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Ecoendoscopia: avanços no diagnóstico preciso do trato digestivo

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A ecoendoscopia, ou ultrassonografia endoscópica, representa um importante avanço na medicina diagnóstica ao combinar a visualização endoscópica com a ultrassonografia de alta resolução.

Essa técnica permite examinar com precisão as estruturas da parede do trato gastrointestinal e de órgãos adjacentes, como o pâncreas, as vias biliares, o mediastino posterior e o retroperitônio. Além da avaliação morfológica, a ecoendoscopia possibilita a realização de punções para coleta de material, contribuindo para o diagnóstico de lesões profundas que não seriam acessíveis por métodos convencionais.

Portanto, com o contínuo avanço tecnológico e a expansão do seu uso clínico, a ecoendoscopia consolida-se como uma ferramenta essencial para o diagnóstico e manejo de diversas doenças gastrointestinais.

Princípios técnicos da ecoendoscopia

A principal utilidade da ecoendoscopia está na sua capacidade de identificar com precisão as cinco camadas da parede gastrointestinal, que correspondem às estruturas histológicas, além de localizar linfonodos regionais.

Na ultrassonografia realizada por meio da ecoendoscopia, o transdutor de ultrassom é introduzido pela boca e conduzido ao longo do trato gastrointestinal até ser posicionado junto à parede luminal próxima à região a ser examinada. Essa proximidade com estruturas anatômicas como órgãos extraluminais e vasos sanguíneos possibilita a utilização de ondas sonoras de alta frequência, resultando em imagens com excelente resolução.

Equipamento

Existem dois tipos principais de ecoendoscópios, cada um com funções específicas.

O modelo radial, o primeiro a ser desenvolvido, gera imagens em 360 graus num plano perpendicular ao eixo do endoscópio, semelhante às obtidas por tomografia computadorizada.

Já o ecoendoscópio linear produz imagens em um plano paralelo ao endoscópio e possibilita a realização de procedimentos terapêuticos guiados por ultrassom.

Além disso, há minisondas de alta frequência que podem ser introduzidas por canais de biópsia convencionais, sendo úteis especialmente em situações de estenoses que impedem a passagem de um ecoendoscópio padrão.

Preparação do paciente

A preparação prévia para pacientes que irão submeter-se a uma ecoendoscopia inclui:

  • Ajuste de medicamentos: A gestão da terapia antiplaquetária e anticoagulante é geralmente personalizada, sendo conduzida em colaboração com o médico responsável e discutida separadamente.
  • Sedação/anestesia: Normalmente, realiza-se o procedimento de forma ambulatorial, com anestesia monitorada ou anestesia geral.
  • Antibióticos: A profilaxia antibiótica normalmente não é necessária para ecoendoscopia não intervencionista.

Portanto, a preparação assemelha-se àquela recomendada para a endoscopia gastrointestinal superior.

Procedimento

O procedimento inicia-se com uma endoscopia digestiva alta convencional, usada para identificar possíveis impedimentos ao exame (como estenoses ou divertículos). Em seguida, introduz-se o ecoendoscópio pela boca, guiando-o ao longo do trato digestivo sob visualização direta.

Para garantir uma boa qualidade de imagem, infla-se o balão que envolve o transdutor na ponta do ecoendoscópio com água, criando um meio acústico eficaz entre o transdutor e a parede gastrointestinal, já que o ar prejudica a propagação das ondas sonoras.

Ademais, realiza-se o exame por três abordagens principais:

  1. Transduodenal: Permite a avaliação de estruturas extraluminais do retroperitônio inferior, como o pâncreas, ducto biliar comum e vesícula biliar. Posiciona-se o transdutor no duodeno, e o exame prossegue até a terceira porção do intestino, visualizando detalhes anatômicos como o processo uncinado.
  2. Transgástrica: Utilizada para observar estruturas do retroperitônio superior, como o corpo e a cauda do pâncreas, linfonodos retroperitoneais e o lobo esquerdo do fígado. Além disso, essa abordagem permite a avaliação do ducto pancreático e de vasos como a artéria e veia esplênicas.
  3. Transesofágica: Abrange a visualização de estruturas torácicas e cervicais. O exame inicia-se distalmente à junção esofagogástrica e prossegue até o esôfago proximal. Permite a observação de órgãos como fígado, coração, aorta, pulmões, brônquios, tireoide e vasos cervicais, além da avaliação de linfonodos mediastinais.

Por fim, esvazia-se o balão, desativa-se o transdutor e remove-se o ecoendoscópio do paciente cuidadosamente.

Indicações da ecoendoscopia

As indicações para o ultrassom endoscópico abrangem diversas áreas clínicas, incluindo:

  • Estadiamento de neoplasias do trato gastrointestinal;
  • Investigação de doenças que acometem o pâncreas e as vias biliares;
  • Análise de lesões subepiteliais;
  • Avaliação de alterações localizadas fora da luz do trato digestivo;
  • Estadiamento de neoplasias pulmonares;
  • Aplicações terapêuticas.

Contraindicações da ecoendoscopia

Por outro lado, as contraindicações para o ultrassom endoscópico (EUS) são limitadas, mas geralmente associam-se a restrições da endoscopia digestiva alta e incluem:

  • Pacientes que não conseguem tolerar sedação moderada, monitoramento anestésico ou anestesia geral;
  • Pacientes com instabilidade hemodinâmica;
  • Pacientes com perfuração visceral conhecida ou suspeita;
  • Pacientes com obstrução gastrointestinal (como uma estenose duodenal devido a uma lesão na cabeça do pâncreas), para os quais a ecoendoscopia pode ser realizada, mas com imagens limitadas à área próxima à obstrução;
  • Pacientes com distúrbios de hemostasia não tratados, como uma contagem de plaquetas inferior a 50.000/microL.

Avanços recentes na tecnologia e aplicação

O desenvolvimento inicial da ecoendoscopia com punção por agulha fina levou à introdução de novas e inovadoras indicações terapêuticas para a ultrassonografia endoscópica.

Técnicas como o bloqueio do plexo celíaco e a neurólise, realizadas por injeção guiada por ecoendoscopia de esteroides ou álcool, tanto no plexo celíaco quanto, mais recentemente, diretamente nos gânglios celíacos, têm se mostrado métodos eficazes e seguros para o controle da dor no câncer de pâncreas, e em menor extensão, na pancreatite crônica.

Além disso, a drenagem de pseudocistos sintomáticos, anteriormente realizada às cegas por meio de abordagem endoscópica direta ou cirurgia, agora pode ser feita com a cistogastrostomia por ecoendoscopia. Essa abordagem oferece a vantagem de caracterizar o pseudocisto, realizar a punção direta do cisto sob visualização, evitando vasos, e inserir o stent em um único procedimento, reduzindo o tempo de internação em comparação com a cirurgia convencional.

A ecoendoscopia também se revela útil para acessar o sistema biliar quando a CPRE falha, realizando a punção do ducto biliar comum guiada por ecoendoscopia, além de detectar e drenar ascite não visível em tomografia computadorizada.

Entre as aplicações experimentais da ecoendoscopia em investigação atualmente, destacam-se:

  • A administração local de braquiterapia ou quimioterapia em câncer pancreático avançado;
  • Ablação com álcool de metástases adrenais ou tumores neuroendócrinos pancreáticos;
  • Implantação submucosa de marcadores radiopacos guiados por ecoendoscopia antes da radioterapia.

Ademais, o rápido avanço da cirurgia endoscópica transluminal por orifício natural tem borrado as fronteiras entre endoscopia e cirurgia, com a ultrassonografiaendoscópica desempenhando um papel fundamental em seu futuro.

Desafios e limitações da ecoendoscopia

Apesar de seus inúmeros benefícios, a ecoendoscopia apresenta algumas limitações. Uma das principais dificuldades é a necessidade de um operador altamente treinado para realizar o exame e interpretar os resultados.

Além disso, embora a ecoendoscopia seja eficaz na visualização das camadas da parede gastrointestinal e estruturas adjacentes, ela pode ter limitações. Por exemplo, pode ser difícil avaliar lesões em órgãos mais distantes ou em casos de obesidade, onde a qualidade da imagem é prejudicada devido ao aumento da distância entre o transdutor e a área a ser examinada.

Outro desafio é o custo associado à tecnologia e à necessidade de infraestrutura especializada. A ecoendoscopia exige equipamentos sofisticados, que podem ser mais caros e nem sempre estão disponíveis em hospitais e clínicas de menor porte, limitando o acesso a essa técnica.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • FASANELLA, K. E.; SANDERS, M. K. Therapeutic endoscopic ultrasound. UpToDate, 2025.
  • GRESS, F. G. et al. Endoscopic ultrasound: Examination of the upper gastrointestinal tract. UpToDate, 2025.
  • REDDY, Y.; WILLERT, R. P. Endoscopic ultrasound: what is it and when should it be used?. Clin Med (Lond). 2009.

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