é importante que a paciente saiba que um pequeno hematoma ou dor leve são normais nos primeiros dias.
- Evitar atividades intensas: Recomenda-se evitar atividades físicas intensas com o braço onde foi inserido o implante por alguns dias para permitir uma cicatrização adequada. Portanto, a paciente deve evitar levantar objetos pesados ou praticar exercícios que possam causar trauma ao local da inserção.
Além disso, deve-se agendar uma consulta de retorno para verificar a cicatrização do local de inserção e avaliar a adaptação ao método contraceptivo. Assim, durante essa consulta, deve-se responder a quaisquer perguntas adicionais que a paciente possa ter e garantir que ela esteja confortável com o implante.
Manejo de intercorrências e eventos adversos
Os efeitos colaterais pós inserção de implante hormonal costuma ser manejados de forma ambulatorial. Assim, as mulheres costumam relatar como efeito adverso:
- Mudança no padrão de sangramento menstrual: Corresponde a principal causa para descontinuidade do método. Com isso, deve-se haver aconselhamento adequado sobre os padrões de sangramento.
- Padrões de sangramento Favoráveis: Amenorreia, sangramento infrequente e regular. Desfavoráveis: sangramentos frequente e prolongado são considerados desfavoráveis.
- Cefaleia: Ocorre no final do dia, principalmente nas primeiras seis semanas pós inserção quando a liberação de ENG é mais intensa. Contudo, geralmente melhora com analgésicos comuns.
- Mastalgia: A mastalgia é outra queixa frequente e também é mais comum nas primeiras seis semanas após a inserção do implante. Este sintoma é geralmente bem tolerado e alivia com analgésicos comuns, sem risco de malignidade.
- Ganho de peso: Em um estudo multicêntrico, 12% das mulheres relataram preocupação com ganho de peso. Contudo, o estudo CHOICE mostrou que não houve diferença significativa no ganho de peso entre os métodos contraceptivos de longa duração. Assim, é importante revisar mudanças no estilo de vida e dieta ao avaliar o ganho de peso.
- Acne: O surgimento de acne ocorre em cerca de 11% das pacientes, devido ao efeito neutro sobre a globulina transportadora de hormônios sexuais (SHBG) que o implante de ENG possui, o que pode aumentar os níveis de testosterona livre, resultando em acne. Portanto, o manejo pode incluir espironolactona (100-200 mg/dia) ou acetato de ciproterona (25 mg/dia) por cerca de seis meses.
- Cistos foliculares: Geralmente ocorrem em cerca de 25% das usuárias após 12 meses de uso de implantes de ENG. Esses cistos são benignos e tendem a desaparecer em aproximadamente 12 semanas. Contudo, são geralmente assintomáticos e descobertos incidentalmente, sendo tratados com analgésicos ou AINEs em caso de dor abdominal.
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Sugestão de leitura complementar
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- ‘Chip da beleza’: como funciona, riscos e benefícios do implante hormonal
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Referências bibliográficas
- Machado RB, Monteiro IM, Magalhães J, Guazzelli CA, Brito MB, Lubianca JN, et al. Aspectos atuais dos contraceptivos reversíveis de longa ação. In: Contracepção reversível de longa ação. São Paulo: federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO): 2022.
- UpToDate: Contraception: Etonogestrel implant. 2024
- Watanabe, B. Medeiros, L. Duarte, C. Guia do Episódio de Cuidado: Inserção e retirada de implante contraceptivo subdérmico – Clínicas Einstein. 2022