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Donanemab aprovado pela Anvisa para Alzheimer: entenda o que muda no tratamento da doença

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A Anvisa aprovou recentemente o uso do Donanemab, um anticorpo monoclonal voltado ao tratamento da doença de Alzheimer em fases iniciais. Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o medicamento foi aprovado no país e sinaliza um momento importante na busca por terapias que não apenas aliviem os sintomas, mas atuem sobre os mecanismos biológicos da doença.

O Donanemab se insere em uma nova geração de tratamentos que têm como objetivo modificar o curso da doença ao atuar diretamente sobre o acúmulo de beta-amiloide no cérebro — uma das alterações características do Alzheimer. Ainda que não seja uma cura, representa um passo relevante em direção a estratégias terapêuticas mais precisas.

O que é o Donanemab e qual sua indicação?

A Anvisa aprovou recentemente o Donanemab, um anticorpo monoclonal desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, indicado para o tratamento do Alzheimer em estágio inicial. O medicamento representa um passo importante rumo a terapias que atuam nos mecanismos biológicos da doença, e não apenas nos sintomas.

Indicação restrita e aplicação especializada

O Donanemab é indicado apenas para um grupo muito específico de pacientes: aqueles nos estágios iniciais da doença, com comprovação de acúmulo de beta-amiloide (via PET ou líquor) e com carga de proteína tau considerada baixa a moderada. Além disso, a prescrição exige a exclusão de condições clínicas que possam aumentar o risco de efeitos adversos.

Na prática, isso significa que apenas uma pequena parcela da população com Alzheimer se encaixaria nos critérios estabelecidos pelos estudos clínicos. Portanto, o uso do medicamento demanda infraestrutura diagnóstica avançada, além de acompanhamento regular e multidisciplinar.

Efeitos adversos: monitoramento é essencial

Um dos pontos que exigem atenção especial é o risco de efeitos adversos relacionados à síndrome ARIA, que envolve alterações cerebrais detectadas por imagem, como edemas e micro-hemorragias. Esses efeitos ocorreram em uma proporção considerável dos pacientes nos estudos e foram mais comuns em pessoas com predisposição genética, especialmente portadores do alelo APOE ε4.

Embora, na maioria dos casos, essas alterações sejam assintomáticas, houve registros de complicações mais graves. Isso reforça a importância do monitoramento por imagem e da seleção cuidadosa dos pacientes antes e durante o tratamento.

O que os estudos revelaram até agora

Apesar dos resultados positivos na redução de biomarcadores, as diferenças nas escalas cognitivas e funcionais — embora estatisticamente significativas — ficaram abaixo do mínimo clinicamente relevante estabelecido pelos próprios estudos. Ou seja, ainda não é possível afirmar que os efeitos percebidos pelos pacientes representem uma mudança substancial na qualidade de vida.

Esses dados não invalidam a importância da pesquisa, mas sugerem que ainda estamos diante de um tratamento em fase de consolidação, cuja eficácia real precisa ser melhor compreendida em populações mais amplas e diversas.

Perspectivas e próximos passos

A aprovação do Donanemab deve ser entendida como um avanço real, mas ainda inicial, no desenvolvimento de terapias modificadoras da doença de Alzheimer. É um sinal promissor de que a ciência está se aproximando de abordagens mais eficazes, mas que ainda exigem refinamento, monitoramento e confirmação em estudos futuros.

Para médicos e profissionais da saúde, o momento é de acompanhar com atenção os desdobramentos, oferecer orientações realistas aos pacientes e considerar cuidadosamente as indicações. A decisão de prescrever deve ser individualizada, ponderando os potenciais benefícios, os riscos envolvidos e a estrutura disponível para seguimento.

Conclusão

O Donanemab inaugura uma nova etapa no enfrentamento do Alzheimer: a de tratamentos que buscam modificar o curso da doença. Ainda que não represente uma solução definitiva, seu desenvolvimento marca um passo encorajador na direção de terapias mais direcionadas e eficazes. Com o avanço da ciência e o acúmulo de novos dados, é possível que, em um futuro próximo, tenhamos opções mais seguras, acessíveis e de maior impacto clínico. Até lá, a prudência, a seleção criteriosa e o olhar atento do profissional de saúde continuam sendo fundamentais na condução do cuidado com o paciente com Alzheimer.

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Referências bibliográficas

  1. Anvisa. Kisunla (Donanemabe) – Novo Registro. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/kisunla-donanemabe-novo-registro
  2. Sims JR, Zimmer JA, Evans CD, et al. Donanemab in Early Symptomatic Alzheimer Disease: The TRAILBLAZER-ALZ 2 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2023;330(6):512-527. doi:10.1001/jama.2023.13239
  3. van Dyck CH, Swanson CJ, Aisen P, et al. Lecanemab in Early Alzheimer’s Disease. N Engl J Med. 2023;388:9-21. doi:10.1056/NEJMoa2212948
  4. Nitrini R, Studart-Neto A. Monoclonal antibodies against beta-amyloid protein (lecanemab and donanemab) should not be used in the treatment of Alzheimer’s disease. Arq Neuro-Psiquiatr. 2025;83(5). doi:10.1055/s-0045-1808082
  5. Cummings J. Anti-Amyloid Monoclonal Antibodies are Transformative Treatments that Redefine Alzheimer’s Disease Therapeutics. Drugs. 2023;83:569–576. doi:10.1007/s40265-023-01858-9

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