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Importância do aleitamento materno | Colunistas

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Tipos de aleitamento

A Organização Mundial da Saúde classifica o aleitamento em 5 tipos:

  • Aleitamento materno exclusivo:

Somente leite materno, sem outros líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos.

  • Aleitamento materno predominante

Além do leite materno, recebe água ou bebidas, como chás e sucos.

  • Aleitamento materno

Quando recebe aleitamento materno (da mama ou ordenhado) independente de receber ou não outros alimentos

  • Aleitamento materno complementado

Recebem, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de complementar, e não de substituir. Podem receber outros tipos de leite, mas eles não serão considerados alimentos complementares.

  • Aleitamento materno misto ou parcial

Recebe leite materno e outros tipos de leite

Orientações sobre o tempo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno exclusivo por seis meses e complementado até dois anos ou mais. Diversos são os motivos para tais recomendações, como:

  • Antes dos seis meses, o leite materno é capaz de suprir todas as necessidades. 
  • Os bebês já nascem com níveis de hidratação tecidual relativamente altos;
  • As reservas de ferro da criança que recebe leite materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida já atendem às necessidades fisiológicas. Entre os quatro e seis meses, ocorre gradualmente o esgotamento das reservas de ferro e a alimentação passa a ter um papel predominante no atendimento das necessidades do ferro;
  • No sexto mês, a criança já desenvolveu os reflexos necessários para a deglutição, como o reflexo lingual, já manifesta excitação à visão do alimento, já sustenta a cabeça, facilitando a alimentação oferecida por colher, e tem o início da erupção dos primeiros dentes, o que facilita a mastigação;
  • A partir do sexto mês, a criança desenvolve mais o paladar e começa a estabelecer preferências alimentares;
  • Até os quatro meses, a criança ainda não atingiu o desenvolvimento fisiológico necessário para alimentos sólidos;
  • Com a aproximação do sexto mês, o grau de tolerância gastrointestinal e a capacidade de absorção de nutrientes melhoram e, por isso, a criança vai se adaptando para uma alimentação mais variada quanto à consistência e textura;

Benefícios do aleitamento materno

  • Saciedade: A concentração de gordura no leite aumenta no decorrer de uma mamada. Assim, o leite no final da mamada, chamado de leite posterior, é mais rico em energia e sacia melhor a criança. Os outros tipos de leite não têm essa mudança de composição.
  • Proteção: somente o leite materno é capaz de proteger os bebês contra infecções, alergias e doenças crônicas no futuro, pois possuem anticorpos maternos. Além de proteger as mães do câncer de mama
  • Diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes: os indivíduos amamentados apresentaram pressões sistólica e diastólica mais baixas (-1,2mmHg e -0,5mmHg, respectivamente), níveis menores de colesterol total (-0,18mmol/L) e risco 37% menor de apresentar diabetes tipo 2
  • Reduz a chance de obesidade
  • Efeito positivo na inteligência: contribui para o desenvolvimento cognitivo
  • Melhor desenvolvimento da cavidade bucal
  • Promove o vínculo afetivo entre mãe e filho

A amamentação e o câncer de mama

Uma pesquisa feita no Centro de Câncer da Universidade do Texas mostrou que amamentar reduz o risco de desenvolver câncer de mama pré e pós menopausa, e amamentar mais do que os seis meses recomendados pode fornecer maior proteção. Com a amamentação, as lactantes convivem com mudanças hormonais, as quais acarretam em um atraso da menstruação, diminuindo a exposição da mulher a hormônios como o estrogênio, que pode promover o crescimento de células de câncer de mama. As mudanças hormonais também impedem a ovulação, diminuindo ainda mais a exposição ao estrogênio e evitando o câncer de ovário

Outro fator favorável é que na gravidez e na lactação há o derrame do tecido das mamas. E esse derrame renova células com potencial de dano no DNA, reduzindo as chances de desenvolver câncer de mama

O estudo mostrou que mulheres que amamentam por mais de 13 meses são 63% menos propensas a desenvolver câncer de ovário do que as mulheres que amamentaram por menos de sete meses

Contraindicação do aleitamento materno

  • Mães infectadas pelo HIV
  • Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2
  • Uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação
  • Criança portadora de galactosemia

Técnicas de amamentação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca quatro pontos importantes para o posicionamento e pega adequados:

Posicionamento:

  • rosto do bebê de frente para a mama, com nariz na altura do mamilo;
  • corpo do bebê próximo ao da mãe;
  • bebê com cabeça e tronco alinhados (pescoço não torcido)
  • bebê bem apoiado

Pega adequada:

  • mais aréola visível acima da boca do bebê
  • boca bem aberta;
  • lábio inferior virado para fora;
  • queixo tocando a mama

Alguns sinais são indicativos de técnica inadequada, como:

  • Bochechas do bebê encovadas a cada sucção;
  • Ruídos da língua;
  • Mama aparentando estar esticada ou deformada durante a mamada;
  • Mamilos com estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas ou achatadas quando o bebê solta a mama;
  • Dor na amamentação

Autora: Victoria Carvalho

Instagram: @victoriacarvalho__


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar – https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf

A amamentação reduz o risco de câncer de mama – Breastfeeding lowers your breast cancer risk | MD Anderson Cancer Center

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