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Diretriz: Tratamento não medicamentoso no manejo da hipertensão arterial sistêmica da Sociedade Brasileira de Cardiologia | Ligas

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A diretriz sobre tratamento não medicamentoso no manejo da hipertensão arterial é abordada dentro das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, publicada em 2020, sendo uma parceria entre o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA-SBC), Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

Essa abordagem é de suma importância uma vez que condições como a obesidade, tabagismo, sedentarismo e dieta não saudável contribuem negativamente para se atingir os alvos necessários para o controle da pressão arterial. Desta forma, saber como conduzir e orientar adequadamente o paciente, possibilita uma melhor abordagem no manejo da hipertensão arterial.

O que mudou na atual diretriz sobre tratamento não medicamentoso no manejo da hipertensão arterial sistêmica em relação à anterior, publicada em 2016

A principal mudança que se destaca quando se compara as duas diretrizes é que a diretriz anterior apresentou um enfoque nos aspectos relacionados à nutrição, perda de peso e atividade física. Já a diretriz publicada em 2020, além de abordar e atualizar os aspectos mencionados na diretriz de 2016, reforçou outros parâmetros que colaboram para o tratamento não medicamentoso da hipertensão arterial, como a cessação do tabagismo e do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, técnicas de respiração lenta, controle do estresse e a espiritualidade / religiosidade.

Tabagismo

O tabagismo é um dos principais fatores de risco cardiovasculares seja qual for a forma utilizada (cigarro, charuto, narguilé, entre outros), além de elevar a PA, em média, de 5 a 10 mmHg. É importante destacar ainda que, embora não existam estudos que evidenciem o efeito benéfico de cessar o tabagismo sobre o controle da hipertensão arterial, a adoção de tal prática deve ser sempre incentivada, devido ao risco de desenvolvimento de patologias cardiovasculares e de neoplasias que podem ocorrer em consequência ao uso do tabaco.

Padrão alimentar

A alimentação saudável tem sido associada à diminuição da pressão arterial (PA). A realização da dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) se mostrou eficiente na redução da PA, uma vez que sua prática alimentar inclui um maior consumo de frutas, cereais integrais e hortaliças junto a uma redução do consumo de doces, gorduras e carnes vermelhas. Quando se associa o método DASH com a restrição do sódio, pode-se obter uma diminuição de pressão arterial sistólica (PAS) em até 11,5 mmHg em pacientes hipertensos e de 7,1 mmHg em normotensos. Além disso, diversos estudos mostram que a dieta DASH se associa ao menor risco de mortalidade cardiovascular, doença renal e acidente vascular encefálico.

Sódio da dieta

A ingesta de sódio recomendada para a população, incluindo hipertensos, é de até 2g/dia, entretanto, mostra-se que a média mundial é de 4 g/dia. Estudos provam que a ingesta de sódio se associa de forma direta com o aumento da pressão arterial, apontando que mesmo com uma pequena diminuição no consumo do sódio já se consegue produzir um efeito hipotensor, principalmente, em pacientes hipertensos. Além disso, uma dieta em pacientes hipertensos com aproximadamente 1,8g/dia de sódio pode reduzir a PAS em até 5,4 mmHg.

Entre os principais alimentos com grande quantidade de sódio, pode-se citar as carnes processadas, bacon, enlatados, nuggets, temperos prontos e lanches industrializados. Ademais, é válido destacar, ainda, que sais como o sal rosa do Himalaia e o sal marinho apresentam o mesmo conteúdo de cloreto de sódio que o sal grosso ou o sal de cozinha.

Potássio

Entre os alimentos ricos em potássio, destacam-se o abacate, damasco, iogurte desnatados, folhas verdes, feijão, laranja, tomate, entre outros. Diversos estudos randomizados fizeram o teste de substituir o sal de cozinha (cloreto de sódio) por formulações que apresentassem sal com baixo teor de sódio e uma maior quantidade de potássio, demonstrando uma diminuição na pressão arterial. Além disso, uma metanálise realizada na China sobre a restrição de sódio na qual também foi substituído o cloreto de sódio por cloreto de potássio demonstrou uma redução significativa na pressão arterial sistólica (- 5,7 mmHg) e na diastólica (- 2,0 mmHg).

Laticínios

Há um grupo heterogêneo de alimentos na classe dos laticínios e sua repercussão sobre a saúde deve ser analisada levando em consideração todos os seus componentes. Embora possuam uma grande quantidade de ácidos graxos saturados na sua versão integral, eles podem apresentar constituintes com potencial benéfico, como a proteína do soro do leite, cálcio, magnésio, potássio e vitamina K. Além disso, estudos randomizados apontam que os laticínios pobres em gordura (que é o indicado pelas diretrizes alimentares) podem contribuir para a ocorrência de um efeito hipotensor modesto.

Chocolate e produtos com cacau

A ingesta aumentada de produtos com cacau mostrou uma redução de 4,5 mmHg na PAS e de 2,5 mmHg na pressão arterial diastólica (PAD). Entretanto, deve-se destacar que o consumo de produtos do cacau integra calorias à dieta que devem ser compensadas com algum grau de restrição alimentar.

Café e produtos com cafeína

O café apresenta compostos bioativos, potássio e magnésio, além da cafeína, que podem ajudar na diminuição da PA. Apesar da cafeína ter a capacidade de aumentar agudamente a pressão arterial, por mais de três horas, o seu consumo de forma regular é capaz de levar à tolerância.

É importante frisar que o consumo de café a longo prazo, dentro da quantidade recomendada (≤ 200 mg de cafeína), não mostra associação com uma maior incidência de hipertensão arterial, tendo até mesmo, um pequeno efeito na redução do risco de hipertensão, conforme mostram metanálises.

Vitamina D

O papel da vitamina D no manejo e no controle da pressão arterial não se mostra definido, já que alguns estudos sugestionam que a deficiência desta vitamina está relacionada ao aumento da PA ou à maior incidência de hipertensão e outros mostram que a realização de suplementação de vitamina D não trouxe resultados consistentes.

Suplementos e substitutos

Em relação à suplementação de cálcio, embora pareça que possa exercer uma discreta prevenção da hipertensão, ainda não está estipulado o seu papel no tratamento. Além disso, foi evidenciado que a utilização de multiminerais e multivitaminas pode diminuir a pressão arterial em pacientes com doenças crônicas, levando a uma redução de até 7,98 mmHg na pressão arterial sistólica.

Perda de peso

Existe praticamente uma associação linear entre índices de obesidade e pressão arterial. A perda ponderal de peso ajuda na diminuição da PA, como foram demonstrados em estudos, na qual, a perda ponderal de 5,1 Kg contribui para a redução de, em média, 4,4 mmHg da PAS e de 3,6 mmHg da PAD. Desta forma, observa-se que para pacientes com sobrepeso ou obesidade, é de extrema importância a perda ponderal para o manejo da hipertensão arterial, sendo que a avaliação da adiposidade corporal deve ir além da observação do índice de massa corporal, precisando também, analisar outros indicadores, como, por exemplo, a circunferência abdominal.

Consumo de bebidas alcoólicas

Nota-se, também, uma relação de linearidade entre pressão arterial e o consumo de bebidas alcoólicas, principalmente quando se refere ao fato do consumo excessivo estar relacionado a uma maior prevalência de hipertensão arterial. Uma metanálise demonstrou que pacientes que faziam uso de mais de dois drinques por dia, quando se realizou a diminuição no consumo de bebidas alcoólicas, obteve-se uma maior diminuição da PA, reduzindo, em média, 5,5 mmHg na PAS e 3,97 na PAD.

Atividade física e exercício físico

Atividade física é qualquer movimento corporal, como, por exemplo, locomoção, atividades domésticas e laborais, na qual faça com que ocorra o aumento do gasto energético acima daquele em repouso. Já o exercício físico está relacionado à atividade física feita de forma organizada, estruturada e com o objetivo de melhorar a aptidão física e/ou a saúde. É recomendado que se realize, pelo menos, 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada, uma vez que a prática regular colabora com a redução da incidência da hipertensão arterial.

No caso do tratamento da hipertensão arterial, além das atividades físicas, pode se conseguir benefícios adicionais pela realização de exercícios físicos estruturados, fazendo o treinamento aeróbico (por exemplo, caminhar, correr, nadar) com uma frequência de três a cinco vezes na semana, por 30 a 60 minutos; complementando com o treinamento resistido, de duas a três vezes na semana, realizando 8 a 10 exercícios para os principais grupos musculares. É válido destacar que pacientes hipertensos que são portadores de comorbidades ou que desejem fazer atividades de alta intensidade devem sempre realizar uma avaliação médica prévia.

Respiração lenta

A respiração lenta ou guiada necessita, durante 15 a 20 minutos por dia, da diminuição da frequência respiratória para menos de 6 a 10 respirações por minuto a fim de propiciar a redução na pressão arterial casual. Ademais, estudos mostram que exercícios voluntários de respiração lenta, em curto prazo, podem diminuir a PAS e a PAD de indivíduos hipertensos portadores de doença cardiovascular, como demonstrado em uma metanálise na qual se comparou seis trials de exercícios de respiração lenta voluntária com a respiração natural e observou-se uma redução de 6,36 mmHg na pressão arterial sistólica e 6,39 mmHg na diastólica.

Controle de estresse

Em geral, não se apresentaram evidências marcantes da eficácia da utilização de técnicas utilizadas no manejo de estresse (meditação transcendental, terapias comportamentais, ioga, terapias de relaxamento, entre outras), demonstrando apenas uma tendência de diminuição da pressão arterial, sejam usadas em conjunto ou de forma isolada.

Espiritualidade e religiosidade

A espiritualidade se relaciona a um conjunto de valores emocionais, mentais e morais na qual direcionam as atitudes, pensamentos e comportamentos. Alguns estudos indicam uma associação entre os índices de espiritualidade ou religiosidade com uma diminuição das taxas de mortalidade por todas as causas bem como uma melhora na qualidade de vida, sendo que um dos principais mecanismos envolvidos são as modificações favoráveis de estilo de vida.

Além disso, uma revisão recente trouxe que elementos de espiritualidade e religiosidade podem ajudar na adesão ao tratamento farmacológico. Entretanto, mesmo que hajam evidências que estudos observacionais que conectam a espiritualidade/religiosidade e hipertensão arterial, são poucos os estudos que avaliam os efeitos de intervenções nesse aspecto.

O que muda no dia seguinte

As orientações oferecidas pela diretriz sobre tratamento não medicamentoso da hipertensão arterial sistêmica são bem eficazes e podem contribuir muito para a melhora da qualidade de vida da população, uma vez que, tais medidas, por não exigir grande complexidade, podem ser implementadas pelos profissionais de saúde no âmbito da Atenção Primária à Saúde, principalmente, através do trabalho de uma equipe multiprofissional (contando com o médico de família, enfermeiro, nutricionista, educador físico) e interdisciplinar, seja por meio de orientação nas consultas e/ou através de rodas de conversas ou realização de atividades físicas ofertadas que podem ser ofertadas pelo Núcleo Ampliado de Saúde da Família.

Autor, revisor e orientador:

Autor: Gabriel dos Reis Pinto – Acadêmico de Medicina da Universidade Federal de Alfenas

Revisora: Paula Camelo de Almeida Santos – Acadêmica de Medicina da Universidade Federal de Alfenas – @paula.alm

Orientadora: Nome – Hudsara Aparecida de Almeida Paula – @wood__sara

O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

FUCHS, Sandra C. et al. Tratamento não medicamentoso. In: BARROSO, Weimar Kunz Sebba et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2020. p. 516-658. Disponível em: https://abccardiol.org/wp-content/uploads/articles_xml/0066-782X-abc-116-03-0516/0066-782X-abc-116-03-0516.x44344.pdf. Acesso em: 28 maio 2021.

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