Distúrbios de pele: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica.
As doenças de pele, ou distúrbios dermatológicos, constituem uma ampla gama de condições que afetam a integridade e a saúde da pele.
Essas doenças podem variar desde condições comuns, como acne e dermatite atópica, até distúrbios mais complexos, como câncer de pele.
Quais são os principais distúrbios de pele?
Existem diversos distúrbios de pele, cada um com suas características específicas. Dentre os principais distúrbios de pele é possível citar:
- Acne
- Dermatite atópica
- Psoríase
- Vitiligo
- Rosácea
- Câncer de pele
- Urticária
- Dermatite seborreica
Acne: diagnóstico e manejo
A acne, uma das condições mais comuns, frequentemente afeta adolescentes devido às mudanças hormonais durante a puberdade.
No entanto, pode persistir na idade adulta e é influenciada por fatores genéticos, hormonais e ambientais. Caracterizada por espinhas, cravos e lesões inflamadas.
Como é feito o diagnóstico de acne?
O diagnóstico e manejo da acne são fundamentais para controlar essa condição cutânea comum, que pode afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
A avaliação clínica desempenha um papel crucial, com o médico examinando a pele, classificando a gravidade da acne e investigando fatores contribuintes.
Tratamento da acne
Uma vez estabelecido o diagnóstico, a abordagem ao paciente com acne envolve diversas estratégias. Os cuidados com a pele desempenham um papel central, com uma rotina que inclui:
- Limpeza
- Hidratação
- Uso de produtos não comedogênicos.
Tratamentos tópicos, como peróxido de benzoíla, ácido salicílico ou retinoides, são frequentemente recomendados para controlar a produção de sebo e reduzir a inflamação.
Em casos de acne inflamatória mais pronunciada, podem ser prescritos antibióticos tópicos ou sistêmicos para controlar a infecção bacteriana. Em situações em que desequilíbrios hormonais estão implicados, especialmente em mulheres, a terapia hormonal, como o uso de pílulas anticoncepcionais, pode ser considerada.
Nos casos mais graves ou persistentes, a isotretinoína, um medicamento oral potente, pode ser prescrita, mas requer monitoramento rigoroso devido a potenciais efeitos colaterais.
Dermatite atópica: como reconhecer esse distúrbio na pele?
A dermatite atópica, ou eczema, é outra condição prevalente, especialmente em crianças. Sua persistência na idade adulta é frequentemente associada a uma história familiar de atopia.
Diagnóstico clínico da dermatite atópica
A avaliação clínica é a base desse processo, envolvendo uma análise detalhada da pele, identificação de lesões características e a investigação de fatores desencadeantes.
A dermatite atópica é frequentemente classificada em diferentes graus de gravidade, desde formas leves até casos mais moderados e graves. A identificação de fatores contribuintes, como:
- Alérgenos
- Irritantes
- Histórico familiar de atopia
É fundamental para direcionar o tratamento.
Cuidados com a pele do paciente com dermatite atópica
É necessário estabelecer uma rotina de cuidados com a pele, incluindo o uso de emolientes e sabonetes suaves para manter a hidratação. O paciente deve aplicar regularmente cremes hidratantes para prevenir a secura da pele e aliviar a coceira. Em casos de coceira intensa, o uso de anti-histamínicos pode ser recomendado.
Em situações mais resistentes, imunomoduladores tópicos, como tacrolimo ou pimecrolimo, podem ser prescritos.
Psoríase: sintomas e diagnóstico
A psoríase, uma doença autoimune que causa o crescimento acelerado de células da pele, afeta cerca de 2% da população mundial. Suas causas envolvem influências genéticas e fatores ambientais, como o estresse.
É uma condição crônica da pele que se manifesta por meio de lesões escamosas e inflamadas. Os principais sintomas são:
- Placas vermelhas e elevadas
- Prurido
- Unhas afetadas
- Lesões nas articulações: em alguns casos, a psoríase pode estar associada a uma forma de artrite psoriásica, que afeta as articulações, causando dor e inflamação
- Lesões no couro cabeludo
- Pústulas: em formas mais raras, a psoríase pustulosa pode se manifestar com pequenas pústulas cheias de pus.
Como é feito o diagnóstico de psoríase?
O médico realiza um exame físico detalhado da pele, procurando por características típicas da psoríase, como placas elevadas, vermelhas e escamosas.
Em casos mais complexos ou quando há dúvidas quanto ao diagnóstico, o médico pode optar por fazer uma biópsia de pele. Isso envolve a remoção de uma pequena amostra de tecido para análise laboratorial.
A biópsia geralmente mostra características específicas da psoríase, como hiperproliferação de queratinócitos e inflamação.
Tratamento da psoríase
O tratamento da psoríase pode variar dependendo da gravidade da condição, da extensão das lesões, dos sintomas apresentados pelo paciente e de outros fatores individuais.
É importante ressaltar que não há cura definitiva para a psoríase, mas diversos tratamentos podem controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Os principais medicamentos utilizados são:
- Corticosteroides tópicos: reduzem a inflamação e aliviam a coceira
- Análogos de vitamina D: regulam o crescimento celular e reduzem a descamação
- Análogos de vitamina A: normalmente usados em áreas espessas da pele, como palmas e plantas
- Cremes com alcatrão ou ácido salicílico: podem ajudar a reduzir a descamação.
- Medicamentos imunossupressores: reduzem a resposta imunológica.
Distúrbios na pele: vitiligo
O vitiligo é uma condição de pele caracterizada pela perda progressiva de pigmento, resultando em manchas claras ou brancas na pele. Tem uma prevalência de 0,5 a 2% globalmente, sendo associado a predisposição genética e fatores autoimunes.
Essa condição ocorre quando as células responsáveis pela produção de melanina, os melanócitos, são destruídas ou não funcionam adequadamente.
Tratamento do vitiligo
O tratamento do vitiligo é desafiador e varia de acordo com a extensão das lesões, a idade do paciente e outros fatores individuais. Não há uma abordagem única que funcione para todos os casos, e o objetivo principal do tratamento é, muitas vezes, melhorar a aparência estética e proporcionar suporte emocional aos pacientes.
Tratamentos tópicos são frequentemente utilizados e podem incluir o uso de corticosteroides para reduzir a inflamação e estimular a repigmentação. Outras opções incluem o uso de medicamentos que afetam o sistema imunológico, como tacrolimo ou pimecrolimo.
A fototerapia, que envolve a exposição da pele a luz ultravioleta controlada, também é uma opção de tratamento para algumas pessoas com vitiligo. A terapia combinada, que envolve o uso de medicamentos tópicos e fototerapia, pode ser prescrita para otimizar os resultados.
Em casos mais extensos ou persistentes, os médicos podem considerar tratamentos mais invasivos, como o transplante de melanócitos, onde células pigmentadas são transplantadas para as áreas afetadas.
Rosácea: como identificar esse distúrbio de pele?
A rosácea é uma condição cutânea crônica que afeta principalmente o rosto, caracterizada por:
- Vermelhidão
- Vasos sanguíneos dilatados
- Inflamação
- Em casos mais avançados, protuberâncias e inchaços.
Embora a rosácea seja mais comum em adultos de meia-idade, pode afetar pessoas de todas as idades.
Diagnóstico e tratamento da rosácea
O diagnóstico da rosácea é geralmente feito com base nos sintomas visíveis e na exclusão de outras condições de pele. Não há testes específicos para diagnosticar a rosácea, mas um dermatologista pode realizar uma avaliação clínica detalhada.
O tratamento da rosácea visa controlar os sintomas e pode incluir:
- Cuidados com a pele
- Medicamentos tópicos: cremes ou géis contendo ingredientes como metronidazol ou ácido azelaico podem ser prescritos
- Medicamentos orais: antibióticos orais, como doxiciclina ou tetraciclina, podem ser recomendados em casos de inflamação mais severa
- Terapia a laser ou luz pulsada intensa (IPL): pode ajudar a reduzir a vermelhidão e vasos sanguíneos dilatados
- Cuidados com o estilo de vida: evitar gatilhos conhecidos, como alimentos picantes, bebidas alcoólicas, sol em excesso e estresse
- Cuidados oculares: para casos de rosácea ocular, colírios e medidas para aliviar os sintomas oculares podem ser recomendados.
Câncer de pele: como reconhecer esse distúrbio de pele?
O câncer de pele, por sua vez, apresenta uma incidência crescente em todo o mundo, principalmente em áreas com alta exposição solar, e está associado a fatores como idade avançada e histórico familiar.
Entenda mais sobre o tema lendo o nosso texto sobre câncer de pele!
Distúrbios na pele: dermatite seborreica
A dermatite seborreica é um distúrbio inflamatório da pele que afeta áreas ricas em glândulas sebáceas, como o couro cabeludo, face, peito e costas. Essa condição é comumente conhecida como caspa quando ocorre no couro cabeludo.
A dermatite seborreica não está completamente compreendida, mas fatores genéticos, hormonais, e a presença do fungo Malassezia podem desempenhar papéis na sua ocorrência.
Os principais sintomas dessa doença são:
- Escamas e descamação: a pele afetada pode desenvolver escamas amareladas ou brancas, que podem ser visíveis em áreas como o couro cabeludo, sobrancelhas, orelhas e região facial
- Hiperemia
- Prurido
- Pele oleosa
- Possível inflamação
Tratamento da dermatite atópica
O tratamento da dermatite seborreica pode envolver:
- Cuidados com a higiene: lavar a área afetada regularmente com shampoos ou sabonetes suaves pode ajudar a controlar a oleosidade e remover as escamas
- Shampoos antifúngicos: shampoos contendo ingredientes antifúngicos, como piritionato de zinco, sulfeto de selênio ou cetoconazol, podem ser prescritos para o tratamento da caspa
- Cremes ou loções tópicas: para áreas não relacionadas ao couro cabeludo, o médico pode recomendar cremes ou loções contendo corticosteroides ou outros ingredientes anti-inflamatórios
- Evitar fatores desencadeantes: evitar fatores que podem desencadear ou piorar os sintomas, como estresse, clima seco ou determinados produtos para a pele
- Tratamentos sistêmicos: em casos mais graves, o médico pode prescrever medicamentos orais, como antifúngicos ou corticosteroides, para controle dos sintomas.
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Referência bibliográfica
- AZULAY, Rubem David e AZULAY, David Rubem. Dermatologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
- SAMPAIO, Sebastião A. P.; CASTRO, Raimundo M.; RIVITTI, Evandro A. Dermatologia básica. 3. ed. São Paulo: Artes Médicas, 2008.
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