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Impactos sociais e psicológicos provocados pela COVID-19 no Brasil | Colunistas

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Um velho conhecido?

2019 estava nos mostrando que acabaria tal como os outros anos: cheio de luzes, fogos e muitas festas. Entretanto, no final de dezembro, a China comunica à Organização Mundial da Saúde (OMS) que havia encontrado uma nova doença causada por um certo tipo de coronavírus, que cursava com desconfortos respiratórios e até mesmo síndromes mais graves em seres humanos. 

E assim, começou a pandemia que dura até os dias de hoje. Na época, a OMS informou que ainda era cedo para decretar estados de emergência, declarando a pandemia apenas no dia 11 de março de 2020. Mas, desde o momento em que os boatos e as notícias começaram a alcançar outros continentes, inúmeros impactos começavam a vir à tona na sociedade, especialmente na brasileira.

A pandemia no Brasil

O ano de 2020 no Brasil aparentava ser promissor: com os bloquinhos de carnaval ocorrendo e inúmeras pessoas aglomeradas festejando nas diversas capitais do país. Mas nem tudo aparentava seguir normalmente. A discussão sobre o novo coronavírus já começava a tomar não só as redes sociais, como também os diversos ambientes públicos: escolas, faculdades e instituições.

Foi no dia 12 de março, na capital paulista, que ocorreu a primeira morte confirmada pela COVID-19, de uma mulher com 57 anos. A partir deste mês, tudo mudaria no país. E inúmeros impactos cursariam concomitantemente com o aumento dos casos e dos números.

Os impactos sociais e a saúde mental

É evidente que a COVID-19 trouxe inúmeros desafios para todos, que vão bem além dos sanitários. Desde socioeconômicos, culturais, até mesmo políticos, científicos e éticos, que acabaram ficando ainda mais evidentes devido às grandes desigualdades presentes na sociedade brasileira.

Boa parte da população não dispõe de boas condições de moradia e saneamento básico, inúmeras famílias são superlotadas e possuem dificuldades em acessar recursos básicos como postos de saúde e água potável; todos estes fatores associados promovem uma maior vulnerabilidade por si só. Agora, num cenário nacional onde a COVID-19 está bem estabelecida, torna-se ainda mais prejudiciais os impactos que estas populações sofrem.

Com as inúmeras mudanças que vieram com a pandemia, tais como a adoção do home-office, o isolamento social e toda a alteração na rotina de inúmeras famílias, o fator mental começou a ser fortemente requirido, e também, impactado. 

Em 2020, uma pesquisa foi realizada para avaliar o comportamento de 45 mil adultos aproximadamente de diferentes regiões no país. E foi evidenciado que 53% destes participantes sentiram-se nervosos ou ansiosos e 40% se sentiram deprimidos ou tristes na maior parte do tempo durante a pandemia. Mais do que isso, este estudo também revelou um aumento na ingestão de bebidas alcóolicas (18% dos participantes), permitindo a associação com a porcentagem dos que se sentiam deprimidos ou tristes.

O desafio da gestão e do cuidado em saúde mental é um dos maiores atualmente, seja no acesso ao cuidado, seja na continuidade deste. Esta dificuldade pode ser relacionada ao fato de que o foco fica direcionado à atenção dos serviços físicos e no combate do agente patogênico, em cenários pandêmicos. A perspectiva da saúde mental não deve ser deixada de lado, nem muito menos negligenciada, por conta deste momento ser um dos mais propícios para emergências ou quadros graves do sofrimento psíquico.

Outras populações que já eram excluídas, beiram à invisibilidade neste cenário de pandemia. Moradores de rua, privados de liberdade, migrantes e refugiados necessitam também de um cuidado especial no tocante da saúde mental, por estarem sujeitos a inúmeros impactos à sua saúde. Seus direitos já são dificilmente garantidos, por apresentarem um estado de vulnerabilidade alto. 

Uma das principais soluções para todo este cenário caótico é relembrar dos princípios que constituem o Sistema Único de Saúde, o SUS: a universalidade, a equidade e a integralidade. Estes princípios que foram conquistados com inúmeras propostas da reforma sanitária auxiliam na aquisição e na garantia do acesso a todas as pessoas presentes no território nacional: seja às ações, seja aos serviços de saúde. Através de uma perspectiva interdisciplinar, que abarca inúmeras perspectivas sobre um mesmo assunto, permitindo um maior nível de inter-relacionamento, que será possível alcançar estes princípios e colocar de fato em prática.

Neste sentido, as equipes de saúde devem e precisam ser constituídas por profissionais da saúde mental (psicólogos, psiquiatras e enfermeiros), para atenderem estas demandas que vêm crescendo exponencialmente. Através deste cuidado, será possível a promoção da real dignidade humana em seus domicílios e espaços que ocupam; e não o encarceramento ou confinamento que a pandemia está impondo a muitos. Entretanto, o caminho é longo e difícil até alcançar um mundo ideal, o subfinanciamento está presente e se mostrando como uma das grandes barreiras a serem superadas pelas gestões em saúde, e que é enfrentando desde a criação do SUS, há cerca de trinta anos.

Marco Aurélio Ferreira Farnezi

Instagram: @estetosferico


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

MATTA, G.C., REGO, S., SOUTO, E.P., and SEGATA, J., eds. Os impactos sociais da Covid-19 no Brasil: populações vulnerabilizadas e respostas à pandemia [online]. Rio de Janeiro: Observatório Covid 19; Editora FIOCRUZ, 2021, 221 p. Informação para ação na Covid-19 series. ISBN: 978-65-5708-032-0. https://doi.org/10.7476/9786557080320.

Marques, Ana Lucia Marinho et al. O impacto da Covid-19 em grupos marginalizados: contribuições da interseccionalidade como perspectiva teórico-política. Interface – Comunicação, Saúde, Educação [online]. 2021, v. 25, suppl 1 , e200712. Disponível em: . Epub 17 Maio 2021. ISSN 1807-5762. https://doi.org/10.1590/Interface.200712.

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