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Especial Finanças: Como e o porquê de se planejar desde já para a aposentadoria | Colunistas

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O dia da sua aposentadoria vai chegar. Embora ainda pareça distante, você, que é um médico formado há pouco tempo ou um estudante de medicina, vai saturar algum dia. Os ritmos extenuantes de trabalho e a rotina cansativa dos médicos são mais bem suportados quando jovens e muito provavelmente você irá diminuir esse ritmo em algum momento.

Porém, junto com essa redução (ou interrupção) na jornada de trabalho, vem a diminuição da renda, já que, geralmente, médicos recebem pelas horas trabalhadas ou pacientes atendidos. O que fazer então?

Previdência Pública

Sim, você deve contribuir para a previdência social do Brasil. Não, você não pode depender dela. A previdência social vem atravessando uma época de reformulação e, independentemente disso, sempre apresentou limites, não sendo considerada um bom investimento individualmente. Embora seja necessária como um pacto social e para garantir vários direitos para toda a população, você não pode utilizar apenas essa forma de preparação para o futuro.

Em relatório do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, as pessoas esperam que pelo menos 50% da sua renda na aposentadoria venha do governo, o que pode ser uma quantia muito distante da realidade na prática.

Ademais, a mesma pesquisa mostra que 88% dos entrevistados não confiam que terão condição de pagar os gastos com saúde na terceira idade. Os últimos dados relevantes nesse aspecto são encontrados em uma pesquisa da ANBIMA, em 2019, e dizem que 60% dos aposentados relataram aumento nas despesas após a aposentadoria e que 90% do total são sustentados pela previdência pública.

Pode-se concluir de todo esse emaranhado de números que, no Brasil, muita gente se preocupa em não ter condições de sustentar as despesas básicas, como a saúde, após a aposentadoria, que esses gastos aumentam e que, em contrapartida, a grande maioria não buscou meios alternativos à previdência pública para se manter nessa fase da vida.

Portanto, esse texto tem a função de estimular que você evite entrar para a estatística das pessoas que perdem qualidade de vida após a redução ou cessação da jornada de trabalho, poupe mensalmente e invista seu dinheiro para desfrutar os benefícios desse sacrifício prévio na terceira idade.

Por que pensar na aposentadoria tão cedo?

Quanto antes você atuar para sua aposentadoria, menos preocupações você terá quando sua renda mensal diminuir ou cessar. Em termos práticos, organizar-se para a aposentadoria significa investir uma parte do seu dinheiro todo mês para que, quando aposentar, você tenha um patrimônio guardado que, inclusive, pode lhe proporcionar uma renda mensal. Existe uma frase no meio financeiro que recomenda: “deixe os juros compostos trabalharem por você”.

Isso significa que, caso você não saque uma quantia do seu dinheiro investido, ele irá render, no próximo mês ou ano, juros sobre a quantia inicial acrescida dos rendimentos já obtidos, ou seja, a curva do seu patrimônio investido será exponencial.

Em outras palavras, quanto mais tempo você deixar o dinheiro investido, mais os juros compostos irão agir e o crescimento dos seus investimentos será acelerado mês a mês. Por isso, caso comece a planejar a aposentadoria aos 20 anos, os juros compostos trabalharão desde já, o esforço financeiro é muito menor quanto antes você iniciar esse processo.

Além desses fatores, começar antes a planejar a aposentadoria significa a possibilidade de alcançar a independência financeira até aos 50 anos, por exemplo, o que significa que você tem uma reserva de dinheiro para sobreviver por um prazo considerável e possui patrimônio investido que renda mensalmente uma quantia que sustente seus gastos mensais.

Para o médico, adquirir essa independência significa poder se dedicar mais às atividades que você gosta, inclusive profissionais. Nessa fase da vida você pode se dedicar a uma pesquisa diferente, a uma nova especialidade, a um sonho antigo, sem se preocupar todos os minutos em ganhar dinheiro para sustentar suas despesas mensais.

Embora os 50 anos ou a aposentadoria pareçam muito distante para você que está aí na universidade ou ingressando no mercado de trabalho, acredite, ele chegará e você agradecerá todos os dias por ter começado a se planejar financeiramente desde cedo.

Inclusive, você estudante, procure já guardar aquele dinheiro extra da bolsa de iniciação científica, da monitoria, de aulas particulares, a sobra da mesada dos pais… Invista esse dinheiro, procure entender os meios desde agora – qualquer quantia já é válida.

Você ganhará alguns anos de planejamento para aposentadoria e, por esse sacrifício, a jornada de acúmulo do dinheiro será bem mais leve e você poderá guardar uma porcentagem menor da sua renda mensal no futuro.

Como guardar e investir meu dinheiro

O primeiro questionamento que deve estar passando nesse momento pela sua cabeça é: eu não tenho a menor ideia de como investir, nem ao menos sei por onde começar. Além da possibilidade de você mesmo estudar para investir, é possível terceirizar essas escolhas e decisões em diversas formas. A primeira é escolher um bom fundo de investimento para colocar seu dinheiro – nesses fundos, existem pessoas especializadas no mercado financeiro que basicamente usarão o seu dinheiro para investir e cobrarão uma taxa pelos rendimentos.

Outra possibilidade é contratar um escritório ou um assessor de investimentos, setor que cresce significativamente nos últimos tempos. São pessoas também especializadas em mercado financeiro, mas que, diferente dos fundos de investimentos, realizarão um trabalho individualizado, analisando seus desejos e grau de exposição ao risco e, a partir disso, montarão uma carteira de investimentos diretamente com a sua quantia disponível.

Por fim, a terceira e mais conhecida opção são as previdências privadas, empresas especializadas em garantir que você tenha uma renda quando o dia da sua aposentadoria chegar sem que você tenha que participar da maioria das decisões e com maior segurança, entretanto tendem a oferecer rendimentos menores para o seu dinheiro.

Independentemente das opções citadas, você pode, por si só, iniciar o acúmulo de capital para sua aposentadoria. A primeira noção que você precisa ter é que, sim, você tem capacidade de entender como funciona o básico do mercado financeiro. E, sim, o básico já irá te ajudar muito. Não falamos aqui em aspectos complexos da bolsa de valores, gráficos, índices, números, porcentagens, variáveis, dentre outras.

Saber disso tudo vai te ajudar a fazer melhores escolhas, mas compreender como funcionam as rendas fixas e os fundos imobiliários e de investimentos já te ajudará a fazer seu dinheiro render. Esses tipos de aplicação possuem uma segurança considerável e, associados à dedicação e um estudo qualificado para que você realize boas escolhas, terão rendimentos bastante significativos.

Para aprender isso tudo, você precisará dedicar um tempo da sua vida para buscar conhecimentos e de disposição para abdicar de uma parte do seu salário momentaneamente para poder desfrutar de uma renda futura. Para isso, a internet possui inúmeros blogs, fóruns e canais de vídeo com ensinamentos gratuitos sobre educação financeira, investimentos e o mercado como um todo. Isso sem contar livros de grandes autores e pessoas experientes no mercado financeiro, que irão te auxiliar desde o processo da organização orçamentária até as escolhas das melhores aplicações.

Então, dentre todas essas informações, qual seria a maior dificuldade para se planejar para a aposentadoria? A disposição. Existem várias opções para investir seu dinheiro, mas certamente o mais desafiador é a disposição para recolher mensalmente uma parte da sua renda mensal visando um benefício para daqui 30 ou 40 anos.

Disciplina a longo prazo

John Maynard Kaynes, um famoso economista do começo do século XX, disse uma vez: “No longo prazo, todos estaremos mortos”. Isso deve ter passado pela sua cabeça enquanto lia o texto. Vários dizem tanto sobre aproveitarmos o presente enquanto temos saúde, já que não sabemos do nosso futuro, então por que retirar dinheiro que poderia ser gasto no agora para pensar tão longe?

Gustavo Cerbasi, em seu livro “Adeus, Aposentadoria”, defende e explica porque devemos simplesmente esquecer o modo como a aposentadoria existe hoje no Brasil e repensá-la em todos os aspectos. Em 2018, o IBGE apontou que 1 em cada 4 brasileiros terão mais do que 65 anos em 2060. Atualmente, a taxa de idosos nessa faixa de idade se encontra em 9%, e o aumento é exponencial.

Além disso, o autor considera que cada vez mais as pessoas anseiam por melhor qualidade de vida na terceira idade, já que estamos vivendo mais e com mais possibilidades de viver bem nessa fase.

Baseado nisso, ele defende que o modelo de se aposentar e receber mensalmente uma quantia menor do que se recebia durante a fase economicamente ativa não se sustentará mais – por isso, é preciso que você se prepare e planeje para quando esse momento chegar. É comum que pessoas cheguem aos 60 anos e se arrependam de não terem se esforçado mais para poupar um dinheiro que seria usufruído nessa idade.

Invista seu tempo em Educação Financeira

É recorrente em posts nas redes sociais e no imaginário popular frases que defendam que devemos aproveitar sempre o momento, vivenciar o presente, viajar e aproveitar enquanto temos saúde quando jovens, dentre outros aspectos. Essas frases fazem muito sentido.

A recomendação não é que você deixe de gastar seu dinheiro com diversão e entretenimento para guardar todo o excedente para sua aposentadoria. Precisamos, sim, viver e aproveitar o agora. Existe uma corrente no meio da educação financeira que propaga a regra do 50/30/20. É um modelo de organização das finanças que foi popularizado pela jurista e atual senadora dos Estados Unidos Elizabeth Warren.

Nele, você utiliza 50% da sua renda para suas necessidades básicas como alimentação, saúde e educação; 30% com seus desejos como viagens, entretenimento, roupas, tecnológicos e outros. Os 20% restantes, e mais relevantes para esse texto, são suas economias, ou seja, quantia que deverá ser guardada para investimentos futuros.

Aprofundando um pouco, esses 20% podem ser divididos em três setores: fundo de emergência para crises de renda inesperadas, investimentos para independência financeira e reservas para aposentadoria. Novamente, a teoria é simples e intuitiva – o mais difícil e desafiador é a disciplina e disposição para pensar em sacrificar parte da renda momentaneamente para colher bons frutos no futuro. Tenha foco nesses benefícios que surgirão daqui alguns anos.

Novamente, tentarei adivinhar algo que está passando na sua cabeça: “Eu ganho/ganharei o suficiente para que esses 20% sejam significativos?”. Nisso existem dois pontos finais a serem refletidos. Primeiramente, pense que qualquer valor significa muita coisa a longo prazo, desde que você guarde mensalmente e rigorosamente essa quantia.

Quanto antes você começar, mesmo com pequenos valores, a quantia irá se acumular aos rendimentos e possibilitará que seu esforço ao longo dos anos seja menor, pois você já terá algo guardado gerando rendimentos. Segundo, perceba que a menor quantia da sua renda é destinada a economias, a maior parcela ou, segundo a teoria explicada, 80% da sua renda será destinada a você naquele mês.

Tenha em mente que o melhor e mais importante investimento é sempre o seu crescimento, seja pessoalmente ou na sua carreira. Só assim você viverá melhor, terá mais qualidade de vida, mais conhecimento e, consequentemente, mais possibilidades de aumentar sua renda mensal, o que resultará em maiores quantias destinadas em longo prazo, proporcionalmente.

Portanto, sempre invista na sua educação e não deixe, por exemplo, de assinar uma plataforma de educação médica, como o Sanarflix, ou um curso para residência, como o Sanar Residência Médica, para guardar um dinheiro extra no mês. Separe suas finanças, dedique-se ao presente e poupe os 20% para colher bons frutos no futuro.

Autor : Matheus Brito Lima
Instagram : @matheusbritol

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