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Hérnia umbilical: o que é, causas e quando operar

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Saiba tudo sobre hérnia umbilical, suas causas, sintomas, diagnóstico e quando a cirurgia é indicada!

Uma hérnia é uma protusão ou saliência de um órgão, ou de parte dele, através da parede corporal que normalmente o mantém em sua posição. Portanto, quando ocorrem falhas que permitem a protrusão de estruturas intra-abdominais na área da cicatriz umbilical, tem-se a chamada hérnia umbilical, a qual faz parte do grupo das hérnias ventrais.

Causas e fatores de risco da hérnia umbilical

As hérnicas umbilicais ocorrem devido à não oclusão do anel umbilical, resultando na ausência do fechamento da camada aponeurótica após o nascimento. Esse processo leva ao surgimento de uma saliência anormal, composta pelo peritônio e pele, podendo conter também tecido gorduroso pré-peritoneal, omento ou alças intestinais.

Em adultos, a ocorrência de hérnias umbilicais associa-se frequentemente ao aumento da pressão intra-abdominal, que pode ser causada por fatores como obesidade, distensão abdominal, ascite ou gravidez. Além disso, certas características anatômicas do anel umbilical podem predispor ao seu desenvolvimento.

Durante a gravidez, por exemplo, detectam-se as hérnias umbilicais em até 90% das mulheres. Pacientes com cirrose, por sua vez, também apresentam maior predisposição à hérnia umbilical devido à ascite e à cicatrização prejudicada.

Em crianças, a hérnia umbilical é mais comum em bebês prematuros, de baixo peso ao nascer, do sexo feminino e pode associar-se a algumas condições médicas, como hipotireoidismo congênito e síndrome de Down.

Epidemiologia da hérnia umbilical

Hérnias umbilicais são uma condição relativamente comum, que corresponde a aproximadamente 5% a 15% das hérnias da parede abdominal e são identificadas em 23% a 50% dos pacientes examinados por meio de exame físico ou ultrassonografia.

Além disso, afetam mais frequentemente as mulheres do que os homens, com uma proporção de 3:1. Nos homens, é mais comum que a hérnia se apresente encarcerada, enquanto nas mulheres, especialmente aquelas próximas do peso corporal ideal, tende a ser uma massa facilmente redutível.

Quadro clínico da hérnia umbilical

O quadro clínico das hérnias umbilicais varia conforme seu tamanho. Portanto, hérnias menores podem ser assintomáticas ou causar diferentes níveis de dor e desconforto devido à projeção do conteúdo herniário através do defeito.

Atividades como tossir ou fazer esforço podem desencadear ou intensificar a dor. Além disso, a hérnia pode surgir repentinamente, desaparecer por conta própria e reaparecer em outro momento.

Geralmente, o saco herniário contém omento ou gordura pré-peritoneal, podendo causar dor crônica na parede abdominal se houver estrangulamento omental. Já nos casos em que uma alça intestinal fica encarcerada, pode ocorrer obstrução ou isquemia intestinal, resultando em sintomas como dor, náuseas e vômitos.

Por fim, em muitos casos, os pacientes relatam a presença de uma protuberância na parede abdominal.

Exame físico

Realiza-se o exame da parede abdominal tanto com o paciente em pé quanto deitado. Na maioria dos casos, identifica-se a hérnia facilmente, permitindo a palpação das bordas do defeito fascial. Quando o paciente encontra-se em posição supina, o conteúdo herniário pode ser reduzido, facilitando a avaliação do tamanho do defeito.

Diagnóstico da hérnia umbilical

Realiza-se o diagnóstico de hérnia umbilical por meio da palpação de uma massa mole na região umbilical, podendo estar localizada no próprio umbigo ou ligeiramente acima, abaixo ou ao lado dele.

Detecta-se a sensibilidade do local com pressão e palpação, embora nem sempre esteja presente. Ademais, hérnias de maior tamanho podem associar-se a sinais como eritema da pele, ulceração ou isquemia.

Além disso, em pacientes com dor abdominal sem hérnia palpável ou com obesidade, realiza-se exames de imagem pré-operatórios para avaliar o tamanho do defeito e planejar a cirurgia. Nesses casos, recomenda-se realização de uma tomografia computadorizada (TC) abdominopélvica, sendo esta a modalidade mais indicada para confirmar o diagnóstico e determinar o conteúdo presente no saco herniário.

Quando operar a hérnia umbilical

Se forem pequenas e assintomáticas, as hérnias umbilicais podem não necessitar de tratamento e apenas serem acompanhadas. Por outro lado, quando sintomáticas, realiza-se o tratamento cirúrgico, que pode ser feito por abordagem aberta ou laparoscópica, dependendo do tamanho da hérnia e das condições do paciente.

Ademais, como o estrangulamento ou o encarceramento das hérnias umbilicais são eventos extremamente raros em crianças, a maioria dos cirurgiões pediátricos opta por adiar a cirurgia em recém-nascidos, permitindo tempo para o fechamento espontâneo da hérnia. No entanto, é importante considerar que defeitos com mais de 2 cm de diâmetro apresentam baixa chance de fechamento espontâneo.

Cirurgia para correção da hérnia umbilical

Como já mencionado, o tratamento das hérnias umbilicais sintomáticas é realizado por meio de cirurgia, que pode ser feita de forma aberta ou laparoscópica, dependendo do tamanho da hérnia e de outras particularidades do paciente.

No reparo aberto, em geral, realiza-se uma incisão sobre ou próxima ao saco herniário, seguida da dissecção do tecido e fechamento da fáscia com sutura não absorvível.

Caso o defeito seja grande ou não permita fechamento sem tensão, recomenda-se o uso de tela, que pode ser posicionada de diferentes formas para garantir maior sustentação e evitar migração. Além disso, deve-se atentar para a fixação estética do umbigo.

Por exemplo, geralmente corrige-se hérnias com anel inferior a 1,5 cm com pontos interrompidos de vicryl ou prolene. Por outro lado, para hérnias com anel superior a 2 cm, recomenda-se o uso de tela sintética ou biológica.

Normalmente, não recomenda-se a abordagem laparoscópica para hérnias pequenas em pacientes magros, pois pode ser mais invasiva do que a técnica aberta. No entanto, pode ser vantajosa para defeitos maiores (>4 cm), suspeita de múltiplos defeitos ou em pacientes obesos. Ademais, a laparoscopia também é útil para avaliar a viabilidade de alças intestinais encarceradas.

A hérnia umbilical pode coexistir com a diástase do reto abdominal (DAR), pois ambas compartilham fatores de risco, como a obesidade. Em casos em que a linha alba está afinada, recomenda-se o reparo com tela para reduzir o risco de recorrência.

Técnicas para colocação de telas

As abordagens para a colocação de telas assemelham-se às utilizadas no tratamento de hérnias incisionais, podendo utilizar o espaço superior à musculatura (técnica onlay) ou posicioná-las atrás da parede abdominal (técnica sublay), que inclui variações como retro muscular, pré-peritoneal ou intraperitoneal, sendo que esta última exige o uso de telas para separar os tecidos.

Técnicas com tensão

As principais técnicas com tensão incluem:

  • Técnica de borda a borda ou fechamento simples – Indicada para hérnias menores que 2 cm, apresentando os menores índices de recidiva. Geralmente, utiliza-se suturas com pontos interrompidos.
  • Técnica de Morestin – Consiste em realizar a sutura em dois planos, sendo que o segundo plano serve para proteger a primeira linha de sutura.
  • Técnica de Rothschild – Envolve a divisão de dois retalhos quadrangulares das bainhas do reto, que são sobrepostos para cobrir o orifício, com suturas feitas na linha mediana. Indica-se essa abordagem especialmente para adultos.
  • Técnica de May – Utiliza a sobreposição de suturas, onde o retalho superior cobre o inferior em cerca de 2 cm. Vale ressaltar que, ao suturar o primeiro plano, surgem espaços que podem permitir o retorno do conteúdo abdominal entre as cavidades formadas, o que poderia resultar em uma recidiva. Para prevenir isso, fecha-se o ângulo formado com uma sutura contínua, bloqueando completamente a cavidade e, em seguida, a cavidade é suturada sobre a face anterior da aponeurose.

Técnicas atencionais

As principais técnicas sem tensão são:

  • Técnica de Rives ou mini Rives – Inicia-se com a dissecção pré-peritoneal, seguida pela fixação da tela para garantir que a técnica seja executada corretamente. Após realizar os quatro pontos cardinais, fixa-se a tela enquanto verifica-se se está completamente esticada entre cada ponto. Após a fixação da tela, não são necessários outros pontos.
  • Técnica de PHS e UHS umbilical – Consiste no uso de um dispositivo de prolene ou ultrapro (polipropileno), deixando uma aba de 1 cm para fixá-la nas bordas do defeito. Fixa-se a aba da tela externa à aponeurose anterior do reto com quatro pontos de material reabsorvível monofilamentar. O defeito não é fechado, e posiciona-se a cicatriz umbilical sobre a borda inferior do defeito herniário.
  • Técnica do tampão de tela – Indicada para defeitos herniários de até 1,5 cm, onde a dissecção do espaço peritoneal com visão direta é difícil. Para isso, utiliza-se uma tela retangular de 4 cm x 8 cm de polipropileno. Fixa-se o tampão nas bordas do defeito com quatro a seis pontos simples.
  • Técnica do mesh plug (técnica de Munich) – Similar à do tampão, com a vantagem de que coloca-se o cone ou plug no espaço pré-peritoneal, fixando-o ao anel herniário com quatro pontos de sutura.
  • Técnica de IPOM (intraperitoneal Onlay Mesh) – É a abordagem habitual para o reparo laparoscópico das hérnias ventrais e incisionais. Ela utiliza telas de camada dupla ou tripla que não aderem às vísceras, sendo fixadas com pontos ou grampos.
  • Técnica laparoscópica de Rives – Realiza-se o levantamento de um retalho peritoneal, incluindo o saco herniário, com a colocação de uma tela de polipropileno leve, sendo fixada com grampos e pontos. O retalho peritoneal é então fechado com sutura, cobrindo a tela para evitar o contato direto com as vísceras.

Complicações associadas a cirurgia de hérnia umbilical

As complicações mais frequentes associadas a cirurgia de hérnia umbilical incluem seromas, hematomas e infecção da ferida operatória (IFO), especialmente quando são utilizadas malhas cirúrgicas. Além disso, complicações respiratórias e cardiovasculares também podem surgir, muitas vezes exigindo internações mais longas.

Fatores que influenciam a morbimortalidade da cirurgia incluem o tamanho da hérnia, a idade do paciente e a presença de comorbidades.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • BARBOSA, C. A. et al. Hérnia umbilical primária: melhor manejo operatório no adulto. Medicina (Ribeirão Preto) 2021.
  • BARBOSA, C. A. et al. Cirurgia de hérnia umbilical: revisão atual. Editora Científica Digital, 2023.
  • BROOKS, D. C. Overview of abdominal wall hernias in adults. UpToDate, 2025.

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