A classificação de DeBakey é uma forma de classificar a dissecção aguda de aorta em subtipos, de acordo com a anatomia envolvida na dissecção. A classificação de DeBakey e a classificação de Stanford são as duas principais formas de classificar essa patologia. É importante, assim, conhecê-las e entender sua relevância para a prática clínica. Para tanto, no presente artigo faremos um apanhado geral da dissecção aórtica aguda e, posteriormente, a classificação de DeBakey será descrita.
Dissecção aguda de aorta
A dissecção aguda de aorta é a patologia grave mais comum da aorta, chegando a afetar entre 5 e 30 pessoas por milhão de indivíduos a cada ano. Ademais, a dissecção aórtica aguda possui taxa de mortalidade elevada, em torno de 1 a 2% por hora nas primeiras horas após o evento (podendo atingir 30% nas primeiras 48 horas e até 50% no primeiro mês), o que torna o quadro especialmente urgente. Assim, cabe ao médico conhecer a patologia e sua correta forma de tratamento para que ações rápidas possam ser tomadas.
Ainda sobre a epidemiologia da doença, é sabido que homens são mais afetados pela dissecção aguda de aorta do que mulheres. Quanto a sua fisiopatologia, por sua vez, são propostas duas hipóteses principais para o funcionamento da doença:
- Primeiro, relacionando a dissecção aguda de aorta com uma laceração primária na íntima da aorta;
- Segundo, relacionando a patologia com uma laceração da íntima da aorta causada pela ruptura primária dos vasa vasorum.
Os principais fatores de risco para a dissecção aórtica aguda são descritos a seguir:
- Hipertensão arterial sistêmica;
- Doença aórtica torácica deflagrada geneticamente, como é o caso da Síndrome de Loeys-Dietz e da síndrome vascular de Ehlers-Danlos, por exemplo;
- Síndromes e doenças de ordem congênita, como é o caso da Tetralogia de Fallot e da coarctação da aorta, por exemplo;
- Aterosclerose;
- Trauma fechado ou de origem iatrogênica, como é o caso do acidente com veículo motorizado e de possível trauma causado na cirurgia de revascularização do miocárdio, por exemplo;
- Uso de cocaína;
- Doença infecciosa ou infecciosa, como é o caso da arterite de Takayasu e da arterite de células gigantes, por exemplo;
- Gravidez.
Além da classificação de DeBakey, é importante citar outras maneiras de classificação. Inicialmente, a dissecção aguda de aorta pode ser subdividida de acordo com sua localização, porém de forma mais geral, havendo duas formas principais:
- Proximal, que afeta principalmente indivíduos entre 50 e 60 anos de idade;
- Distal, que afeta principalmente indivíduos mais velhos, entre os 60 e 70 anos de idade.
Ademais, a patologia pode ser classificada a partir dos critérios de Stanford, da seguinte forma:
- Tipo A: engloba dissecções que tem relação com a aorta ascendente (nesse caso, a aorta descendente pode ou não ser afetada);
- Tipo B: engloba dissecções que não afetam a aorta ascendente.
O quadro clínico da patologia, por sua vez, envolve forte dor torácica e dorsal, com possibilidade de irradiação para outras regiões do corpo, como a cabeça. Entretanto, a doença pode não apresentar dor inicialmente, se desenvolvendo de forma silenciosa.
Quanto ao diagnóstico, por fim, o mesmo envolve fatores clínicos, dependendo de anamnese detalhada e cuidadosa. Ademais, os exames de imagem que podem ser utilizados para a confirmação diagnóstica são:
- Radiografia simples;
- Ressonância magnética;
- Ecocardiografia;
- Angiotomografia.
O tratamento, por fim, deve ser iniciado de forma clínica assim que o diagnóstico é confirmado. Terapia cirúrgica também pode ser necessária, a depender de cada caso.
A seguir, faremos uma descrição dos critérios de classificação de DeBakey.
Classificação de DeBakey
A classificação de DeBakey subdivide a patologia em três tipos principais, conforme exposto a seguir:
- Tipo I: é a dissecção que se origina na aorta ascendente e tem sua extensão até o arco aórtico (sendo que, por vezes, pode ultrapassar esse marco e ir até a aorta descendente ou mesmo atingir estruturas mais distais);
- Tipo II: é a dissecção que tem origem na aorta ascendente, mas não ultrapassa essa estrutura;
- Tipo III: é a dissecção que tem origem na aorta descendente e geralmente é distal à aorta subclávia esquerda, se estendendo de forma distal.
A dissecção aórtica aguda tipo III de DeBakey pode, ainda, ser subdividida em dois tipos:
- Tipo IIIa: é aquela que é interrompida acima do diafragma;
- Tipo IIIb: é aquela que se estende para além do diafragma.
O tipo III, como vimos, tem origem na aorta descendente. É raro, nesses casos, que a dissecção se propague de forma retrógrada e venha a atingir a aorta ascendente. Entretanto, essa é uma possibilidade clínica que deve ser considerada.
A imagem abaixo representa os tipos I, II, IIIa e IIIb de DeBakey, assim como os tipos A e B de dissecção aguda de aorta de Stanford.

Imagem 1: Classificações de DeBakey e Stanford para dissecção aguda de aorta
Autor(a): Aliscia Wendt – @alisciawendt
Referências:
BONOW, R. O. et al. Braunwald: Tratado de doenças cardiovasculares. 9ª ed, Rio de Janeiro: Elsevier Saunders, 2013.
KOUCHOUKOS, N. T. et al. Kirklin/Barratt-Boyes cardiac surgery. 4ª ed, Philadelphia: Elsevier Saunders; 2012.
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