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CID R55: Síncope e colapso
R55
Síncope e colapso
Mais informações sobre o tema:
Definição
A síncope é definida como uma perda transitória e autolimitada da consciência, resultante de hipoperfusão cerebral global, com início rápido, duração breve e recuperação espontânea completa. O termo 'colapso' é frequentemente utilizado como sinônimo na prática clínica, embora possa abranger episódios de fraqueza súbita sem perda completa da consciência. A síncope representa uma causa comum de atendimento em serviços de emergência e hospitalizações, com impacto significativo na qualidade de vida e risco de morbimortalidade, especialmente em idosos e portadores de cardiopatias. Sua fisiopatologia envolve mecanismos reflexos, ortostáticos ou cardíacos, que levam a uma redução abrupta do débito cardíaco ou da resistência vascular periférica, comprometendo o fluxo sanguíneo cerebral. Epidemiologicamente, a síncope tem uma incidência anual de aproximadamente 6-8% na população geral, com pico de ocorrência em adolescentes e idosos, sendo responsável por 1-3% das visitas ao pronto-socorro.
Descrição clínica
A síncope se caracteriza por um episódio súbito de perda da consciência, com duração geralmente inferior a 20 segundos, seguido de recuperação espontânea e completa. Pode ser precedida por pródromos como tontura, sudorese, palidez, visão turva ou náuseas. O colapso pode manifestar-se como uma queda súbita sem perda completa da consciência, mas com incapacidade de manter a postura. A avaliação clínica deve focar na descrição do evento, contexto de ocorrência, fatores desencadeantes e história médica pregressa, visando diferenciar causas benignas de condições potencialmente fatais.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui início súbito de perda da consciência, associada a palidez, sudorese e, ocasionalmente, movimentos tônicos ou clônicos breves (convulsões síncopeis). Pródromos como tontura, náuseas, zumbido ou escurecimento visual são comuns na síncope vasovagal. Na síncope cardíaca, pode haver dor torácica, palpitações ou dispneia precedentes. A recuperação é geralmente rápida, com retorno ao estado basal em minutos, embora possa haver confusão pós-eventual transitória. Idosos podem apresentar quedas sem aviso prévio, aumentando o risco de traumas.
Complicações possíveis
Traumas por queda
Fratura, traumatismo craniano ou outras lesões decorrentes da queda durante o episódio síncopal.
Ansiedade e fobia de quedas
Desenvolvimento de medo de novas síncopes, levando a restrições atividades e impacto na qualidade de vida.
Morte súbita cardíaca
Risco aumentado em pacientes com síncope cardíaca não diagnosticada ou não tratada, especialmente por arritmias malignas.
Lesões acidentais
Ferimentos durante atividades de risco, como dirigir ou operar máquinas, se a síncope ocorrer inesperadamente.
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A síncope é um problema de saúde pública frequente, com incidência anual de 6,2-9,5 por 1000 pessoas-ano em populações ocidentais. A prevalência ao longo da vida é de até 40%, com picos em adolescentes (síncope vasovagal) e idosos (síncope cardíaca ou ortostática). Cerca de 1-3% das visitas ao pronto-socorro e 1-6% das hospitalizações são devidas a síncope. Fatores de risco incluem sexo feminino, idade avançada, comorbidades cardiovasculares e uso de múltiplos medicamentos. A recorrência é comum, afetando 30-35% dos pacientes dentro de três anos.
Prognóstico
O prognóstico da síncope varia conforme a etiologia. Síncopes reflexas e ortostáticas têm geralmente bom prognóstico, com baixa mortalidade, mas alto risco de recorrência e impacto na qualidade de vida. Síncopes cardíacas associam-se a maior morbimortalidade, com taxa de mortalidade em um ano podendo chegar a 20-30% se não tratadas. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, cardiopatia estrutural, ECG anormal e síncope sem pródromos. Intervenções adequadas, como implante de marcapasso ou tratamento de arritmias, podem melhorar significativamente os desfechos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de síncope baseia-se na história clínica detalhada, exame físico e exclusão de outras causas de perda da consciência. Critérios incluem: (1) perda transitória da consciência com início rápido; (2) duração breve (geralmente <1 minuto); (3) recuperação espontânea e completa sem déficit neurológico residual. A classificação etiológica segue diretrizes como as da European Society of Cardiology (ESC), que recomendam avaliação de fatores de risco, ECG, e testes como tilt-test ou monitorização ambulatorial quando indicado. A síncope é distinguida de outras condições por ausência de alterações eletroencefalográficas persistentes e por características contextuais.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Crise epiléptica
Perda de consciência associada a atividade elétrica cerebral anormal sustentada, com convulsões tônico-clônicas prolongadas, período pós-ictal prolongado e achados EEG característicos.
UpToDate: Differential diagnosis of syncope
Hipoglicemia
Perda de consciência devido a baixos níveis de glicose sanguínea, geralmente com sintomas como sudorese, tremores e confusão, revertida com administração de glicose.
Micromedex: Hypoglycemia clinical features
Acidente vascular cerebral (AVC)
Déficit neurológico focal súbito, com perda de consciência possível em AVCs extensos, mas geralmente associado a sinais focais persistentes e imagem cerebral anormal.
Diretrizes Brasileiras de AVC
Intoxicação ou overdose de drogas
Alteração do nível de consciência devido a efeitos de substâncias como opioides, benzodiazepínicos ou álcool, com história de uso e achados toxicológicos.
WHO: Management of substance abuse
Síncope psicogênica
Episódios aparentes de síncope sem alterações hemodinâmicas significativas, frequentemente em contextos de estresse emocional, com normalidade nos exames cardíacos e neurológicos.
ESC Guidelines for syncope
Exames recomendados
Eletrocardiograma (ECG)
Avaliação inicial para detectar arritmias, bloqueios de condução, isquemia ou sinais de cardiopatia estrutural.
Identificar causas cardíacas de síncope e orientar investigação adicional.
Monitorização ambulatorial (Holter)
Registro contínuo do ECG por 24-48 horas ou mais, para capturar arritmias intermitentes correlacionadas com sintomas.
Detectar arritmias como causa de síncope em pacientes com episódios frequentes.
Teste de inclinação (tilt-test)
Exame que avalia a resposta cardiovascular à mudança postural, induzindo síncope vasovagal em ambiente controlado.
Confirmar diagnóstico de síncope reflexa e diferenciar de outras causas.
Ecocardiograma
Ultrassonografia cardíaca para avaliar estrutura e função do coração, detectando cardiopatias como estenose aórtica ou miocardiopatias.
Excluir causas cardíacas estruturais de síncope.
Exames laboratoriais (glicemia, eletrólitos)
Dosagem de glicose, sódio, potássio e outros parâmetros para identificar distúrbios metabólicos que possam simular síncope.
Afastar hipoglicemia, distúrbios hidroeletrolíticos ou outras condições sistêmicas.
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Instruir sobre reconhecimento de pródromos e adoção de manobras preventivas, como deitar-se ao sentir tontura.
Revisão de medicamentos
Avaliar e ajustar drogas que possam causar hipotensão ou bradicardia, como diuréticos, vasodilatadores e antidepressivos.
Uso de meias de compressão
Indicadas para reduzir estase venosa periférica e melhorar o retorno sanguíneo em pacientes com hipotensão ortostática.
Vigilância e notificação
A síncope não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas episódios recorrentes ou associados a eventos adversos devem ser registrados em prontuários para monitoramento. Em contextos de saúde pública, a vigilância focar em fatores de risco modificáveis, como uso de medicamentos e manejo de cardiopatias. Profissionais devem estar alertas para notificar suspeitas de eventos sentinela, como síncope em motoristas ou trabalhadores de alto risco, conforme diretrizes locais de segurança.
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A síncope é causada por hipoperfusão cerebral transitória, com recuperação rápida e sem atividade elétrica cerebral anormal sustentada, enquanto a convulsão envolve descargas neuronais sincronizadas, often com movimentos tônico-clônicos prolongados e período pós-ictal.
Síncope associada a dor torácica, dispneia, palpitações, história de cardiopatia, ECG anormal ou em idosos com quedas recorrentes requer avaliação urgente para excluir causas cardíacas potencialmente fatais.
Sim, através de medidas como evitar gatilhos, aumentar ingestão hídrica, usar meias de compressão e ajustar medicamentos, além de manobras físicas ao sentir pródromos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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