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Hormônio Luteinizante: relevância clínica, interpretação laboratorial e aplicações terapêuticas

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O hormônio luteinizante (LH) é uma glicoproteína secretada juntamente com o hormônio folículo-estimulante (FSH) pelas células gonadotróficas da adeno-hipófise, também conhecida como hipófise anterior.

Ele integra o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, um sistema neurológico no qual sua liberação é estimulada pelo hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) e inibida por estrogênio nas mulheres e por testosterona nos homens.

O LH exerce funções distintas em homens e mulheres. Em ambos os sexos, participa da maturação das células germinativas primordiais.

Nos homens, o LH estimula as células de Leydig nos testículos a produzirem testosterona. Nas mulheres, por sua vez, promove a síntese de hormônios esteroides pelos ovários, além de ter papel essencial na regulação do ciclo menstrual, especialmente nos processos de ovulação e implantação do óvulo no útero.

Portanto, o hormônio luteinizante é fundamental na avaliação de distúrbios hormonais e reprodutivos. Sua dosagem auxilia no diagnóstico de condições como síndrome dos ovários policísticos, amenorreia, hipogonadismo e disfunções puberais.

Fisiologia do Hormônio Luteinizante

O hormônio luteinizante (LH) é uma glicoproteína produzida pelas células gonadotróficas da adeno-hipófise. Essas células, que representam cerca de 10% a 15% da massa funcional da hipófise anterior, possuem estrutura celular especializada com complexo de Golgi e retículo endoplasmático bem desenvolvidos.

A liberação do LH é regulada pelo GnRH, secretado pelo hipotálamo de forma pulsátil, e sofre inibição pelo estrogênio nas mulheres e pela testosterona nos homens, em um sistema de feedback negativo.

Ademais, neurotransmissores como dopamina, serotonina e norepinefrina participam da regulação da liberação de GnRH e, indiretamente, do LH.

Hormônio luteinizante ao longo do desenvolvimento

No desenvolvimento fetal masculino, o hCG inicialmente regula a produção de testosterona pelas células de Leydig, mas essa função passa ao LH entre a 15ª e a 20ª semana de gestação. Já nas fetos femininos, o LH tem pouca atuação, pois o ovário não expressa seus receptores até a 16ª semana.

Após o nascimento, há um pico transitório nos níveis de LH devido à queda dos estrogênios maternos, seguido de uma redução que mantém-se até a puberdade.

Com a aproximação da puberdade, os níveis de LH diminui, sendo liberado inicialmente à noite e, posteriormente, em pulsos diurnos, o que estimula a produção de esteroides sexuais e promovendo a maturação sexual.

Função do hormônio luteinizante nos adultos

O LH atua diretamente nos sistemas nervoso central e reprodutivo. No homem, ele estimula as células de Leydig a produzirem testosterona.

Na mulher, por sua vez, o LH induz a produção de esteroides ovarianos, promove a ovulação e a secreção de progesterona pelo corpo lúteo. Além disso, durante a ovulação, a ação coordenada do LH e do FSH resulta na produção de estradiol e no “pico de LH”, que desencadeia a liberação do óvulo.

Mecanismo de ação do hormônio luteinizante

O mecanismo de ação do LH envolve sua ligação a receptores acoplados à proteína G, ativando a adenilil ciclase e aumentando os níveis de AMP cíclico. Esse segundo mensageiro ativa a proteína quinase A (PKA), que fosforila proteínas-alvo, resultando em respostas celulares como a produção de esteroides e a ovulação.

Interpretação laboratorial do hormônio Luteinizante

A análise dos níveis de LH deve sempre considerar a fase do ciclo menstrual em que o exame foi realizado, pois seus valores variam naturalmente ao longo do ciclo. Além disso, é preciso considerar os valores de referência de cada laboratório.

Entretanto, em linhas gerais, espera-se que os níveis:

  • Estejam entre 1,8 e 11,78 mUI/mL durante a fase folicular (até o 14º dia do ciclo);
  • Aumentem consideravelmente no período ovulatório (14º dia), podendo alcançar até 89,08 mUI/mL;
  • Diminuam novamente na fase lútea (entre 15º dia e a menstruação), ficando entr 0,56 e 14 mUI/mL;
  • Em mulheres na menopausa, os níveis tendem a permanecer elevados, variando entre 5,16 e 61,99 mUI/mL.

No que se refere a interpretação, níveis baixos de LH podem sugerir Falhas no funcionamento do hipotálamo ou da hipófise, estruturas cerebrais responsáveis pela regulação hormonal.

Já quando os níveis de LH estão elevados, é fundamental considerar o momento do ciclo em que o exame foi feito. Caso tenha sido na fase inicial (entre o terceiro e o quinto dia do ciclo), valores muito altos podem apontar para alterações ovarianas ou para um possível início do climatério, indicando que o corpo está se aproximando da menopausa.

Relevância clínica e aplicações terapêuticas do hormônio luteinizante

Como já mencionado, o hormônio luteinizante desempenha um papel fundamental na regulação da função gonadal em homens e mulheres. Atua diretamente nas gônadas, promovendo a produção de esteroides sexuais e contribuindo para processos como a ovulação, a formação do corpo lúteo e a espermatogênese.

Por sua importância no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, alterações nos níveis de LH, tanto por excesso quanto por deficiência, associam-se a diversas condições clínicas, incluindo infertilidade, disfunções hormonais e distúrbios puberais.

Portanto, a avaliação laboratorial do LH, associada a outros marcadores, é essencial para o diagnóstico e a conduta terapêutica nessas situações.

Disfunção testicular na doença renal crônica (DRC)

Na DRC avançada, é comum a presença de sinais como diminuição da libido, disfunção erétil e atrofia testicular, todos indicativos de disfunção testicular. Nestes pacientes, a produção e os níveis plasmáticos de testosterona são frequentemente reduzidos, assim como a espermatogênese. Além disso, após o transplante renal, essas alterações hormonais podem se normalizar.

Estudos revelam que essa disfunção associa-se a uma secreção desordenada de LH: embora seus níveis plasmáticos estejam elevados, os pulsos de liberação são menos frequentes.

Como o estímulo pulsátil é essencial para a ação adequada do LH nos testículos, essa irregularidade compromete a função testicular. Além disso, níveis constantemente altos de LH podem provocar uma diminuição dos receptores de gonadotrofina nos testículos, agravando a disfunção.

LH e infertilidade feminina – uso em tecnologias de reprodução assistida

A infertilidade feminina pode resultar de diversos fatores, incluindo distúrbios ovulatórios. A ação conjunta de FSH e LH é essencial para o crescimento folicular e a ovulação, processos fundamentais nas tecnologias de reprodução assistida (TRAs).

Pacientes com baixos níveis de LH, como aquelas com hipogonadismo hipogonadotrófico, podem ter melhores resultados com a adição de LH exógeno durante a TRA. Portanto, suplementar LH na fase folicular média demonstrou aumentar os níveis de estradiol e melhorar as taxas de gravidez, fertilização e implantação em algumas mulheres, especialmente em não responsivas a protocolos convencionais.

Contudo, o excesso de LH também pode ser prejudicial. Altos níveis antes da ovulação podem causar luteinização precoce dos folículos e atresia, prejudicando a concepção e a implantação.

Hipogonadismo hipogonadotrófico em homens

Esse tipo de hipogonadismo decorre de alterações na sinalização do GnRH no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em secreção insuficiente de FSH e LH. Consequentemente, há queda na produção de testosterona e prejuízo da espermatogênese.

Clinicamente, os pacientes podem apresentar baixa libido, disfunção erétil, atraso na puberdade e alterações emocionais.

Portanto, a terapia com hormônios pulsáteis (GnRH, FSH e LH ou hCG) pode estimular a produção de espermatozoides. Ainda assim, muitos casais necessitam de técnicas de reprodução assistida para alcançar a concepção.

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O hormônio luteinizante (LH) é muito mais do que um marcador da ovulação. Ele é peça-chave na avaliação de disfunções hormonais, fertilidade, distúrbios gonadais e até no acompanhamento de terapias reprodutivas.

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