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Granuloma anular: apresentação clínica, diagnóstico diferencial e opções terapêuticas

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O granuloma anular (GA) é a forma mais comum de doença granulomatosa cutânea não relacionada a infecções. Trata-se de uma condição benigna, geralmente de evolução autolimitada.

Sua manifestação típica ocorre nas extremidades superiores, com placas ou pápulas avermelhadas organizadas em forma de anel. A variante localizada é a mais frequente, mas existem outras apresentações clínicas, como as formas generalizada, perfurante, em placas e subcutânea.

Embora seja uma enfermidade benigna, o granuloma anular pode, em alguns casos, estar associado a doenças mais graves, como infecção pelo HIV ou neoplasias.

Epidemiologia do granuloma anular

Estima-se que tanto a prevalência quanto a incidência do granuloma anular ocorram entre 0,1% e 0,4%. Além disso, a condição acomete preferencialmente mulheres e pode surgir em qualquer faixa etária, embora mais de dois terços dos casos ocorram em indivíduos com 30 anos de idade ou menos.

Histopatologia do granuloma anular

Do ponto de vista histológico, o granuloma anular caracteriza-se pela degeneração localizada do colágeno, presença de inflamação com histiócitos intersticiais e acúmulo de mucina.

Existem quatro padrões histopatológicos distintos que podem ser identificados: intersticial (57,9%), granulomatoso em paliçada (26,3%), granulomatoso sarcoidal e misto.

No padrão em paliçada, há uma organização de histiócitos e linfócitos formando um anel ao redor de áreas de colágeno em necrobiose. Já no padrão intersticial, os histiócitos aparecem dispersos entre os feixes de colágeno e vasos da derme.

Ademais, é possível que um mesmo paciente apresente mais de um desses padrões histológicos simultaneamente.

Apresentação clínica do granuloma anular

O granuloma anular pode manifestar-se de diversas formas clínicas, mas todas compartilham características histopatológicas semelhantes, justificando sua classificação como uma única doença.

Granuloma anular localizado

É a forma mais comum, e apresenta-se como placas anulares ou em forma de arco, de cor eritematosa ou semelhante à pele, geralmente assintomáticas. Além disso, as bordas são firmes, com um centro mais claro.

Granuloma anular localizado. Fonte: UpToDate, 2025.

Nessa forma clínica, observa-se pápulas discretas de 1 a 2 mm na periferia ou, ocasionalmente, no centro da lesão. Em peles moderadamente a altamente pigmentadas, pode haver alterações de cor, como hipo ou hiperpigmentação. Essas lesões crescem lentamente em padrão centrífugo, raramente ultrapassando 5 cm de diâmetro.

Ademais, as áreas mais frequentemente afetadas incluem punhos, tornozelos, dorso das mãos e pés, sendo raro o envolvimento das palmas.

Granuloma anular generalizado

O GA generalizado, por sua vez, caracteriza-se pela presença de pápulas e placas eritematosas ou cor da pele espalhadas pelo corpo, com tamanhos variando de milímetros a alguns centímetros.

Granuloma anular generalizado. Fonte: UpToDate, 2025.

Assim como no tipo localizado, peles mais pigmentadas podem apresentar alterações de cor. O tronco e os membros são os locais mais acometidos, enquanto cabeça, pescoço, palmas, plantas dos pés e mucosas geralmente não são afetados. Além disso, as lesões podem ser assintomáticas ou causar coceira.

Granuloma anular subcutâneo

Essa variante manifesta-se por nódulos únicos ou múltiplos, profundos e indolores, localizados na derme ou no subcutâneo, geralmente sem alteração na superfície da pele. Com tamanho inferior a 4 cm, são mais comuns em crianças, afetando pernas, mãos, cabeça e nádegas.

Granuloma anular subcutâneo. Fonte: UpToDate, 2025.

Granuloma anular perfurante

O GA perfurante ocorre quando o colágeno danificado da derme é expelido para a superfície da pele. Frequentemente observado em crianças e jovens adultos, caracteriza-se por pápulas assintomáticas que evoluem para lesões umbilicadas, podendo eliminar fluido claro ou branco. Algumas lesões assemelham-se a pústulas.

Ademais, essa forma pode ser localizada ou disseminada e prurido ou dor estão presentes em uma minoria dos casos.

Granuloma anular em placas

Nesta variante, surgem placas sem escamas que podem ou não ter configuração anular. As lesões podem ser restritas ou distribuídas mais amplamente, afetando com frequência as extremidades proximais.

Granuloma anular em placas. Fonte: UpToDate, 2025.

Outras apresentações

Além das variantes clássicas, há descrições de outras formas menos comuns:

  • GA papular umbilicado: pápulas umbilicadas da cor da pele ou avermelhadas, observadas em crianças.
  • GA linear: lesões distribuídas em padrão linear.
  • GA acral agudo e doloroso: pápulas ou placas eritematosas dolorosas, localizadas em mãos e pés, às vezes acompanhadas de artralgias.

Diagnóstico diferencial do granuloma anular

Diversas condições dermatológicas podem imitar as manifestações clínicas do granuloma anular, e o diagnóstico diferencial varia de acordo com o padrão de apresentação.

Lesões anulares

Lesões anulares similares às do GA localizado ou generalizado também podem ocorrer em outros distúrbios dermatológicos:

  • Tinea corporis: A infecção fúngica geralmente apresenta-se como uma placa anular com descamação na borda. Portanto, a ausência de descamação no GA é uma característica clínica que ajuda a diferenciá-lo da tinea. Ademais, testes como preparação com KOH ou cultura fúngica são úteis para confirmar o diagnóstico dessa infecção fúngica.
  • Líquen plano anular: A presença de pápulas violáceas, poligonais e pruriginosas ao redor das lesões ajuda a distinguir o líquen plano do GA, que possui pápulas arredondadas, eritematosas e não pruriginosas. Além disso, o líquen plano anular é frequentemente encontrado no pênis e no escroto.
  • Sarcoidose cutânea: Pode manifestar-se com pápulas disseminadas e placas anulares. A diferenciação é feita pela biópsia, que revela granulomas típicos da sarcoidose.
  • Granuloma actínico: Lesões surgem como manchas anulares eritematosas em áreas expostas ao sol. A biópsia mostra células gigantes fagocitando fibras elásticas, sem mucina, o que diferencia essa condição do GA clássico.
  • Eritema anular centrífugo (EAC): Caracterizado por múltiplas placas anulares, o EAC superficial tem uma borda de escamas na margem interna, ausente no GA. No EAC profundo, por sua vez, as escamas podem estar ausentes, e o diagnóstico é confirmado por achados histopatológicos específicos.
  • Dermatite granulomatosa intersticial (DGI): Associada a doenças autoimunes, cânceres e medicamentos, a DGI apresenta-se com placas anulares, especialmente nas dobras cutâneas e tronco lateral. A histologia é semelhante à do GA, mas a presença de neutrófilos e ausência de mucina ajudam na diferenciação.
  • Sífilis terciária nodular: Raramente, a sífilis terciária pode apresentar placas anulares. A presença de plasmócitos e granulomas na biópsia sugere esse diagnóstico.

Outras manifestações semelhantes ao granuloma anular

Lesões papulares generalizadas do granuloma anular podem se parecer com:

  • Sífilis secundária;
  • Reações Id (autoeczematosas);
  • Picadas de insetos ou artrópodes;
  • Xantomas eruptivos;
  • Histiocitomas eruptivos;
  • Siringomas eruptivos.

Além disso, o granuloma anular subcutâneo pode ser confundido com:

  • Nódulos reumatoides;
  • Sarcoma epitelioide;
  • Sarcoidose subcutânea;.
  • Infecções profundas bacterianas ou fúngicas

A forma perfurante do granuloma anular pode simular condições nas quais o conteúdo da derme é expelido pela epiderme, como:

  • Dermatoses perfurantes, como colagenose perfurante reativa, foliculite perfurante e elastose perfurante serpiginosa.
  • Sarcoidose cutânea perfurante.

Ademais, lesões de molusco contagioso, com aparência umbilicada e centro branco, também podem ser confundidas com o granuloma anular perfurante.

Por fim, o granuloma anular em placas pode ser confundido com parapsoríase, que também apresenta-se com grandes placas eritematosas, especialmente no tronco e extremidades proximais.

Opções terapêuticas para o granuloma anular

Como o granuloma anular é uma condição benigna, pacientes assintomáticos que não se incomodam com as lesões podem optar por não realizar tratamento. Contudo, devido ao desconforto estético ou ao prurido, muitos preferem tratar e a escolha terapêutica depende da apresentação clínica.

Tratamento do granuloma anular localizado

O tratamento local é a base da abordagem, utilizando injeções intralesionais de corticosteroides, corticosteroides tópicos de alta potência ou inibidores tópicos da calcineurina.

Para casos localizados no tronco ou extremidades, a primeira escolha é a aplicação intralesional de corticosteroides. Entretanto, se o paciente preferir evitar injeções, corticosteroides tópicos de alta potência são uma alternativa válida.

Ademais, indica-se os inibidores tópicos da calcineurina principalmente para áreas com risco maior de atrofia pela corticoterapia (como a face ou áreas intertriginosas) ou quando há falha com corticosteroides tópicos.

Tratamento do granuloma anular generalizado

Para os casos de granuloma anular generalizado, recomenda-se iniciar o tratamento com hidroxicloroquina em vez de terapias locais isoladas ou outros tratamentos sistêmicos. Além disso, alternativas para o tratamento sistêmico inicial incluem isotretinoína e dapsona, com a possibilidade de associação a terapias locais.

Por outro lado, se o paciente quiser evitar medicamentos sistêmicos, a fototerapia com UVB de banda estreita é uma opção.

Em casos refratários, utiliza-se adalimumabe, infliximabe, ciclosporina ou psoraleno mais fotoquimioterapia ultravioleta A (PUVA).

Outras variantes

Para o granuloma anular subcutâneo assintomático, a observação é preferida à excisão cirúrgica, visto que a recorrência é frequente.

Por fim, para as formas em placas ou perfurantes, embora não exista um consenso definitivo sobre a melhor abordagem, terapias usadas para o granuloma anular localizado ou generalizado podem ser tentadas.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • BRODELL, R. T. Granuloma annulare: Epidemiology, clinical manifestations, and diagnosis. UpToDate, 2025.
  • BRODELL, R. T. Granuloma annulare: Management. UpToDate, 2025.
  • SCHMIEDER, S. J.; HARPER, C. D.; SCHMIEDER, G. J. Granuloma annulare. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025.

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