Aprenda de uma vez as principais doenças neurológicas, como identificá-las e saber diagnosticá-las corretamente para a melhor abordagem ao paciente. Bons estudos!
As doenças neurológicas apresentam uma prevalência importante na epidemiologia mundial. Devido a potenciais gravidades, além de a velocidade de diagnóstico ser fundamental para tentar impedir o progresso da doença.
Prevalência e impacto das doenças neurológicas na saúde pública
Devido a complexidade do sistema nervoso central e periférico, as doenças neurológicas apresentam uma grande prevalência no mundo.
Algumas delas estão relacionadas à idade avançada, como Alzheimer, doença de Parkinson e AVC. Outras, no entanto, não se restringe à faixa etária, como a epilepsia.
As doenças neurológicas representam um ônus significativo para os sistemas de saúde, com altos custos médicos e sociais associados ao diagnóstico, tratamento e cuidados de longo prazo.
Ainda, a qualidade de vida dos pacientes é muito impactada. Para além deles, os cuidadores e familiares também são tocados pela doença. Muitos dos sintomas das doenças neurológicas envolvem a perda de autonomia e independência do paciente.
Divisão em doenças neurológicas: sistema nervoso central e periférico
Entender a topografia das doenças neurológicas facilita muito a compreensão dos seus comprometimentos funcionais.
Elas podem ser divididas em dois grupos: doenças do sistema nervosos central (SNC) e periférico (SNP).
Doenças neurológicas do SNC
O SNC é composto pelo cérebro e pela medula espinhal. As doenças neurológicas que afetam essas estruturas são consideradas doenças do SNC.
Algumas delas são:
- Acidente Vascular Cerebral (AVC);
- Doença de Alzheimer;
- Esclerose múltipla;
- Doença de Parkinson.
Na esclerose múltipla, o sistema imunológico ataca a mielina que reveste os nervos. Devido a isso, ocorre uma falha de comunicação entre o cérebro e restante do corpo.
Doenças neurológicas do SNP
Já o SNP é composto pelos nervos que se estendem do SNC. Eles incluem os nervos periféricos, raízes nervosas e gânglios nervosos. Algumas delas são:
- Neuropatia periférica, resultando em dormência, parestesia (formigamento) e fraqueza muscular;
- Síndrome do túnel do carpo, em que o nervo mediano no punho é comprimido, resultando em parestesia e fraqueza na mão e dedos;
- Polineuropatia diabética;
- Neuralgia do trigêmeo.
Principais categorias de doenças neurológicas
Devido a variedade de topografias e mecanismos subjacentes, as doenças neurológicas podem ser classificadas em diferentes grupos.
As doenças cerebrovasculares incluem aquelas cujo mecanismo base é uma hemorragia ou isquemia. Ambos os mecanismos resultam em danos ao tecido cerebral. Como exemplo, temos o AVC e a hemorragias cerebrais.
Quanto às neurodegenerativas, envolvem doenças progressivas e crônicas, caracterizadas pela degeneração progressiva das células nervosas. A causa específica depende muito de qual doença estamos falando. A exemplos, temos a doença de Alzheimer, Parkinson e a esclerose lateral amiotrófica (ELA).
Os transtornos neuromusculares englobam as doenças que afetam os músculos e os nervos responsáveis pelo controle muscular. Exemplos incluem a distrofia muscular, a miastenia gravis, a atrofia muscular espinhal e a poliomielite.
As doenças neurometabólicas são genéticas que afetam o metabolismo das células nervosas, resultando em problemas no desenvolvimento e funcionamento do sistema nervoso. Exemplos incluem a fenilcetonúria, a doença de Tay-Sachs e a doença de Niemann-Pick.
Já as doenças inflamatórias do sistema nervoso incluem condições como a esclerose múltipla, a encefalite autoimune e a meningite, que envolvem inflamação e danos ao sistema nervoso. As neuroinfecciosas, por sua vez, são causadas por infecções que afetam o sistema nervoso, como a meningite bacteriana, a encefalite viral e a doença de Lyme.
Por último, doenças do movimento envolvem distúrbios que afetam o controle do movimento, como a doença de Parkinson, a distonia, a ataxia e a coreia de Huntington.
Anamnese detalhada e histórico do paciente
A anamnese do paciente com suspeita de doença neurológica deve incluir informações que colaborem para o diagnóstico. Por isso, questionar sobre histórico médico de outras comorbidades pode colaborar muito para as suspeitas diagnósticas.
É importante identificar o motivo da consulta, os sintomas específicos relatados pelo paciente e a duração dos sintomas. Ainda, colha informações sobre outras condições médicas pré-existentes, histórico de doenças neurológicas na família ou em parentes próximos, e histórico de lesões na cabeça ou no sistema nervoso.
Verifique se o paciente já teve algum episódio anterior de sintomas neurológicos semelhantes, como dores de cabeça, tonturas, convulsões, perda de consciência, alterações visuais. Ainda, explore sintomas específicos relacionados à função:
- Motora;
- Sensibilidade;
- Equilíbrio;
- Coordenação;
- Linguagem;
- Memória;
- Comportamento;
- Sono.
Exame clínico: identificando as doenças neurológicas
O exame físico neurológico é parte fundamental do atendimento. É por meio dele que conseguimos entender a extensão dos sintomas e suspeitar de determinada topografia ou categoria da doença.
Devemos considerar que a semiologia neurológica pode ser complexa devido às dificuldades enfrentadas pelos pacientes ao descreverem suas sensações. Para auxiliar o raciocínio clínico, utiliza-se um modelo de três etapas para o diagnóstico:
- Sindrômico: refere-se ao conjunto de sinais e sintomas apresentados pelo paciente;
- Topográfico: indica o local da lesão responsável pelos sintomas do paciente;
- Etiológico: identifica a causa subjacente da lesão, como causas vasculares, inflamatórias, degenerativas, entre outras.
No exame físico, realizaremos testes específicos para avaliar todas funções citadas no tópico anterior.
Exames complementares: entenda a neuroimagem nas doenças neurológicas
A neuroimagem é fundamental para um bom diagnóstico das doenças neurológicas.
Os principais exames realizados são a Ressonância Magnética (RM) e a Tomografia Computadorizada (TC).
A ressonância magnética tem uma alta resolução espacial. Por isso, por meio dela é possível visualizar estruturas anatômicas detalhadamente, como o cérebro, medula espinhal e vasos sanguíneos. Uma ferramenta utilizada na ressonância magnética é o contraste e as diferentes sequências. Assim, aspectos específicos como lesões infamatórias e tumores podem ser destacados.
A tomografia computadorizada também avalia muito rapidamente condições agudas, como traumatismos cranianos e hemorragias. A resolução da TC é inferior à da RM, mas é um método muito valioso na avaliação.
A tomografia por emissão de pósitrons (PET) é uma técnica de neuroimagem funcional que utiliza radiofármacos para avaliar o metabolismo cerebral, o fluxo sanguíneo e a atividade neuronal. É particularmente útil no estudo de condições como epilepsia, tumores cerebrais e doença de Alzheimer, fornecendo informações sobre a função cerebral em nível molecular.

Outro exame que tem se popularizado recentemente é o eletroencefalograma (EEG). Por meio dele, são investigados sintomas vários. Sua utilidade tenha ganhado destaque na avaliação da epilepsia.
Abordagem terapêutica multidisciplinar e uso medicações nas doenças neurológicas
O tratamento e a gestão adequados das doenças neurológicas requerem uma abordagem multidisciplinar envolvendo médicos especialistas, equipes de enfermagem, terapeutas, psicólogos e outros profissionais de saúde.
As medicações utilizadas na abordagem ao paciente com doenças neurológicas envolvem medicamentos para:
- Controle da dor: Analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides, opioides e adjuvantes farmacológicos podem ser prescritos para aliviar a dor associada a condições neurológicas, como enxaquecas, neuropatias e neuralgias.
- Controle de convulsões: Anticonvulsivantes são utilizados para prevenir e controlar crises convulsivas em condições como epilepsia e transtornos convulsivos.
- Tratamento de doenças neurodegenerativas: Em doenças como a doença de Parkinson e a doença de Alzheimer, medicamentos específicos podem ser prescritos para ajudar a controlar os sintomas, retardar a progressão da doença ou melhorar a qualidade de vida.
- Controle de transtornos do humor e distúrbios psiquiátricos: Em doenças neurológicas que apresentam sintomas psiquiátricos, como a esclerose múltipla ou a doença de Huntington, medicamentos psicotrópicos podem ser indicados para o controle dos sintomas emocionais e comportamentais.
Embora a grande maioria das doenças neurológicas envolvam o controle de sintomas por meio de medicações, outras intervenções são de grande valor.
Muitos pacientes perdem a habilidade de deglutir, falar ou ter coordenação motora. Por isso, o acompanhamento com profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional podem auxiliar o paciente na sua reabilitação física.
A psicoterapia, por sua vez, é importante no auxílio à adaptação emocional, a lidar com a ansiedade, depressão e melhora da qualidade de vida dos pacientes. Juntamente a eles, os profissionais de assistência social podem oferecer apoio e orientação durante todo o processo.
Acompanhamento e suporte psicológico ao paciente com doença neurológica
A disponibilidade de recursos e serviços especializados, como centros de referência e reabilitação neurológica, é fundamental para garantir o melhor cuidado possível aos pacientes.
O suporte psicológico oferece ao paciente estratégias que são eficazes para lidar com os desafios após o evento patológico. Isso pode incluir técnicas de relaxamento, terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades de enfrentamento e desenvolvimento de resiliência.
Essas estratégias ajudam o paciente a lidar com o estresse, a gerenciar sintomas e a melhorar a qualidade de vida.
Pacientes com doenças neurológicas frequentemente enfrentam um tratamento complexo e contínuo, que pode envolver medicações, terapias físicas, reabilitação e cuidados específicos.
O suporte psicológico auxilia na melhoria da adesão ao tratamento, oferecendo motivação, educação sobre a importância do cumprimento do tratamento e abordando possíveis barreiras emocionais ou psicológicas que possam interferir na adesão.
Novas descobertas sobre causas e mecanismos das doenças
As doenças neurológicas são grande objeto de novas pesquisas.
Atualmente, a ciência tem se dedicado ao estudo de sequenciamento genético associado à doenças de Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e distúrbios do espectro autista. Esses avanços são importantes para entender os mecanismos por trás das doenças, e possibilidades de interrompermos o avanço de sintomas.
Além disso, a comunicação entre o intestino e o cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro, tem sido objeto de estudo em doenças neurológicas. A composição da microbiota intestinal pode influenciar a função cerebral e foi associada a condições como esclerose múltipla, doença de Parkinson e autismo.
Compreender a interação entre o microbioma intestinal e o sistema nervoso central pode levar a novas estratégias terapêuticas, como a modificação da microbiota ou o uso de probióticos.

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Perguntas frequentes
- Quais são algumas das principais doenças neurológicas?
Alzheimer, Parkinson, Esclerose Múltipla, AVC (Acidente Vascular Cerebral), Epilepsia. - Quais são alguns dos sintomas comuns das doenças neurológicas?
Dor de cabeça, tontura, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, alterações na fala, perda de memória. - Como são diagnosticadas as doenças neurológicas?
Por meio de exames clínicos, testes neurológicos, neuroimagem (como ressonância magnética ou tomografia computadorizada) e análise do histórico médico do paciente.