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CID W85: Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica
W850
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - residência
W851
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - habitação coletiva
W852
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - escolas, outras instituições e áreas de administração pública
W853
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - área para a prática de esportes e atletismo
W854
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - rua e estrada
W855
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - áreas de comércio e de serviços
W856
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - áreas industriais e em construção
W857
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - fazenda
W858
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - outros locais especificados
W859
Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica - local não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
O choque elétrico é uma lesão traumática resultante da passagem de corrente elétrica através do corpo humano, podendo causar desde sensações leves até parada cardiorrespiratória e morte. A gravidade depende de fatores como intensidade da corrente, duração da exposição, trajeto da corrente no corpo e tipo de corrente (alternada ou contínua). A fisiopatologia envolve efeitos térmicos, eletroquímicos e mecânicos, incluindo queimaduras, arritmias cardíacas, contrações musculares tetânicas e danos neurológicos. Epidemiologicamente, é mais comum em ambientes ocupacionais (como construção civil e manutenção elétrica), domésticos (acidentes com aparelhos elétricos) e por raios, com maior incidência em homens adultos. O impacto clínico varia de lesões cutâneas localizadas a comprometimento sistêmico, exigindo abordagem multidisciplinar para prevenção e manejo.
Descrição clínica
O choque elétrico manifesta-se clinicamente por uma ampla gama de sintomas, desde formigamento local até colapso cardiovascular. As lesões podem ser divididas em elétricas (diretas pela corrente) e térmicas (por queimaduras). Sinais comuns incluem queimaduras de entrada e saída, contraturas musculares, arritmias, parada respiratória, e em casos graves, rabdomiólise, insuficiência renal aguda e danos neurológicos. A avaliação deve considerar o mecanismo do acidente (e.g., baixa vs. alta voltagem) para guiar o prognóstico e tratamento.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a voltagem e duração: em baixa voltagem (1000V), observa-se queimaduras extensas, parada cardiorrespiratória, rabdomiólise com mioglobinúria, fraturas por contração muscular ou queda, e alterações neurológicas (e.g., perda de consciência, déficits focais). Sintomas cardíacos incluem taquicardia, bradicardia ou FV; respiratórios incluem apneia por paralisia do centro respiratório. Complicações tardias podem envolver cataratas, síndromes compressivas e sequelas neurológicas.
Complicações possíveis
Arritmias cardíacas
Inclui fibrilação ventricular, taquicardia ventricular ou bradiarritmias, podendo levar a parada cardíaca.
Rabdomiólise e insuficiência renal aguda
Liberação de mioglobina muscular causa necrose tubular aguda e falência renal.
Queimaduras profundas e necrose tecidual
Lesões elétricas podem causar danos profundos com necessidade de desbridamento cirúrgico.
Complicações neurológicas
e.g., neuropatias periféricas, lesão medular, convulsões ou alterações cognitivas.
Infecções e sepse
Queimaduras elétricas são propensas a infecções bacterianas devido à necrose tecidual.
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Choques elétricos são causas significativas de morbimortalidade, com estimativa global de milhares de casos anuais. No Brasil, dados do DATASUS mostram predominância em homens (80-90% dos casos), faixa etária de 20-40 anos, e ambientes ocupacionais (e.g., eletricistas). Acidentes domésticos são comuns em crianças. A mortalidade é maior em exposições a raios ou alta tensão, com subnotificação frequente.
Prognóstico
O prognóstico depende da voltagem, trajeto da corrente, tempo de exposição e rapidez do atendimento. Baixa voltagem geralmente tem bom prognóstico com tratamento adequado; alta voltagem associa-se a alta mortalidade (até 30%) por arritmias e queimaduras extensas. Complicações tardias, como insuficiência renal ou sequelas neurológicas, podem impactar a qualidade de vida. Sobreviventes podem requerer reabilitação prolongada.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado na história de exposição a corrente elétrica, corroborada por achados clínicos e exames complementares. Critérios incluem: 1) Relato de acidente elétrico com ou queimaduras características; 2) Evidência de arritmia ou parada cardiorrespiratória no contexto; 3) Alterações laboratoriais sugestivas (e.g., elevação de CK para rabdomiólise); 4) Exclusão de outras causas de trauma ou colapso. A avaliação deve ser imediata, com ênfase no ABC (via aérea, respiração, circulação) e monitorização cardíaca contínua por risco de arritmias tardias.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Queimaduras térmicas
Lesões por calor, fogo ou produtos químicos, sem o componente elétrico; diferenciadas pela história e ausência de arritmias cardíacas associadas.
UpToDate: 'Evaluation and management of electrical and lightning injuries'
Síncope neurocardiogênica
Perda transitória de consciência por reflexo vasovagal, sem história de exposição elétrica ou queimaduras.
Diretrizes Brasileiras de Síncope - Sociedade Brasileira de Cardiologia
Trauma por queda
Lesões decorrentes de quedas, que podem coincidir com choque elétrico; a diferenciação requer história detalhada do evento.
WHO: 'International Classification of External Causes of Injury (ICECI)'
Intoxicação por drogas ou toxinas
Alteração do estado mental ou arritmias por substâncias, sem evidência de exposição elétrica.
Micromedex: 'Toxicology management'
Parada cardiorrespiratória de outra etiologia
e.g., infarto agudo do miocárdio ou embolia pulmonar; diferenciada por ECG, marcadores cardíacos e imagem.
American Heart Association: 'Advanced Cardiac Life Support (ACLS)'
Exames recomendados
Eletrocardiograma (ECG)
Avaliação imediata e seriada para detectar arritmias, isquemia ou alterações de repolarização.
Monitorar risco cardíaco, especialmente em exposições a alta voltagem ou com sintomas.
Dosagem de creatina quinase (CK) e mioglobina
Exames sanguíneos para avaliar rabdomiólise e risco de insuficiência renal.
Detectar dano muscular e guiar hidratação para prevenção de nefropatia.
Gasometria arterial
Avaliação do equilíbrio acidobásico e oxigenação.
Identificar acidose metabólica por rabdomiólise ou hipóxia.
Radiografia de tórax e ossos
Imagem para fraturas ou lesões torácicas por trauma associado.
Avaliar complicações traumáticas secundárias.
Tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM)
Exames de imagem para suspeita de lesão medular, cerebral ou visceral.
Detectar danos neurológicos ou internos não aparentes.
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e.g., luvas isolantes e calçados dielétricos em trabalhos com eletricidade.
Inspeção regular de instalações elétricas
Manutenção preventiva em residências e indústrias para evitar curtos-circuitos.
Educação em segurança
Campanhas para evitar contato com fios energizados e uso seguro de aparelhos.
Proteção contra raios
Evitar áreas abertas durante tempestades e usar para-raios em edificações.
Vigilância e notificação
No Brasil, choques elétricos graves são de notificação compulsória em alguns estados, especialmente se relacionados ao trabalho (devem ser registrados no CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho). A vigilância inclui monitoramento de acidentes por órgãos como o Ministério da Saúde e ANVISA, com foco em prevenção em ambientes de risco. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos conforme diretrizes locais.
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Desligue a fonte elétrica com segurança (não toque na vítima diretamente), afaste-a com material não condutor, avalie ABC (via aérea, respiração, circulação) e inicie RCP se necessário; busque atendimento médico imediato para monitorização cardíaca.
A corrente elétrica pode lesar o sistema de condução cardíaca ou causar isquemia miocárdica, com risco de arritmias mesmo horas após o evento, justificando observação prolongada.
Queimaduras elétricas frequentemente têm pontos de entrada e saída, são mais profundas e podem associar-se a sintomas sistêmicos (e.g., arritmias), enquanto térmicas são mais superficiais e localizadas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...