As condições psiquiátricas associadas à COVID-19 será o objeto do assunto do nosso post.
Os esforços empregados para conter o avanço da pandemia (incluindo distanciamento social, quarentena, fechamento de comércio e escolas) levaram a uma queda na economia sem precedentes.
Há uma preocupação que os eventos estressores citados, quando unidos à fatores psicológicos diversos, como sensação de perda de controle, medo de morrer, isolamento, etc., estejam contribuindo para a emergência de desfechos psiquiátricos associados à pandemia pelo novo coronavírus.
Para agravar a situação, os coronavírus podem induzir desregulação comportamental, cognitiva, emocional e neurovegetativa. Os mecanismos biológicos implicados incluem neuroinvasão direta e gatilho para ativação dos sistema imune.
Os coronavírus podem ser capazes de invadir o sistema nervoso central através de rotas neuronais ou hematológicas.
A rota neuronal envolve o transporte do vírus para o SNC da cavidade nasal ou rinofaringe através do nervo olfatório ou trigêmio, e do trato respiratório baixo através do nervo vago.
A invasão pela via hematogênica se dá pela corrente sanguínea e pode envolver 3 componentes, a depender de qual célula leva o vírus para o SNC:
- Leucócitos podem servir como veículo de disseminação para o SNC;
- Células endoteliais pertencentes à barreira hematoencefálica;
- Células endoteliais localizadas no plexo coroide;
Meta-análise mostra condições psiquiátricas associadas à COVID-19
Estudo recente de revisão e meta-análise trouxe dados relativos à desfechos psiquiátricos associados à SARS, MERS e SARS-CoV-2, divididos em diferentes padrões temporais. Estes podem ser divididos em distúrbios psiquiátricos agudos (delirium principalmente) e tardios.
Os distúrbios psiquiátricos tardios incluem depressão, distúrbios de ansiedade e transtornos de estresse pós-traumático. Os distúrbios tardios podem ser explicados por mecanismos autoimunes, de substratos celulares autoimunes e pela permanência do vírus no SNC.
Tais mecanismos constituem campos de pesquisa para os próximos anos.
Tratamento de depressão pós COVID-19
Para médicos que se deparam com pacientes depressivos após infecção pelo SARS-CoV-2, exame e história clínica detalhados são de extrema importância. Exames de neuroimagem (especialmente para avaliação vascular) são de grande ajuda para diferenciar comorbidades ou condições neurológicas pré-existentes.
Achados laboratoriais também se fazem necessários na medida que ajudam a detectar comorbidades clínicas que pioram o quadro, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina C ou Diabetes.
Perspectivas de tratamento
Os avanços no tratamento com antivirais ou vacinas que tenham como alvo o SARS-CoV-2, como anticorpos neutralizantes contra a proteína Spike, ou terapias imunes com interferons, anticitocinas e corticoesteroides, não apenas podem prevenir doença grave, mas beneficiarão a saúde mental.
Adicionalmente, depressão pós AVC poderá ser melhor prevenida com terapias que visem promover a integridade endotelial e o impacto das coagulopatias e tendências pró-trombóticas vistas na infecção pelo SARS-CoV-2.
Ademais, o entendimento completo dos mecanismos biológicos e psicológicos envolvidos nas condições psiquiátricas associadas à COVID-19 demandam esforços de pesquisas multidisciplinares no futuro.
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