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Como se comportar em um centro cirúrgico | Colunistas

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Entrar em um centro cirúrgico é sempre um momento de tensão, entretanto é bem mais simples que se imagina, porém deveremos estar preparados e com os procedimentos necessários esquematizados em nossa cabeça.

Para facilitar o entendimento sobre o assunto, esse texto visa o esclarecimento para as etapas de preparação para se comportar em um centro cirúrgico.

O QUE É UM CENTRO CIRURGÍCO

É um ambiente hospitalar de setor restrito, composto por diversas áreas que buscam promover condições adequadas para a realização de procedimentos anestésicos e cirúrgicos. Esse ambiente é dividido em zonas: a zona de proteção, a zona limpa e a zona estéril. E cada zona específica exige que o profissional esteja portando uma determinada vestimenta.

PREPARAÇÃO

Divide-se em:

1) Divisão do centro cirúrgico.

2) Lavagem cirúrgicas das mãos.

3) Paramentação

4) Arrumação da mesa cirúrgica.

5) Arrumação dos campos e disposição da equipe.

DIVISÃO DAS ZONAS

  1. Zona de proteção (irrestrita): vestiário, área de transferência, expurgo e corredor periférico. Nesse ambiente, o profissional terá acesso aos materiais necessários para a circulação na zona seguinte, a zona limpa, a qual requer paramentação especial.
  2. Zona limpa (semi-irrestrita): conforto médico, secretaria, sala de recepção do paciente, sala de recuperação pós-anestésica, almoxarifado, sala de acondicionamento de material esterilizado, serviços auxiliares e lavabos. Requer que o profissional esteja paramentado com pijama cirúrgico, propés e touca.
  3. Zona estéril (restrita): salas cirúrgicas. Requer, a utilização da máscara cirúrgica, e os itens anteriores.
FIGURA: Exemplo de centro cirúrgico e suas zonas.
CRÉDITOS: monitoria de técnica operatória e cirurgia experimental I – Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Mas nesse âmbito, o mais importante é sabermos a diferença de assepsia e antissepsia para circular nas zonas de maneira que você não se contamine e nem contamine as zonas na qual esteja.

OBS I: Ao trafegar pelas zonas, troque suas vestimentas habituais por: pijama cirúrgico, propés, gorro e touca.

OBS II: Ao observar algum procedimento cirúrgico e circular pela zona estéril, coloque além do que já estava paramentado e a máscara cirúrgica.

FIGURA: vestimenta para tráfego em zona limpa.

LAVAGEM CIRÚRGICA DAS MÃOS 

ANTISSEPSIA: Conjunto de medidas utilizadas para inibir a colonização por microrganismos patogênicos, por um determinado período de tempo, podendo ou não os destruir. Diminuição da caga microbiana em tecidos do paciente. Higienização preventiva.

ASSEPSIA: Conjunto de medidas utilizadas para impedir a penetração de agentes infecciosos em locais que não os contém (ambiente asséptico). Diminuição da carga microbiana em superfícies inanimadas. Desinfecção de um local ou objeto.

ANTISSEPSIA CIRÚRGICA

– Remover todos os acessórios antes da desinquinação.

– Ensaboar as mãos e antebraços com a parte esponjosa do sabão.

– Com as cerdas da escova alterne a mão em cada passo da lavagem, seguindo a seguinte ordem: unhas, palmas, dorso da mão, interdigitais e, por fim, o antebraço.

– Enxaguar as mãos e antebraços sem tocar na pia ou torneira, removendo a espuma por completo.

PROCEDIMENTO DE DEGERMAÇÃO CIRÚRGICA:

1°) Abrir a torneira, observar se o mecanismo para acionar a saída e a parada de água é a própria alavanca da torneira, células fotoelétricas ou acionamento pelo chão;                                                         Obs.: se a torneira for comum, de cabo, deverá ser fechada com o cotovelo.

2°) Lavar as mãos e antebraços com degermante contendo PVPI a 1% ou clorohexidina e água corrente para retirada de sujidades.                                                                                                                      Obs: As pessoas alérgicas ao iodo deverão usar a solução determante de clorohexidina a 4%.

3°) Enxaguar as mãos e elevá-las para o antisséptico escorrer em direção aos cotovelos indo da parte mais limpa para a menos limpa.

4°)Retirar a escova de degermação esterilizada do invólucro pela metade inferior com a mão esquerda e embebê-la com o degermante. Só usar escova de cerdas macias e, caso as disponíveis não atendam a essa especificação dispensar a escovação e realizar a antissepsia fazendo a fricção com as mãos conforme figura abaixo.

5°) Molhar as cerdas e colocar PVPI (se a escova já não contiver antisséptico com detergente).

6°) Escovar as unhas (ponta dos dedos) da mão direita com a escova na mão esquerda enquanto conta mentalmente até cinquenta (50x).

7°) Continuar a escovação por etapas (sentido: ponta dos dedos – cotovelo) escovando cada seguimento 25 vezes cada (25x).

SEQUÊNCIA DA ESCOVAÇÃO: ponta dos dedos (50x) – dorso dos dedos (25x) – palma dos dedos (25x) – interdigitais (25x) – dorso da mão (25x) – palma da mão (25x) – região dorsal e ventral do antebraço (25x).

  • Use sempre bastante espuma para emulsificar a gordura e evitar desconforto da pele com a escovação.
  • Ao passar de uma mão para outra conserve a escova em posição vertical e enxague-a; transfira para a mão esquerda pela metade não tocada anteriormente, siga então, o mesmo procedimento.

8°) Passar a escova para a outra mão e lavá-la deixando a água escorrer;

9°) Passar o antisséptico degermante na escova e proceder à escovação da outra mão.

10°) Ao final, desprezar a escova na pia e enxaguar cada uma das mãos, unindo as extremidades dos dedos e colocando os antebraços na vertical de maneira que a água escorra em direção aos cotovelos.

FIGURA: Higienização das mãos – Anvisa.

PARAMENTAÇÃO

Na sala cirúrgica, a equipe te fornecerá o LAP cirúrgico: pacote com suas vestimentas, os campos estéreis e a compressa para enxugar as mãos.

TÉCNICA PARA CALÇAR LUVAS CIRÚRGICAS (ESTÉREIS):
1°) Abrir o pacote de luvas de modo a deixar os punhos voltados para a pessoa que irá calçá- las. Ter o cuidado de afastar a aba interna do pacote sem tocar as luvas com as mãos desnudas;

2°) Retirar a luva esquerda do envelope, segurando-a pelo punho com a mão direita;

3°) Calçar a luva esquerda com o auxílio da mão direita tocando-a apenas pelo lado de dentro e mantendo a dobra do punho;

4°) Retirar a luva direita do envelope, colocando a mão esquerda na abertura do mesmo e introduzindo os quatro dedos sob a dobra do punho;

5°) Calçar essa luva com o auxílio da mão esquerda mantendo os dedos desta mão introduzidos na dobra e puxando até cobrir o punho da manga do capote;

6°) Manter as mãos enluvadas para o alto (acima da cintura) e, quando não ocupadas, protegê- las com compressa estéril ou campo estéril. Existem alguns capotes com local apropriado para o descanso e proteção das mãos enluvadas.

RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES AO CALÇAR LUVAS ESTÉREIS:

  • A mão nua só deve tocar a parte interna da luva, enquanto a mão enluvada só pode tocar a parte externa;
  • Se, ao calçar as luvas, os dedos entrarem trocados, só tentar corrigir após ter as duas luvas calçadas;
  • Com as mãos enluvadas, evitar tocar a gola, as costas e o terço inferir do capote cirúrgico por serem áreas consideradas “zonas perigosas” em termos de contaminação;

Para descalçar as luvas deve-se, primeiramente, dobrar o punho da luva esquerda. Com os dedos da mão esquerda ainda enluvados, retirar a luva direita sem que esta toque a pele. Com a mão esquerda enluvada segurar a luva direita; depois com a mão direita desnuda remover a luva esquerda, puxando-a pela dobra do punho por sobre a luva direita. Tocar apenas a parte interna da luva esquerda.

FIGURA: processo de colocação das luvas cirúrgicas.

Preparo pré-operatório do paciente que será realizado pelo auxiliar que esteja circulando pela zona estéril.

  1. Banho: deverá ser tomado de véspera, visto que, quando tomado no mesmo dia do procedimento, há predisposição à descamação da pele e difusão de germes, aumentado assim o risco de contaminação.
  2. Vestimentas: o paciente deverá estar vestido com uma camisola, roupa íntima descartável, touca/gorro e propés.
  3. Tricotomia: a tricotomia não reduz o risco de infecção, no entanto, ela é utilizada com o principal objetivo de prevenir a entrada de pelos dentro da ferida.
  4. Degermação: a degermação é geralmente realizada pelo auxiliar. O profissional deverá estar vestindo pijamas, touca/gorro, propés e máscara. Então se você for apenas observar o procedimento e tem estes conceitos em mente, poderá degermar o local e ajudar no processo.
FIGURA: materiais para lavagem cirúrgica.

ARRUMAÇÃO DA MESA CIRÚRGICA

FIGURA: Disposição dos materiais sobre a mesa cirúrgica.
FIGURA: disposição da mesa cirúrgica em cirurgias obstétricas.

ARRUMAÇÃO/FIXAÇÃO DOS CAMPOS ESTÉREIS E DISPOSIÇÃO DA EQUIPE CIRÚRGICA

  • APÓS TODA PREPARAÇÃO, REALIZA-SE O PROCEDIMENTO CIRÚRGICO COM O DEVIDO POSICIONAMENTO DA EQUIPE:
  1. CIRURGIA SUPRAMESOCÓLICA: o cirurgião fica à direita do paciente, para utilizar a sua mão dominante para explorar estruturas localizadas no andar superior do abdome

2. CIRURGIA INFRAMESOCÓLICA: o cirurgião fica à esquerda do paciente, para utilizar a sua mão dominante para explorar estruturas localizadas no andar inferior do abdome.

CONCLUSÃO

O preparo para o centro cirúrgico é bem extenso, mas basta seguir a divisão das preparações para obter sucesso. Cada etapa é importante, desde preparar a sala de cirurgia, até o preparo dos profissionais nela presentes. Cada hospital e instrumentador desenvolvem métodos de trabalhos que se encaixam nos profissionais, no entanto, as técnicas de uso e manuseio dos equipamentos devem permanecer. Neste artigo, apresentamos diversas formas de preparo para atender os requisitos da ANVISA e adentrar num centro cirúrgico sem contaminação.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Links:

Martins.f.z, dall’agnol.c.m – centro cirúrgico: desafios e estratégias -disponivel em :<https://www.scielo.br/j/rgenf/a/gccd3fykn6dvqdc6dkcqhbm/?lang=pt&format=pdf >.

Martins.f.z, dall’agnol.c.m – centro cirúrgico: desafios e estratégias -disponivel em :<https://www.scielo.br/j/rgenf/a/gccd3fykn6dvqdc6dkcqhbm/?lang=pt&format=pdf >.

ANVISA – Primeiro desafio mundial para a segurança do paciente – disponível em:< https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/higienizacao_oms/folha%20informativa%206.pdf>.

CASTELLANOS.B.E.P – Posição do paciente para cirurgia e implicações no cuidado de enfermagem- disponível em:< https://www.scielo.br/j/reeusp/a/S6DCBKmDvHWZt3fbqkhwyxj/?lang=pt&format=pdf>.

Higienização das mãos – disponível em:< https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/cartaz_antisepsia_cirurgica_maos.pdf> .

Como montar uma mesa cirúrgica? – disponível em:< https://www.mobiloc.com.br/blog/como-montar-mesa-cirurgica/>.


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