A Telemedicina e o EAD vieram para ficar? Entenda porque algumas mudanças podem estar presentes na realidade pós pandemia.
O que mudou
O isolamento social foi, e é, importante para impedir a propagação do Corona vírus e proteger a população, sobretudo aqueles que pertencem ao grupo de risco. Contudo, trouxe desafios para os mais variados setores da sociedade brasileira e mundial, incluindo a educação e o mercado de trabalho que precisaram se adaptar às novas demandas sanitárias e contaram com o auxílio da tecnologia.
Universidades em geral, incluindo o curso de medicina, tiveram o aval do Ministério da Educação para realizar aulas teóricas no formato EAD (ensino à distância).
Já aos médicos do país foi permitido o uso da telemedicina como veículo de trabalho, pelo Ministério da Saúde, Conselho Federal de Medicina, Senado e a Agência Nacional da Saúde.
Por que manter as mudanças pode ser positivo?
Segundo o Departamento de Telemedicina da USP, em países como Estados Unidos e Canadá, o atendimento médico à distância era uma realidade anterior à pandemia e traz benefícios para o paciente, como a redução dos custos com saúde, melhoria no acesso à informação, facilidade no acesso a tratamentos medicamentosos, sem a necessidade de automedicação. Melhorias que são bem vindas no Brasil, principalmente no interior e nas regiões mais remotas, onde a disponibilidade de médicos de algumas especialidades são menores.
Já no âmbito educacional, universidades públicas e particulares aderiram ao ensino virtual, o que contribuiu para inclusão de universitários portadores de deficiência física, que lidam diariamente com dificuldade de locomoção até o local de estudo. Ademais, algumas universidades públicas, como a UFRJ, disponibilizaram editais de auxílio inclusão digital, os quais forneceram equipamentos para estudo e kits de modem de internet para estudantes em vulnerabilidade socioeconômica. Produzindo impactos positivos em questões nas quais o país apresenta dificuldades em gerir.
Tabus
Mesmo com pontos positivos, tabus permeiam as novas mudanças. Dentre eles a dúvida da qualidade do ensino remoto e se a telemedicina é uma substituta da medicina tradicional.
Para esclarecer, é necessário pontuar alguns dados.
O ensino à distância, segundo dados da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), está em constante crescimento, sobretudo na região sudeste do Brasil. A adesão dos estudantes ao ensino remoto inicia, geralmente, em cursos online para vestibular e para auxílio acadêmico, desmistificando, portanto, a ineficácia do método pela alta procura.
É importante ressaltar que, no início de fevereiro, notórios investidores estrangeiros como a empresa do Facebook, o Softbank e o guitarrista da banda U2, levantaram um capital de aproximadamente 450 milhões de reais em uma startup de educação superior brasileira e totalmente online! É o maior investimento no setor da América Latina, representando um marco: a educação online chegou para ficar no país.
Além disso, a telemedicina não é, em nenhum país, um substituinte à medicina habitual. Seu objetivo é ser um suporte e aprimorar os atendimentos, representando um avanço tecnológico na área médica e acentuando a dependência humana, mesmo com o uso da tecnologia como ferramenta de trabalho.
Embora seja um tema estudado no Brasil desde 2002, só entrou em evidência em 2020, após uma decisão do CFM (Conselho Federal de Medicina) de reinserir a liberação de consultas à distância, que havia sido removida da regulamentação da instituição por pressão de conselhos médicos em 2019. A oportunidade de atender, monitorar e orientar pacientes sem expô-los ao vírus atual, foi imprescindível para garantir a saúde de quem já luta com outras doenças. A regulamentação garante que mesmo com o uso de tecnologias, a ética, a excelência e o cuidado sejam assegurados ao paciente.
Caminhos para adaptação
Para desfrutar dos benefícios que o ensino e o trabalho remoto oferecem, é necessário preparação profissional. Aprender a utilizar equipamentos digitais e softwares que auxiliam nas tarefas virtuais são exigências urgentes para acompanhar as evoluções da era tecnológica.
A boa notícia é que a internet fornece oportunidades de aprendizado, que podem ser aproveitadas de maneira gratuita e é um conhecimento largamente difundido nas redes sociais mais famosas.
Profissionais de saúde podem contar com o auxílio de alternativos meios de divulgação do seu trabalho, no Instagram já é bastante comum usar suas ferramentas para atrair pacientes até o consultório. A novidade agora é atrair para consultas à distância.
Estudantes de medicina também podem se atentar ao tema para estudos de iniciação científica. Na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, existe projetos de discentes em andamento para avaliar e entender como a telemedicina afetará o mercado de trabalho e quais mudanças podem ser feitas visando o melhor atendimento e adesão dos pacientes.
Assim como qualquer época exige adequação dos costumes para evitar um retrocesso, esta virada de década exigirá avanço intelectual e profissional para superar as limitações e desavenças que a pandemia nos trouxe. A responsabilidade do futuro da medicina brasileira e seu progresso é toda nossa.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
Telemedicina Brasil: https://brasiltelemedicina.com.br/artigo/o-que-e-telemedicina-como-funciona-e-quais-os-beneficios/
Telemedicina USP: https://telemedicina.fm.usp.br/portal/materias-jornalisticas/
Medicina S/A: https://medicinasa.com.br/futuro-telemedicina-pos-covid/