É amplamente conhecido que existe impactos da prática de exercícios no risco cardiovascular global. O papel do exercício físico na prevenção das doenças cardiovasculares é unanimemente reconhecido. Ainda que seu paciente sofra de doença cardiovascular, a atividade física regular continua a ter um papel essencial como tratamento, fazendo parte de uma terapêutica multifacetada – que inclui a cessação do fumo, redução dos níveis de colesterol, manutenção do peso e controle da tensão arterial.
Como a prática de atividade física pode contribuir para tal? Ela pode fortalecer o músculo cardíaco, além de reduzir a pressão arterial e ajudar no controle lipídico (essencial para diminuição do risco cardiovascular): aumentar os níveis de HDL (colesterol bom), diminuindo os níveis de LDL (colesterol ruim) e a melhora na circulação sanguínea.
Mortalidade Cardiovascular no Brasil
A mortalidade por doenças cardiovasculares ainda é um problema no Brasil. Estudos epidemiológicos vêm demonstrando que o índice de mortalidade por doenças do sistema circulatório tem assumido importância crescente.
Em todo o Brasil, cerca de 14 milhões de pessoas apresentam alguma doença cardiovascular e, pelo menos, 400 mil morrem por ano, o que corresponde a cerca de 30% das mortes de brasileiros.
O Sudeste é a região do país com maior número de mortes por enfermidades do coração. Atualmente, São Paulo é o estado com mais óbitos por doenças cardiovasculares, são 59.728 registradas até o dia 28 de setembro. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 24.544, e Minas Gerais, com 22.348 mortes.
O que as evidências falam sobre isso?
Estudos demonstraram que sedentários apresentam o dobro do risco para desenvolver evento coronariano quando comparados aos fisicamente ativos. A prática de atividade física, ou mesmo um estilo de vida mais ativo, tem demonstrado ser um meio de proteção contra ocorrências de doenças cardiovasculares. Reduzindo não só a mortalidade cardiovascular, mas também a mortalidade por todas as causas.
Evidências nesse sentido surgiram a partir da década de 1959, sendo definitivamente comprovadas na década de 1990. Concluiu-se que a baixa atividade física, tanto avaliada no ambiente de trabalho, como a que foi observada nas horas de lazer, conferiu risco relativo próximo de 2 para o desenvolvimento de doença coronariana em homens.
Estudos mais recentes, incluindo uma metanálise de 23 grandes estudos observacionais do tipo coorte, reafirmou a relação entre o decréscimo de risco de doença coronária e cardiovascular com o aumento da quantidade de atividade física realizada.
A coorte conhecida por Nurses Health Study gerou vários estudos sobre estilo de vida, confirmando que a atividade física está associada à redução da mortalidade cardiovascular em mulheres. O acompanhamento de 84 mil enfermeiras por 14 anos definiu ter baixo risco de doença coronariana as praticantes de atividade física moderada ou vigorosa por pelos menos 30 minutos por dia.
Já homens finlandeses com maior nível de atividade física ou capacidade aeróbica tiveram associação forte, gradual e inversa ao risco de infarto agudo do miocárdio. Homens que se exercitavam por mais de 2,2h por semana tiveram seu risco reduzido em cerca de 70% quando comparados com os menos ativos.
Prevenção primária e secund´´aria da doença cardiovascular
Diversos estudos têm evidenciado associação entre a inatividade e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares; a mais importante é, sem dúvida, a doença coronariana. Outros estudos sugerem que a atividade física previne as manifestações clínicas dessa doença.
Dessa maneira, a atividade física, relacionado a prática de exercícios no risco cardiovascular global, pode ser utilizada tanto na prevenção do aparecimento das doenças cardiovasculares em indivíduos que têm um ou mais fatores de risco – prevenção primária – como também na prevenção das manifestações clínicas dessas doenças em pacientes cardiopatas – prevenção secundária.
A reabilitação é o processo pelo qual a pessoa retorna a estado ótimo físico, social, emocional, psicológico e ocupacional após algum evento patológico cardiovascular. Até a década de 60-70, o exercício, como conduta terapêutica, era pouco utilizado no processo de reabilitação.
Sedentarismo e doenças do coração
O sedentarismo é importante fator de risco cardíaco e para a doença coronariana. Em conjunto, os estudos sugerem que a inatividade física em si, duplica o risco de doença coronariana, um efeito similar em magnitude ao do tabagismo, da hipertensão arterial ou do colesterol elevado.
E pensar que até 1992 a American Heart Association não incluía a inatividade física na sua lista dos “principais fatores de risco que podem ser alterados”. Não há desculpa, nos últimos 25 anos só falamos dos benefícios da atividade física.
Referências
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Perguntas Frequentes
- Quem tem doença cardiovascular pode realizar exercícios físicos?
Sim, funciona inclusive como uma prevenção secundária.
2. Como o exercício colabora com a melhora do risco cardiovascular?
Ela pode fortalecer o músculo cardíaco, além de reduzir a pressão arterial e ajudar no controle lipídico (essencial para diminuição do risco cardiovascular): aumentar os níveis de HDL (colesterol bom), diminuindo os níveis de LDL (colesterol ruim) e a melhora na circulação sanguínea.
3. Não fazer atividade física pode trazer malefícios?
A baixa atividade física conferiu risco relativo próximo de 2 para o desenvolvimento de doença coronariana em homens.
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