Garganta inflamada: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
A garganta inflamada é uma condição comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções respiratórias, incluindo a faringite, são responsáveis por cerca de 3,5 milhões de mortes anualmente em todo o mundo.
No Brasil, a faringite é uma das doenças respiratórias mais comuns, especialmente durante os meses de inverno, quando as temperaturas caem e a umidade do ar diminui. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), a faringite é responsável por cerca de 10% das consultas médicas em todo o país.
Quais as principais causas de garganta inflamada?
As causas mais comuns da garganta inflamada são infecções virais e bacterianas. Estima-se que mais de 90% dos casos de faringite sejam causados por vírus, como o rinovírus, o vírus da gripe e o vírus sincicial respiratório.
No entanto, a faringite bacteriana, causada pelo Streptococcus pyogenes, é responsável por cerca de 15% a 30% dos casos em crianças e 5% a 15% dos casos em adultos. Além das infecções, a garganta inflamada pode ser causada por outras condições, como:
- Alergias
- Refluxo ácido
- Irritação por fumaça ou ar seco
- Uso excessivo da voz
Segundo o Ministério da Saúde, a exposição à fumaça de cigarro é um dos principais fatores de risco para a faringite crônica.
A faringite viral é a forma mais comum de faringite e é causada por vírus, como o rinovírus, o vírus da gripe e o vírus sincicial respiratório. Geralmente, a faringite viral é uma doença autolimitada, o que significa que ela desaparece por si só sem tratamento específico, em cerca de uma semana.
Os sintomas da faringite viral incluem:
- Dor de garganta
- Febre baixa
- Congestão nasal
- Coriza, tosse e dor muscular
- Em alguns casos, pode haver tosse, dor de cabeça e fadiga.
A faringite bacteriana é menos comum, mas mais grave do que a faringite viral, pois é causada por bactérias, especialmente a bactéria Streptococcus pyogenes. A faringite estreptocócica, como é conhecida, pode levar a complicações graves, como febre reumática e a glomerulonefrite, se não for tratada adequadamente. Os sintomas da faringite estreptocócica incluem:
- Dor de garganta intensa
- Febre alta
- Dor de cabeça
- Inchaço dos gânglios linfáticos no pescoço
- Dor abdominal
- Também é comum haver manchas brancas ou amareladas na garganta e nas amígdalas.
Como é feito o diagnóstico de faringite?
O diagnóstico da garganta inflamada é feito com base nos sintomas e na aparência da garganta. Um exame físico pode revelar hiperemia na garganta, bem como manchas brancas em casos de infecção bacteriana.
O médico também pode realizar um teste de estreptococo para determinar se a faringite é causada por essa bactéria. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% dos casos de faringite estreptocócica são diagnosticados erroneamente como infecção viral, o que pode levar a complicações graves, como a febre reumática.
Como é feito o teste de estreptococo?
O teste de estreptococo, também conhecido como teste rápido de estreptococo, é um exame que ajuda a identificar se uma pessoa tem uma infecção na garganta causada pela bactéria Streptococcus pyogenes.
O exame é realizado em consultórios médicos, clínicas e hospitais e é rápido e simples de ser realizado. A coleta é feita através de uma amostra de secreção da garganta com um swab estéril. O médico insere o swab na garganta do paciente e gira suavemente para coletar a amostra.
Em seguida, o swab é colocado em um recipiente contendo uma solução de reagente que reage com a bactéria, produzindo uma mudança de cor se houver presença de estreptococo. O resultado do teste de estreptococo é obtido em cerca de 10 a 15 minutos.
Formas de condução na emergência
Em casos de infecção bacteriana, é necessário prescrever um curso de antibióticos para combater a bactéria e aliviar os sintomas. Se a faringite for causada por uma infecção viral, o tratamento é geralmente sintomático, com analgésicos para aliviar a dor e a febre, e líquidos para manter a hidratação.
Para aliviar os sintomas em casa, o paciente deve:
- Beber líquidos quentes ou frios
- Evitar alimentos duros ou ácidos que possam irritar ainda mais a garganta.
- Analgésicos de venda livre, como o ibuprofeno ou o paracetamol, também podem ajudar a aliviar a dor e a febre.
Em casos mais graves, pode ser necessário um tratamento hospitalar para tratar a garganta inflamada. Isso pode incluir a administração de líquidos intravenosos e antibióticos mais fortes.
Medidas profiláticas
Para prevenir a infecção e reduzir o risco de transmissão, existem algumas medidas profiláticas que podem ser adotadas. Uma das principais medidas é a lavagem frequente das mãos, que ajuda a remover germes e bactérias que possam estar presentes em superfícies e objetos.
É importante também evitar o contato próximo com pessoas doentes, principalmente durante a época de epidemias de gripe e resfriados. Além disso, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar também é uma medida importante para prevenir a transmissão de doenças respiratórias.
Nesse contexto, é importante evitar compartilhar objetos pessoais, como talheres, copos e toalhas de rosto, para reduzir o risco de transmissão de germes e bactérias. Outro fator que ajuda na prevenção é tomar as vacinas recomendadas que previnem doenças que podem levar à faringite, como a gripe e a difteria.
Perguntas frequentes
- Quais as causas mais comuns de garganta inflamada?
As causas mais comuns da garganta inflamada são infecções virais e bacterianas. - Como é feito o diagnóstico da garganta inflamada?
O diagnóstico da garganta inflamada é feito com base nos sintomas e na aparência da garganta. - Quais as medidas profiláticas para evitar garganta inflamada?
Lavagem frequente das mãos, que ajuda a remover germes e bactérias que possam estar presentes em superfícies e objetos.
Referências bibliográficas
- CENTOR, Robert M. The Diagnosis and Treatment of Pharyngitis: A Clinical Monograph. Birmingham: American Society for Microbiology, 2005. Acesso em 03 de Abril de 2023.
- SHAH, Samir S.; SHANKS, G. Dennis. Pediatric Infectious Diseases: Essentials for Practice. 2nd ed. New York: Demos Medical, 2009. Acesso em 03 de Abril de 2023.
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A faringite estreptocócica é uma forma bacteriana que pode levar a complicações graves se não for diagnosticada e tratada corretamente. Por isso, é essencial que o médico saiba identificar os sintomas da faringite e determinar se ela é viral ou bacteriana, para que possam prescrever o tratamento adequado e evitar complicações.
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