A escarlatina é uma infecção bacteriana aguda causada pelo estreptococo do grupo A, caracterizada por uma erupção cutânea distintiva.
A escarlatina é uma doença comum na infância, mais frequentemente observada em crianças de 5 a 15 anos. A transmissão ocorre predominantemente por meio de gotículas respiratórias expelidas pela tosse ou espirro de pessoas infectadas. O contato direto com secreções infectadas ou, raramente, através de objetos contaminados também pode ser uma via de transmissão. A incidência da escarlatina tende a aumentar durante os meses de inverno e primavera, quando as infecções respiratórias são mais comuns.
A escarlatina foi uma doença muito temida antes da introdução dos antibióticos, mas sua mortalidade e morbidade foram significativamente reduzidas com a disponibilidade de tratamentos eficazes. Apesar disso, surtos esporádicos ainda ocorrem, destacando a importância de vigilância epidemiológica contínua.
Manifestações clínicas da escarlatina
Os sintomas iniciais da escarlatina geralmente se manifestam 1 a 4 dias após a exposição ao estreptococo. A doença frequentemente começa com:
- Febre alta (acima de 38,3°C)
- Odinofagia
- Mal-estar
- Cefaleia
- E, ocasionalmente, dor abdominal e vômitos.
A erupção cutânea característica da escarlatina aparece cerca de 12 a 48 horas após o início da febre. Esta erupção começa no tronco e se espalha rapidamente para o pescoço, braços e pernas. A erupção é vermelha, áspera e pode causar prurido.

A área ao redor da boca tende a permanecer pálida, criando o sinal de Filatov.

Outro sinal clássico é a língua em morango, que inicialmente apresenta um revestimento branco espesso que descama, revelando uma superfície vermelha brilhante, bem como papilas aumentadas. A língua adquire uma aparência típica de morango ou framboesa após alguns dias de infecção.

Adicionalmente, pode-se observar linfadenopatia cervical. Além disso, as amígdalas podem estar eritematosas e edemaciadas, muitas vezes com exsudato purulento. Em casos graves, complicações como abscesso peritonsilar, otite média, sinusite e pneumonia podem ocorrer.
Diagnóstico da escarlatina
O diagnóstico de escarlatina é principalmente clínico, baseado na combinação de sintomas característicos e história de contato com casos conhecidos de estreptococo do grupo A. Para confirmar a presença da bactéria, são frequentemente utilizados testes laboratoriais, como a:
- Cultura de garganta
- Teste rápido de antígeno estreptocócico.
A cultura de garganta é considerada o padrão-ouro, oferecendo alta sensibilidade e especificidade. No entanto, o teste rápido de antígeno pode fornecer resultados em minutos, facilitando o início precoce do tratamento.
Em casos duvidosos, a elevação dos níveis de anticorpos anti-estreptolisina O (ASLO) torna-se útil para confirmar infecções estreptocócicas recentes, embora não seja necessário para o diagnóstico inicial.
Diagnóstico diferencial da escarlatina
O diagnóstico diferencial da escarlatina inclui diversas condições que também apresentam erupção cutânea e sintomas sistêmicos. Entre elas, destacam-se:
Rubéola
Caracterizada por uma erupção maculopapular que começa no rosto e se espalha para o corpo, frequentemente acompanhada de linfadenopatia retroauricular e occipital.
Sarampo
Apresenta uma erupção maculopapular que começa na face e se espalha para o tronco e extremidades, precedida por sintomas prodrômicos como febre alta, tosse, conjuntivite, bem como manchas de Koplik na mucosa oral.
Doença de Kawasaki
Caracterizada por febre persistente, erupção cutânea polimórfica, conjuntivite bilateral, alterações nas mucosas orais (lábios rachados, língua em morango), linfadenopatia cervical, bem como alterações nas extremidades (edema, eritema das palmas das mãos e plantas dos pés).
Eritema infeccioso
Causada pelo parvovírus B19, apresenta uma erupção facial característica em “face esbofeteada”, seguida por uma erupção reticulada nos membros e tronco.
Tratamento
O tratamento da escarlatina envolve a administração de antibióticos para erradicar a infecção estreptocócica e prevenir complicações, como febre reumática e glomerulonefrite pós-estreptocócica. Assim, a penicilina V oral é o tratamento de escolha, sendo recomendada por 10 dias. Além disso, a amoxicilina, devido ao seu sabor mais palatável e posologia conveniente, também é frequentemente utilizada.
Para pacientes alérgicos à penicilina, alternativas incluem cefalosporinas de primeira geração, como cefalexina, e macrolídeos, como azitromicina ou clindamicina. É crucial completar o curso completo de antibióticos, mesmo que os sintomas melhorem antes, para garantir a erradicação total da bactéria e prevenir recaídas.

Medidas de suporte
Além dos antibióticos, medidas de suporte são importantes para aliviar os sintomas. Além disso, ntipiréticos e analgésicos, como paracetamol ou ibuprofeno, são recomendados para controlar a febre e a dor.
A hidratação adequada e o repouso são essenciais para a recuperação. Assim, em casos de prurido intenso, deve-se prescrever loções calmantes ou anti-histamínicos.
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Referência bibliográfica
- Ferri FF. Scarlet fever. In: Ferri’s Clinical Advisor 2018. Philadelphia, Pa.: Elsevier; 2018.
- KASPER, D. L; FAUCI, A. S. Doenças Infecciosas de Harisson. 2ed. Editora AMGH, 2015, pag. 358.

