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Crises Hipertensivas
Sabemos que a hipertensão arterial é uma entidade patológica que acarreta alta carga de morbimortalidade. Ao pensarmos nos efeitos deletérios da hipertensão, é comum o foco nas lesões crônicas em órgãos-alvo que a elevação sustentada da pressão arterial provoca ao logo do tempo.
Entretanto, níveis pressóricos muito elevados que causem ou tenham grande potencial de causar lesões orgânicas de forma aguda constituem episódios de crises hipertensivas (CH).
As crises hipertensivas são classificadas em dois subtipos, cujos pontos de corte para os valores pressóricos são controversos, mas em geral se apresentam como:
Urgências hipertensivas (UH)
Pacientes clinicamente sintomáticos em que há elevação acentuada da pressão arterial diastólica (PAD) com valores > 120 mmHg, sem lesões de órgãos-alvos (LOA) agudas e progressivas.
Emergências hipertensivas (EH)
Pacientes clinicamente sintomáticos em que há elevação acentuada da pressão arterial com pressão arterial sistólica (PAS) >180mmHg e PAD > 120 mmHg com LOA aguda e progressiva.
O valor considerado para definição é empírico, levando menos em conta a pressão arterial sistólica por conta de sua maior variabilidade. Por conta do valor empírico, há determinadas condições clínicas que são consideradas EH a despeito de valores pressóricos inferiores aos da definição. Alguns exemplos são a eclampsia, dissecção de aguda aórtica e glomerulonefrite em crianças.
Além do valor absoluto aferido da pressão arterial, outra variável importante e de difícil precisão é a velocidade de elevação pressórica, pois quanto mais rápida, maior a chance de lesão, por não haver tempo para adaptação ao mecanismo de autorregulação pressórica.
As CH podem ser divididas em 2 grupos:
- A emergência é causada apenas pelo aumento da PA e os danos que essa elevação causa em diversos órgãos e sistemas: é o caso de quadros como o edema agudo de pulmão (EAP) hipertensivo, encefalopatia hipertensiva e acidente vascular hemorrágico (AVCh). No caso do EAP, por exemplo, os elevados níveis da PA dificultam o esvaziamento ventricular e causam o aumento da pressão hidrostática nos pulmões. A gênese do quadro clínico é a própria elevação aguda da PA.
- Um outro processo está sendo agravado pela elevação aguda da PA: é, por exemplo, o caso da dissecção aguda da aorta, em que uma lesão na camada íntima do vaso permite a criação de uma falsa luz, processo este que é agravado por altos níveis tensionais que aumentam a extensão, e consequentemente gravidade, da dissecção.
Nem todo paciente com pressão elevada e sintomas é classificado dentro das CH. Pacientes com queixas de cefaleia, dor torácica atípica, dispneia, estresse psicológico agudo e síndrome de pânico associados à PA elevada não caracterizam UH ou EH, mas sim como pseudocrises hipertensivas.
Nesses casos, os mecanismos fisiopatológicos não envolvem o risco potencial ou evidências de lesão aguda de órgãos-alvo ou iminência de morte. É uma condição bastante prevalente nas unidades de pronto atendimento brasileiras. Os casos de pseudocrises hipertensivas são tratados inicialmente com a colocação do paciente em observação em ambiente calmo e tranquilo.
Pode-se utilizar analgésico ou calmantes, se necessário. Não há necessidade do paciente se apresentar normotenso para que receba alta da unidade de emergência. Nesses casos, após o controle dos sintomas, o paciente deve ser orientado a buscar tratamento ambulatorial para controle da pressão arterial.
Epidemiologia Crises Hipertensivas

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