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Cirurgia de catarata: como funciona e quando fazer?

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Entenda como é feita a cirurgia de catarata, os benefícios e quando o procedimento é indicado.

A catarata caracteriza-se pela opacificação do cristalino, resultando em visão embaçada, distorcida, sensibilidade à luz e, em estágios avançados, cegueira.

Trata-se de uma das principais causas de perda visual no mundo. Embora seja mais comum com o envelhecimento, seu aparecimento pode acelerar-se por fatores como deficiência nutricional, alterações metabólicas, exposição intensa à luz solar ou radiação, traumas oculares e o uso de determinados medicamentos, como corticosteroides.

Atualmente, não há tratamentos clínicos eficazes para reverter a catarata. No entanto, a cirurgia moderna, associada ao implante de lentes intraoculares, permite recuperar a visão na maior parte dos casos.

Como funciona a cirurgia de catarata

A única forma de tratamento para a catarata é a remoção cirúrgica do cristalino opacificado, substituindo-o por uma lente intraocular para restaurar a transparência do eixo visual.

A cirurgia moderna é altamente segura, com poucas complicações graves, e permite a reabilitação da visão de forma compatível com o outro olho com a lente natural.

Cirurgiões experientes conseguem concluir o procedimento intraocular em 10 a 20 minutos, mas o tempo total na sala de cirurgia pode variar de 30 a 60 minutos, considerando todas as etapas pré e pós-operatórias.

Técnicas para a cirurgia de catarata

Realiza-se a cirurgia de catarata, em muitos casos, em regime ambulatorial sob anestesia local, que pode ser administrada topicamente, por bloqueio ou via infusão subtenoniana. Sedação intravenosa monitorada também é comum. Indica-se anestesia geral apenas para pacientes que não conseguem colaborar sob anestesia local ou que tiveram complicações anteriores.

As técnicas mais utilizadas para a extração da catarata são:

  • Facoemulsificação.
  • Extração extracapsular de catarata (ECCE).

Utiliza-se outras técnicas cirúrgicas em situações específicas, entre elas:

  • Extração intracapsular de catarata (ICCE).
  • Cirurgia manual de pequena incisão (MSICS).

Facoemulsificação

Também conhecida como cirurgia de pequena incisão, essa técnica é a mais comum em países com recursos elevados.

Durante a cirurgia, fragmenta-se a lente com energia ultrassônica através de uma sonda inserida por uma incisão de 1 a 3 mm. Em seguida, aspira-se o material resultante, preservando a cápsula do cristalino, onde implanta-se uma lente dobrável.

Nessa técnica, a pequena incisão reduz o tempo de recuperação visual e minimiza o risco de astigmatismo induzido por sutura. No entanto, a facoemulsificação pode não ser viável para cataratas muito avançadas, com núcleo extremamente endurecido.

Extração extracapsular de catarata (ECCE)

Envolve a remoção do núcleo do cristalino em um único bloco por meio de uma incisão maior. Aspira-se o córtex remanescente e, em seguida, posiciona-se uma lente intraocular na cápsula preservada.

Embora a ECCE seja menos dependente de tecnologia, tem recuperação mais lenta do que a facoemulsificação. Em contextos de alto volume cirúrgico, a ECCE pode ser preferida devido ao menor custo, já que os resultados visuais entre os dois procedimentos são semelhantes.

Extração intracapsular de catarata (ICCE)

Na técnica de extração intracapsular de catarata, remove-se a lente e sua cápsula inteiramente, sem a implantação de uma lente intraocular.

Cirurgia manual de pequena incisão (MSICS)

Por fim, na cirurgia manual de pequena incisão, divide-se manualmente a lente em pedaços menores e, em seguida, remove-se a mesma através de uma pequena incisão onde implanta-se uma lente dobrável.

Essa técnica é vantajosa em cenários de poucos recursos, pois proporciona recuperação visual comparável à facoemulsificação, com menos custos.

Prevenção da Endoftalmite

Recomenda-se a aplicação de iodopovidona na superfície ocular como parte da preparação cirúrgica, o que resulta na redução da incidência de endoftalmite pós-operatória.

Em contrapartida, não indica-se a vancomicina intracameral devido à associação com vasculite oclusiva hemorrágica da retina.

Escolha da lente intraocular

A maioria dos pacientes recebe lentes intraoculares sintéticas durante a cirurgia de catarata, exceto em casos específicos, como algumas formas de uveíte, alta miopia ou complicações intraoperatórias.

Alternativas ao implante de lentes, como óculos afácicos ou lentes de contato, geralmente não proporcionam resultados satisfatórios.

Os principais tipos de lentes intraoculares incluem:

  • Monofocais – Melhoram a acuidade visual à distância, mas exigem correção para visão de perto.
  • Multifocais – Proporcionam melhor visão para diferentes distâncias, reduzindo a necessidade de óculos, mas podem causar efeitos colaterais como halos e ofuscamento.
  • Acomodativas – Simulam a capacidade de foco do cristalino natural, oferecendo ganhos modestos na visão de perto.
  • Tóricas – Corrigem o astigmatismo, reduzindo a necessidade de óculos para essa condição.

Quando fazer a cirurgia de catarata

Recomenda-se a cirurgia quando os sintomas da catarata comprometem a capacidade do paciente de realizar suas atividades diárias. Portanto, não existem critérios baseados no nível de acuidade visual do paciente.

Além disso, a idade, por si só, não contraindica a cirurgia de catarata. Pelo contrário, estudos mostram que a melhora da visão após a cirurgia pode trazer benefícios significativos para idosos. Por exemplo, alguns estudos indicam uma redução de 16% na taxa de fraturas de quadril dentro de um ano após a cirurgia e de 23% em pacientes com catarata grave.

Ademais, a decisão e o momento da cirurgia dependem, em parte, da presença de outras doenças oculares.

Pacientes sem doenças oculares associadas

A escolha de realizar a cirurgia deve ser feita pelo paciente, salvo em situações em que a catarata impeça o acompanhamento de doenças da retina ou do nervo óptico, ou ocasione glaucoma.

Em alguns casos, a correção da miopia induzida pela catarata pode ser suficiente com ajustes nos óculos, adiando a necessidade de cirurgia, a menos que haja um desequilíbrio significativo entre os olhos que comprometa a adaptação visual.

Pacientes com doenças oculares associadas

O oftalmologista deve avaliar em que medida a catarata contribui para a perda de visão em casos de patologias oculares associadas, como degeneração macular relacionada à idade (DMRI), glaucoma ou retinopatia diabética.

Mesmo que a catarata não seja a única causa da diminuição da visão, indica-se a cirurgia se a outra condição estiver controlada e o paciente compreender que a recuperação da acuidade visual pode ser limitada. Muitos pacientes com catarata associada a DMRI ou retinopatia diabética experimentam melhora funcional significativa após a cirurgia, mesmo que a doença retiniana impeça a recuperação completa da visão.

Ademais, exames pré-operatórios, como o medidor de acuidade potencial (PAM), podem auxiliar na previsão dos benefícios visuais da cirurgia em pacientes com patologias associadas.

Planejamento pré-operatório para a cirurgia de catarata

Não são necessários testes de rotina (como exames laboratoriais, de imagem ou ECG) para a maioria dos pacientes submetidos à extração de catarata, pois não há evidências de que esses testes reduzam o risco de complicações ou eventos adversos.

Todavia, testes direcionados podem ser necessários em casos de comorbidades, como doenças cardíacas recentes ou distúrbios metabólicos.

Com relação a gestão de condições comórbidas, recomenda-se o controle da pressão arterial, a fim de evitar complicações como hemorragias. Portanto, não realiza-se a cirurgia se a pressão sistólica for superior a 180 mmHg ou diastólica acima de 110 mmHg.

Pacientes diabéticos, por sua vez, devem realizar a cirurgia preferencialmente pela manhã, para que suas medicações sejam feitas após o procedimento, de forma a evitar hipoglicemia. Os pacientes com doença arterial coronariana devem continuar com seus medicamentos antianginosos, enquanto que pacientes com infecção respiratória superior devem ter a cirurgia adiada.

Pós-operatório da cirurgia de catarata

Nos primeiros dias após a cirurgia, é comum sentir um leve desconforto ocular, que pode ser aliviado com o uso de analgésicos simples. Além disso, o uso de colírios anti-inflamatórios, como corticosteroides ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), auxilia na redução da inflamação e na prevenção do edema macular.

A recuperação inicial permite que os pacientes retomem atividades leves, como leitura, caminhada e assistir televisão, já na noite do procedimento. Em geral, a retomada ao trabalho ocorre dentro de uma semana, exceto para atividades que exijam esforço físico intenso. Não há contraindicação para viagens aéreas.

O primeiro exame pós-operatório geralmente ocorre no dia seguinte à cirurgia, embora, em casos não complicados, alguns cirurgiões optem pelo acompanhamento remoto. Consultas subsequentes são agendadas geralmente após uma semana e um mês para monitorar a recuperação e possíveis complicações.

Resultados e expectativas

A acuidade visual pós-operatória depende da presença de comorbidades oculares, como degeneração macular, glaucoma ou retinopatia diabética.

A satisfação pós-cirúrgica também relaciona-se à idade e à ausência de complicações. Pacientes mais jovens, por exemplo, tendem a relatar melhores resultados.

Complicações

A cirurgia de catarata é um procedimento de baixo risco, mas, devido à sua alta frequência, mesmo complicações raras podem afetar um grande número de pacientes. Além disso, por ser realizada em adultos mais velhos, que podem apresentar múltiplas comorbidades, os riscos acabam sendo mais comuns.

No período de recuperação inicial, algumas complicações podem comprometer a visão, como:

  • Endoftalmite;
  • Edema da córnea;
  • Deslocamento da lente intraocular;
  • Edema macular cistóide;
  • Síndrome do segmento anterior tóxico (TASS);
  • Vasculite oclusiva hemorrágica da retina (HORV).

Ademais, as complicações que podem surgir mais tardiamente incluem:

  • Descolamento de retina;
  • Degeneração macular relacionada à idade;
  • Opacificação da cápsula posterior.

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Referências

  • JACOBS, D. Cataract in adults. UpToDate, 2025.

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