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CID X80: Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado
X800
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - residência
X801
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - habitação coletiva
X802
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - escolas, outras instituições e áreas de administração pública
X803
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - área para a prática de esportes e atletismo
X804
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - rua e estrada
X805
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - áreas de comércio e de serviços
X806
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - áreas industriais e em construção
X807
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - fazenda
X808
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - outros locais especificados
X809
Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado - local não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
A lesão autoprovocada por precipitação de um lugar elevado, codificada como X80 na CID-10, é um ato intencional de autolesão em que o indivíduo se precipita de uma altura, como edifícios, pontes ou penhascos, com a intenção de causar dano físico ou morte. Este código é classificado sob 'Lesões autoprovocadas intencionalmente' no Capítulo XX (Causas externas de morbidade e mortalidade), refletindo eventos onde a ação é deliberada e não acidental. A fisiopatologia envolve forças de impacto que resultam em trauma múltiplo, incluindo fraturas, lesões de órgãos internos e traumatismo craniano, com mecanismos dependentes da altura, superfície de impacto e posição do corpo. Epidemiologicamente, é um método comum em tentativas de suicídio, associado a altas taxas de letalidade, particularmente em contextos urbanos com acesso a estruturas elevadas, e está ligado a fatores de risco como transtornos psiquiátricos, abuso de substâncias e eventos estressantes da vida.
Descrição clínica
A lesão resulta de um ato deliberado de precipitação de uma altura, levando a um espectro de traumas que variam de lesões leves a fatais. Clinicamente, os pacientes podem apresentar politrauma, incluindo fraturas múltiplas (especialmente de membros, coluna vertebral e crânio), lesões torácicas e abdominais com risco de hemorragia interna, traumatismo cranioencefálico, e comprometimento de funções vitais. A apresentação aguda inclui dor intensa, incapacidade funcional, sinais de choque hipovolêmico, e alterações neurológicas. A avaliação deve considerar a intencionalidade do ato, histórico psiquiátrico e contexto do evento para orientar o manejo clínico e psiquiátrico.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, dependendo da altura, superfície de impacto e condições pré-existentes. Sinais e sintomas comuns incluem dor localizada ou generalizada, deformidades ósseas, equimoses, edema, dispneia, taquicardia, hipotensão, alteração do nível de consciência e sinais de hemorragia interna. Em casos graves, pode haver parada cardiorrespiratória, traumatismo raquimedular com déficits neurológicos, e insuficiência de múltiplos órgãos. A avaliação inicial deve priorizar o ABCDE (Airway, Breathing, Circulation, Disability, Exposure) para estabilização, com atenção a possíveis lesões ocultas.
Complicações possíveis
Hemorragia interna
Sangramento em cavidades corporais, como abdome ou tórax, levando a choque hipovolêmico.
Traumatismo cranioencefálico
Lesão cerebral com risco de edema, herniação e déficits neurológicos permanentes.
Fratura vertebral
Comprometimento da coluna com potencial para lesão medular e paralisia.
Síndrome compartimental
Aumento de pressão em compartimentos musculares, causando isquemia e necrose tecidual.
Infecções
Complicações sépticas devido a feridas abertas, fraturas expostas ou imobilização prolongada.
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Globalmente, as lesões autoprovocadas por precipitação representam uma parcela significativa das tentativas de suicídio, com maior incidência em áreas urbanas com estruturas elevadas. Dados da OMS indicam que métodos de alto letalidade, como precipitação, são mais comuns em homens e em faixas etárias jovens a meia-idade. Fatores de risco incluem transtornos psiquiátricos, histórico de abuso de substâncias, e isolamento social. No Brasil, é subnotificado, mas estudos apontam para taxas crescentes em grandes cidades.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente reservado, com alta letalidade dependendo da altura da queda, idade do paciente, comorbidades e rapidez do atendimento. Sobreviventes podem apresentar sequelas físicas (e.g., incapacidades motoras, dor crônica) e psicológicas (e.g., transtorno de estresse pós-traumático, depressão). Intervenções precoces, incluindo suporte avançado de vida e acompanhamento psiquiátrico, podem melhorar os desfechos. A taxa de mortalidade é elevada em quedas de alturas superiores a 10 metros.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado na história do evento (relato de precipitação intencional de lugar elevado), exame físico evidenciando lesões compatíveis, e exclusão de causas acidentais. Critérios incluem: 1) Evidência de intencionalidade (e.g., nota suicida, histórico psiquiátrico, testemunhas); 2) Lesões consistentes com o mecanismo de queda; 3) Avaliação por equipe multidisciplinar (médico, psiquiatra) para confirmar a natureza autoprovocada. Exames de imagem e laboratoriais suportam a identificação de lesões, mas o diagnóstico principal é clínico e contextual.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Queda acidental
Queda não intencional de altura, frequentemente associada a fatores como escorregões, perda de equilíbrio ou condições médicas agudas (e.g., síncope), sem evidências de planejamento suicida.
OMS. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão. Volume 1. 2016.
Homicídio por precipitação
Queda resultante de ação de terceiros, com sinais de trauma por força externa (e.g., marcas de luta), exigindo investigação forense para diferenciação.
OMS. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão. Volume 1. 2016.
Transtorno de estresse pós-traumático
Condição psiquiátrica que pode seguir eventos traumáticos, mas não envolve autolesão intencional; a diferenciação baseia-se na ausência de precipitação deliberada.
American Psychiatric Association. DSM-5. 2013.
Acidente de trânsito com queda
Queda de veículo em movimento, onde a lesão é secundária ao acidente, não a uma ação autoprovocada direta.
OMS. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão. Volume 1. 2016.
Tentativa de suicídio por outros meios
Autolesão intencional usando métodos diferentes (e.g., envenenamento, armas), distinguida pelo mecanismo específico de precipitação.
OMS. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão. Volume 1. 2016.
Exames recomendados
Radiografias
Imagens para detecção de fraturas ósseas em membros, coluna e tórax.
Identificar fraturas e orientar imobilização ou intervenções cirúrgicas.
Tomografia computadorizada (TC)
Exame de imagem de alta resolução para avaliação de traumatismo cranioencefálico, lesões toracoabdominais e fraturas complexas.
Detectar hemorragias internas, lesões de órgãos e fraturas não visíveis em radiografias simples.
Ultrassonografia abdominal
Exame não invasivo para triagem de hemoperitônio e lesões de órgãos abdominais.
Avaliar rapidamente a presença de sangramento intra-abdominal em pacientes instáveis.
Hemograma completo
Análise sanguínea para contagem de hemácias, leucócitos e plaquetas.
Monitorar anemia, infecção e coagulopatia relacionadas ao trauma.
Coagulograma
Testes de coagulação sanguínea, como tempo de protrombina e tempo de tromboplastina parcial.
Avaliar distúrbios de coagulação que podem agravar o sangramento pós-trauma.
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Instalação de barreiras físicas (e.g., grades, redes) em pontes, edifícios e outros pontos altos em áreas públicas.
Programas de saúde mental
Promoção de serviços de rastreamento e tratamento para transtornos psiquiátricos e ideação suicida.
Educação pública
Campanhas de conscientização sobre sinais de risco de suicídio e recursos de apoio, como o Centro de Valorização da Vida (CVV).
Vigilância e notificação
No Brasil, casos de lesões autoprovocadas intencionais, incluindo X80, são de notificação compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. Profissionais de saúde devem notificar imediatamente para vigilância epidemiológica, permitindo intervenções de prevenção ao suicídio. A notificação inclui dados demográficos, circunstâncias do evento e encaminhamento para serviços de saúde mental.
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X80 refere-se a lesões intencionalmente autoprovocadas por precipitação, com evidências de planejamento suicida, enquanto quedas acidentais (e.g., codificadas em W00-W19) não envolvem intencionalidade e são devidas a fatores como escorregões ou doenças agudas.
A abordagem deve incluir estabilização clínica imediata com foco no trauma, seguida de avaliação psiquiátrica urgente para manejo do risco suicida, encaminhamento para serviços de saúde mental e envolvimento da família ou rede de apoio.
Fatores de risco incluem transtornos psiquiátricos (e.g., depressão, esquizofrenia), abuso de substâncias, histórico de tentativas prévias, isolamento social e acesso a locais elevados, como edifícios ou pontes.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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