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Xantomatose e dieta carnívora: o que os médicos precisam saber?

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Saiba neste artigo tudo que você precisa saber sobre xantomatose e dieta carnívora e entenda o caso do paciente que “vazou” colesterol.

A dieta carnívora tem ganhado popularidade entre aqueles que buscam uma alimentação extremamente restritiva com a intenção de perder peso.

Recentemente, um caso clínico chamou a atenção ao relatar um homem que, após aderir à dieta carnívora, começou a apresentar eliminação visível de colesterol pelas mãos. Assim, esse fenômeno raro levanta questionamentos sobre os efeitos da dieta no metabolismo lipídico, a relação entre hipercolesterolemia extrema e manifestações dermatológicas, além dos possíveis riscos a longo prazo.

Desse modo, o objetivo deste artigo é te orientar sobre os mecanismos fisiopatológicos que podem estar envolvidos nesse caso, os impactos da dieta carnívora e como essa condição deve ser abordada na prática clínica. Acompanhe!

O que é xantomatose?

A xantomatose é um termo geral usado para descrever um grupo de doenças causadas por alterações no metabolismo das gorduras, especialmente do colesterol. Nesses casos, o excesso de colesterol no sangue se acumula em certas regiões do corpo, formando nódulos amarelados chamados xantomas. 

Esses depósitos podem aparecer na pele, tendões, articulações e até em órgãos internos, sendo um sinal de que há um desequilíbrio nos lipídios do organismo. Desse modo, a condição está frequentemente associada a dislipidemias, como hipercolesterolemia familiar, e pode indicar um maior risco de problemas cardiovasculares.

Xantelasma

A xantelasma é um tipo comum de xantomatose. Embora o xantelasma possa estar associado a dislipidemias, nem sempre indica um distúrbio grave do metabolismo lipídico.

Desse modo, diferente de outros tipos de xantomatose, que podem afetar órgãos internos e tecidos profundos, o xantelasma é uma manifestação cutânea superficial e, muitas vezes, de preocupação estética. 

Como funciona a dieta carnívora?

A dieta carnívora é feita com base no consumo exclusivo de carne bovina, aves, lactíneos como manteiga e queijos, peixes, carne de porco. Desse modo, dentro desse dieta evita-se comer frutas, vegetais, cereais, sementes e semelhantes.

Possíveis benefícios

Alguns dos benefícios da dieta carnívora ou “dieta da carne”, é o controle dos níveis de açúcar no sangue, o ganho de massa muscular e até mesmo o emagrecimento.

Possíveis riscos

O consumo prolongado dessa dieta pode ocasionar não só em doenças cardiovasculares, como também xantomase, pedras nos rins e prisão de ventre.

O que dizem as evidências científicas?

Embora seus defensores aleguem benefícios como a perda de peso e a melhora em marcadores inflamatórios, os impactos metabólicos dessa abordagem ainda são pouco compreendidos pela comunidade científica.

Caso clínico

De acordo com a revista científica Jama Cardiology, o paciente é um homem, na faixa dos 40 anos. Ele encontrava-se em um histórico de 3 semanas com nódulos amarelados assintomáticos nas regiões das palmas das mãos, solas dos pés, além dos cotovelos.

A dieta consistia em alta ingestão de gordura, consistindo de 6 a 9 libras (que corresponde a 2,5kg a 4kg) de queijo, manteiga, gordura adicional em hambúgueres e mais, Além disso, o paciente alegou que a adoção da dieta estava em vigor por aproximadamente 8 meses. 

Assim, foi identificado que o nível de colesterou do paciente ultrapassu de 1000 mg/dl, sendo 210 a 300 mg/dl o nível basal para resultados do exame. 

Desse modo, o paciente recebeu o diagnóstico,pela equipe médica, de xantelasma.

Paciente diagnosticado com xantelasma.

Impacto da dieta carnívora para o paciente

Essa dieta possui diversos riscos que podem ocasionar em grandes preocupações para os pacientes. Desse modo, essas preocupações podem variar de condições graves como doenças cardiovasculares, até a condições voltadas à estética. 

É fundamental o papel do médico em orientar o paciente para os possíveis riscos e benefícios.

Como orientar o paciente?

Para orientar corretamente o paciente e compreender sua condição, é importante realizar algumas perguntas que vão contribuir com o dignóstico e entendimento da gravidade do paciente. Confira algumas delas.

Caso clínico

  • Qual é o histórico médico prévio do paciente? Ele tem dislipidemia, diabetes, síndrome metabólica ou alguma outra comorbidade?
  • Há histórico familiar de hipercolesterolemia ou outras dislipidemias genéticas?
  • O paciente apresentava outros sintomas além da eliminação cutânea de colesterol, como dor abdominal, fadiga ou manifestações cardiovasculares?

Situação atual

  • Há quanto tempo o paciente seguia a dieta carnívora? Qual era a composição exata da sua alimentação?
  • Ele consumia predominantemente carne magra ou gordurosa? Houve um aumento significativo na ingestão de colesterol e gorduras saturadas?

Após a solicitação de exames laboratoriais

  • Qual era o perfil lipídico do paciente antes e depois da adoção da dieta? (LDL, HDL, triglicerídeos, colesterol total, VLDL, ApoB, Lp(a)).
  • Havia sinais de disfunção hepática ou renal nos exames laboratoriais? Como estavam as transaminases, bilirrubinas e creatinina?
  • Foi feita alguma avaliação histopatológica das lesões cutâneas? O achado foi compatível com xantomatose ou outra condição?

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Referências

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