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Classificação das queimaduras: como identificar e conduzir

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A classificação das queimaduras em seus diferentes tipos e graus é de extrema importância na prática médica. O motivo disso é que essas lesões cutâneas, causadas por agentes térmicos, podem se apresentar de várias formas diferentes. Elas podem variar entre pequenas e superficiais a extensas e profundas. Essas duas últimas características, em especial, são bastante preocupantes, uma vez que podem causar sérias complicações.

Sem mais delongas, vamos direto ao ponto: como classificar as queimaduras. Foi por isso que você clicou nesse post, não foi?

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que as queimaduras são causadas por fontes térmicas. Ou seja, fontes de calor e de frio. Vejamos cada tipo em seguida.

Queimaduras por calor

Certamente as que primeiro vêm em mente quando pensamos em queimaduras. Segundo a classificação de Hoffman, citado em referências de Medicina Legal, são divididas em 4 graus.

  • Primeiro grau: lesões caracterizadas por eritema (vermelhidão) simples, com acometimento apenas da epiderme. Não há formação de cicatrizes, apesar de a pigmentação poder permanecer diferente no local queimado.
  • Segundo grau: além do eritema, as lesões tipicamente apresentam flictenas (as famosas bolhas), de conteúdo seroso. Essas queimaduras são bastante dolorosas, uma vez que a derme já é afetada e há uma resposta inflamatória maior.
  • Terceiro grau: nessas queimaduras, os planos musculares são atingidos. Dessa forma, ao contrário do que pode parecer, a dor é menor. Isso acontece porque as terminações nervosas foram destruídas. As les˜ões são caracterizadas coagulação necrótica dos tecidos moles. A cicatrização pode ser retrátil ou queloidiana.
  • Quarto grau: também chamadas de carbonização generalizada. Todos os planos teciduais são atingidos. Carbonizações generalizadas são incompatíveis com a vida.

Queimaduras por frio

Talvez menos comentadas que as causadas por calor, essas queimaduras também são chamadas de geladuras.

Elas são causadas pela ação localizada do frio sobre o corpo e são parecidas com as causadas pelo calor, também sendo divididas em 4 graus.

  • Primeiro grau: palidez ou rubefação local. Pele toma um aspecto “anserino“.
  • Segundo grau: presença de eritema e flictenas de conteúdo claro e hemorrágico.
  • Terceiro grau: há necrose dos tecidos moles e formação de crostas espessas e escuras.
  • Quarto grau: les˜ões caracterizadas por gangrena ou desarticulações. Na Primeira Guerra esse tipo de geladura era conhecida como pés de trincheira.

Bom, tendo esse overview das classificações, você pode estar se perguntando: “que condutas eu tomo em cada situação?” Em primeiro lugar, é necessário saber as orientações gerais para abordagem de queimaduras.

É de extrema importância, antes de tudo, parar o processo de queimadura. Ou seja, cessar a fonte de calor ou frio. Em seguida, avaliar a extensão da queimadura para se pensar em como conduzir o paciente. No geral, as queimaduras de primeiro grau não são muito sérias e não necessitam de intervenções importantes.

Deve-se prestar especial atenção, contudo, em queimaduras extensas e profundas. Elas são mais graves porque facilitam infecções e podem levar o paciente a uma parada cardiorrespiratória e choque. Dessa forma, é importante estabelecer controle das vias aéreas e suporte de ventilação e atentar para a circulação. Ademais, é imprescindível determinar o percentual da superfície corporal atingido, haja vista que a reposição de fluídos depende desse valor.

Regra dos 9: usada para avaliar a severidade das queimaduras e determinar administração de fluídos (imagem retirada do ATLS, 2018).

Mas acabou por aí?”

Claro que não! Abordagem de queimaduras é assunto de capítulos inteiros de livros, sendo impossível tratar de tudo em um único post.

Foi por isso que a Sanar separou uma dica e uma indicação para você que quer ler mais sobre condutas de queimados.

Em primeiro lugar, a dica: fazer a leitura sobre o atendimento ao trauma. Manejo de vias aéreas, abordagem da PCR e manejo da circulação do queimado são sempre abordadas nas grandes referências. Não sabe por onde começar? Confira esse post mais antigo que discutimos justamente sobre livros de atendimento pré-hospitalar.

Por fim, a indicação da Sanar. O cuidado das queimaduras perpassa muito pela área da cirurgia plástica. No livro Cirurgia Plástica para Estudantes de Medicina, as queimaduras são abordadas por completo. Desde a fisiopatologia e o atendimento inicial até o tratamento das sequelas.

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